Comecei a ler o livro porque o título me chamou a atenção. Como sou estudiosa das infâncias, pensei que era algo como uma associação entre as expressões, coisa que já fiz em outros textos, que associa infância à pré-história - já li textos que também associa pré-história à população negra e, por isso, queria saber se ele seguia essa mesma linha.
Bom, o livro de fato apresenta a ideia de que, se a infância pode ser um momento de fratura entre a humanidade e a linguagem (olhando para a terminologia infância, de fato ela vem do latim que significa não fala), ela pode ser encarada como o começo da história. A ideia seria, assim, traçar algum paralelo entre infância e história. O que eu não consegui encontrar no livro foi uma ideia original sobre esse debate, porque essa relação não é nova.
Outro debate que hoje fazemos na sociologia da infância é que, ao reconhecer os bebês como pessoas, precisamos superar a ideia de que a linguagem (a fala) é a marca social que define a humanidade e sua relação com o mundo. Essa ideia exclui, ainda, as pessoas que não falam por diversos motivos, problemas físicos e emocionais. Esse livro, dessa forma, não consegue colaborar com a ampliação deste debate cada vez mais atual sobre diversidade e inclusão.
Mas vamos conversar com mais gente que leu e ouvir os argumentos, não é mesmo?
Giorgio Agamben


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