Um livro necessário para ampliar os debates sobre gênero no Brasil, ainda que esteja sendo publicado aqui com mais de duas décadas de diferença de quando ele foi escrito. Acho mesmo que a autora gostaria de fazer ressalvas a coisas que disse ali ou como disse. Sinto isso quando leio ela afirmando que a senioridade, para o povo Yoruba, é a categoria que melhor define o estamento social daquela sociedade. Para mim, retirar o gênero de uma centralidade categorial e tentar emplacar que não é o gênero e sim outra coisa que define uma sociedade que é sempre tão complexa é o nó, porque parece que o que estamos fazendo é apenas produzir verdades para confrontar outras verdades criadas a exteriori. Obviamente eu concordo que temos que combater verdades criadas por outros grupos para falar sobre nós, mas talvez seja um modelo colonial demais tentar criar uma outra verdade para combatê-la. Interessa-me muito mais um desmonte da verdade criada por outrem do que produzir outras verdades, interessa-me muito mais a dúvida. Assim, a premissa do livro começa com uma dúvida - e por isso ele chama tanto a atenção! - mas depois eu acho que ele fica nessa vontade de provar uma verdade outra e aí eu canso um pouco.
Outra coisa: penso que é bastante problemático ficar tentando provar que há uma certa "pureza" que só existe numa comunidade tradicional. Esse é um ponto que qualquer dia eu vou falar mais. Agora eu não quero, rs.
O modelo de pensar gênero é completamente calcado na experiencia social ocidental e essa denúncia é incrível para continuarmos a construir um debate sobre gênero mais inclusivo e com mais criticidade. Isso me pegou demais e continuo achando que vale a pena ler o livro.
Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí


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