Você que me lê, me ajuda a nascer.

terça-feira, março 10, 2026

Não é pelo sobrenome, a luta é por justiça.


Meu ódio de classe é (um pouco) aplacado pela emoção que sinto ao ouvir coisas assim. 

 

sábado, março 07, 2026

Banzeiro Okotô: uma viagem ao centro do mundo Amazônia, Eliane Brum.

 


Duas pessoas me recomendaram esse livro em 2023. Comprei em 2025 e terminei de ler agora, com os olhos marejados. Eliane consegue me convencer de que é possível vivermos juntes, ainda que tão diferentes e tão esmagades que estamos pelo racismo, machismo, facismo, especismo. Ela, que assumidamente diz que ser uma mulher branca no Brasil é existir violentamente, colabora muito mais com a luta de combate ao racismo do que muita gente que vive vomitando antirracismo por aí.

Chorei de emoção em muitos momentos do livro, mas me ver em lágrimas com a história de Alice, uma tartaruga que luta para sobreviver numa Amazônia que está sendo, pouco a pouco (ou muito a muito) destruída, me fez compreender que aquela não era a história de Alice, mas de todas nós. 

Lindo livro. Recomendo livro. Livro recomendo.  

Eliane Brum e Lilo Clareto (fotógrafo)

As aventuras de um paraíba.


 

A negociação.


 

quinta-feira, março 05, 2026

sábado, fevereiro 28, 2026

sexta-feira, fevereiro 27, 2026

terça-feira, fevereiro 24, 2026

Ouro Marrom.

A primeira vez que ouvi essa música foi ao vivo. Imagina. Essa beleza toda por aí há tanto tempo. Mas assim, foi maravilhoso assim também, essa emoção que me pegou em cheio ao vivo, sem pudor algum. Um dádiva, um presente.



terça-feira, fevereiro 17, 2026

Maldito invento de um baronete, Luís Antonio Simas.

 

O livro é bem mais lúdico que a série em que o autor dá depoimentos sobre o jogo do bicho, veiculada e produzida pela mesma emissora que lucrou (e lucra) milhões com o jogo do bicho ainda hoje. Quer entender o Brasil?

Brasil é caso de amor, não para entender. Deixa disso.

O que mais me fascina é Simas dizer em alto e bom som para todo mundo ouvir: o jogo do bicho só não foi legalizado porque é coisa de preto, pobre, de gente que não era vista como civilizada no Rio de Janeiro do começo do século passado (e ainda não é). E hoje, não é legalizado por isso e também porque dá bem mais dinheiro para todo mundo que quer dinheiro do jeito que está, né?

Como uma tal plantinha que não faz mal à ninguém. 


Luis Antonio Simas

Abutres.


 

Valor Sentimental.


 

domingo, fevereiro 15, 2026

sábado, fevereiro 14, 2026

terça-feira, fevereiro 10, 2026

quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Hipnotic.


 

Fortemente amada.

Fiquei sem saber qual seria o título desse post, se bolo de chocolate ou fortemente amado. Isso porque as duas expressões traduzem o que sinto ultimamente. 

A última vez que fiz um bolo de chocolate foi na graduação. Eu fiz um bolo no mês passado para alguém que ama bolo de chocolate, algo que eu não faço por aí assim. Precisamos de mais de um ano de namoro para um simples bolinho de chocolate aparecer aqui na bancada. O que me deixou mais feliz foi saber que ele, para além de amar o bolo, amou mais ainda porque disse que eu fui a primeira que o chamei para mostrar como se faz, assim ele pode fazer sempre que tiver vontade.

Um segundo bolo já aconteceu? Sim, mas ele também já fez seu primeiro bolo (que comeu sozinho, entre jogos do Flamengo e o filme Shaft), o que me deixa ainda mais feliz.

Fortemente armada? Não, fortemente amada, de verdade. 


terça-feira, fevereiro 03, 2026

Sabedorias.



Fiz essa foto no litoral da Bahia, numa cidade bem pequena e pacata, linda e cheia de luz que conheci em janeiro. Parece uma bobagem, mas tem algo de tão profundo aí. No capitalismo, quem começa transformando a corrupção em linguagem não é, necessariamente, o político. Pensa bem nisso e depois a gente conversa mais. 

Se o empresário desgraçado não chega lá no Congresso seduzindo políticos com presentes e privilégios mil, será que a gente teria essa coisa toda como a gente vê por aí? Não estou dizendo que o político não é responsável, só tou dizendo que passei a ter mais ódio ainda do capitalismo depois dessa frase.

Ando com tanto ódio do capitalismo e dessa ideia de VIP do VIP. Isso sempre existiu, né? Eu é quem não tinha acesso. Aí a pessoa se lasca de trabalhar para conseguir ter algo e quando chega lá, descobre que tem um valor a mais por alguma coisinha a mais e no final das contas, ela sempre vai querer aquela coisinha a mais, e o que ela conseguiu comprar já não vai valer mais nada, porque ela já está com vontade daquela coisinha que não deu para pagar dessa vez. 

E isso nunca acaba. Nunca acaba. O capitalismo (e o racismo) assim, sempre se atualizam. E fim (sem final feliz. Lendo Banzeiro Òkòtó de Eliane Brum, é difícil acreditar que o mais lúcido, na real é só a gente sumir do mundo mesmo e deixá-lo para todos os outros seres vivos (e os povos-floresta). 

segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Eu, ele, o sol e o mar.


 

Filho Nativo, de Richard Wright.

 


Tenho resistido bravamente aos shorts e vídeos curtos e tentado voltar a ler com a frequência de antes. Acho que tem funcionado: agora, quando tenho alguns minutos de sobra entre uma atividade laboral e outra, eu penso: o que será que vai acontecer com o protagonista do livro que estou lendo?

Este livro é uma bomba. Me deixou extasiada com as primeiras 100 páginas e quando eu achava que nada mais incrível poderia acontecer, começa a segunda (e a terceira) parte. A história nos prende do começo ao fim e ficamos meio sem respirar, com medo e na torcida por Bigger, ainda que não concordemos com tudo que ele faz ou ainda que nos vejamos nele. Não sei dizer bem, mas eu mais entendo e abraço Bigger do que qualquer outra coisa, eu já vi o olho de Bigger me olhando em muitos lugares por aí, não saberia julgá-lo, mas ainda assim, eu o perdoo.

O autor consegue rechaçar a religião cristã em 1940, num país infestado de protestantes entre as pessoas negras. Só por isso o livro já vale muito, mas vale também por Bigger e pelo discurso de Max, que só tem a valia que tem por ser feito por um homem branco, que é judeu, que vale menos para muita gente, mas ainda assim manda no mundo (vai entender como funciona). A história toda é tão atual, mas o filme fica muito aquém do livro. É assim: o filme é outra história. Quer ver? Pode ver, mas não é o livro. O filme só se inspirou mesmo. Acho que ninguém patrocinaria um filme se alguém fosse filmar esse livro na real, ainda que ele seja um roteiro pronto e Bigger seja uma personagem e tanto. 

Vocês sabem, né? Eu não faço resenha de livro aqui, eu só registro o livro que li. Não esperem muita coisa desses escritos. 

Richard Wright



sexta-feira, janeiro 30, 2026

quarta-feira, janeiro 28, 2026

domingo, janeiro 25, 2026

terça-feira, janeiro 20, 2026

quinta-feira, janeiro 08, 2026

Maguila: Prefiro ficar louco a morrer de fome.

Não achei trailer para a série Maguila: Prefiro ficar louco a morrer de fome (direção Rafael Pirrho), então acabei vendo esse documentário que está no Youtube.


A série é ótima, recomendo também. E eu, que nem sabia que Magilla era um gorila de um desenho animado (na série descobri que Adilson não queria ser chamado de King Kong, por isso lhe deram outro apelido. Ele aceitou, sem saber que era na verdade o nome de um outro gorila), cada dia e toda hora me espanto como o racismo está entranhado na cultura brasileira. 


quarta-feira, janeiro 07, 2026

1 ateu VS 30 cristãos feat Daniel Gontijo.


 

Família.


Pensa numa felicidade. Agora multiplica por quatro. Não, por cinco. vai.

 

domingo, janeiro 04, 2026

quarta-feira, dezembro 31, 2025

Presente.

Ganhei de presente o livro "A Contagem dos Sonhos", o novo livro de Chimamanda Adichie. Fiquei toda boba e lembrei que faz tempo que eu não ganho livros, a não ser de mim mesma (enquanto conversamos, uma cesta de compras de dez livros me espera para saber quando a finalizarei). Olho para ele e penso: o livro é o meu melhor amigo, não tenho como pensar outra coisa. 

Viajei para o México, levei três livros e um Kindle com mais dois na agulha, voltei com mais cinco livros. Para que isso? Me dá um conforto danado estar rodeada de livros, é uma coisa que faz parte de mim faz muito tempo, ler sempre foi algo que me salvou de coisas que ainda nem sei o nome, então ler sempre vai estar aqui. 

Eu sei que posso estar com eles por muito tempo e não me sentir sozinha, esperar o vendaval passar. Eu sei, eu já passei por isso algumas vezes e o que ficou foi a lembrança de que naqueles dias, consegui terminar um livro de 900 páginas ou coisas assim. Eu sei, eu sinto que os livros, as histórias, elas sempre vão ficar aqui e assim eu sempre as escolho, porque elas nunca me abandonaram.

Essa certeza me faz olhar para um livro de presente e pensar que sim, a vida pode e é bonita, a vida é porque existem livros. 

terça-feira, dezembro 30, 2025

Roda Viva: João Gomes.


 

Andressa Urach VS 31 cristãos.

 Esse foi um dos melhores entretenimentos que eu vi esse ano. Que ideia maravilhosa essa daqui.

segunda-feira, dezembro 29, 2025

Prisioneiras do Espelho: um guia de liberdade pessoal para filhas de mães narcicistas, de Michele Engelke.


Publicar esse livro aqui já diz muito sobre a gente. Eu só cheguei a esse conteúdo porque comecei a pesquisar sobre o tema e identifiquei muita (mas muita) coisa mesmo presente na minha vida desde sempre. 

Uma dor, mas agora eu sei o nome. Ainda dói, mas tem um frescor da esperança de dias melhores só por saber o nome, só por poder dizer o nome e por ordem nas coisas aqui dentro da minha cabeça. 


 

sábado, dezembro 27, 2025

O sol na cabeça, de Geovani Martins.



Um livro de contos, coisa que não leio muito. Quis ler esse antes de ler Via Ápia porque gosto sempre de ler tudo da pessoa, um jeito de poder falar melhor da obra inteira e não de apenas um livro. Sempre que posso, faço isso. 
As gírias do Rio passaram a ser muito familiar para mim há cerca de mais de um ano, então foi fácil entender onde Geovani queria chegar e o que ele queria dizer com as escolhas que ia fazendo. Também o Rio que ele mostra é diferente do que você lê em Chico ou sei lá quem que não lembro agora. 
Contos não me prendem porque tenho ganas de mais e me sinto ali, meio que órfã das personagens com aquele pouco de história. Não aprendo a desfrutar o que vem nos contos, mas gostei de alguns - eu sempre gosto de alguns, notadamente aqueles que não se importam em parecer pedaços de história e não se preocupam com começo, meio e fim. Vai entender a leitora aqui: quero mais história, mas quase sempre gosto mais daqueles que não prometem nada, mas entregam tudo.

 Geovani Martins

Lulu vai para a escola, de Anna Mquinn.


Amo os livros dessa série.


Anna McQuinn



 

O quarto de Giovanni, James Baldwin.


Senti angústia quando pensei no quarto de Giovanni. Por vezes acreditei que toda a homofobia e o medo de não ser heterossexual ou estar fora da norma não poderia caber dentro dele e poderia explodir o mundo. Achei que a vida de Giovanni estivesse em risco, mas não apenas a dela como também a do rapaz que  só consigo imaginar como um homem branco de olhos azuis cor de céu. Já Giovanni, quando eu pensava nele, para mim só poderia ser James Baldwin, ainda que ele seja estadunidense, tal qual o homem branco descrito no livro. Minha mente tinha de fazer malabarismo para a história caber na imaginação que teimava em querer dar as cartas na leitura do livro.

E que livro. Vale muito a pena ler. Demais.


James Baldwin



 

Casamento às Cegas: Suécia, T1.


 

quinta-feira, dezembro 25, 2025

O perigo de estar lúcida, de Rosa Montero.



Nas férias, é o momento de fazer as pazes com a leitura. Passo o ano inteirinho lendo coisas que não quero ler e fico com medo de perder esse prazer delicioso que um livro me faz sentir toda vez que chega as férias. Aí fico pensando que preciso acertar no livro, que ele precisa me pegar. Tenho uma lista de livros escolhida no começo do ano que nunca foi respeitada, mas me olha de cima da cômoda quando as férias chegam. Quase nunca eles saem para passear. 
Dessa vez, o livro que inaugurou as férias chegou uns dois dias antes da viagem. Sim, isso mesmo, eu vivo cometendo esse delito: passar livros na frente (agora mesmo passei o de Chimamanda que ganhei de presente, quem diria que ela passaria na frente de Lebron). 
Nunca tinha lido nada dela, mas agora parece que ela é minha melhor amiga. Leio e dou gargalhadas, leio e fico rubra, como se ela estivesse me lendo e não o contrário. Estou em viagem, sozinha, mas acompanhada dos meus próprios pensamentos que ganham vida com a leitura deste livro incrível. 
Eu não quero que acabe o livro, mas eu quero ler mais e mais. Não sei o que fazer.

O livro é tudo que disseram, mas precisa ler, ler e sentir, ler e refletir, ler e reler, ler e sonhar. Ler e esquecer. Ler e continuar. Eu sou feliz porque leio. 

Leiam e me digam o que sentem com essa leitura fluida e maravilhosa vocês também. 


Rosa Montero








 

Invejosa, T3.


 

Nómadas de la 57.


 

A grande mentira.


 

The Alto Knights: máfia e poder.


 

Fue solo un acidente.


 

Bugonia.


 

domingo, novembro 23, 2025

sábado, novembro 22, 2025

sexta-feira, novembro 21, 2025

segunda-feira, novembro 10, 2025

quinta-feira, novembro 06, 2025

Há mais coisas que Netflix e Prime Video.

Estou me esforçando a usar menos telas (paradoxal quando aqui eu escrevo usando tela, mas é notório o quanto diminuí a escrita aqui). Fico assombrada como a gente coloca tela em tudo, até para afugentar a solidão (e ela nem sempre precisa ser mandada embora). Estou me esforçando a ver coisas em outros streamings, como Mubi e Filmmica. Nem só de Netflix e Prime Video a gente vive. O resultado são os últimos filmes postados aqui, todos muitos bons e muitos diferentes entre si, bagunçam muito minha cabeça. Com Netflix, eu estava esquecendo o quanto eu amo cinema e passando a viver de entretenimento. Blergh.

Depois de um tempo, você cansa da linguagem, da mesma linguagem em todos os formatos. É sempre o mesmo jeito de fazer e filmar, mesmo enquadramento, começo, meio e fim. Não é cinema, é audiovisual que chama agora, né? Estou vendo coisas que desconcertam a vida e me põem a pensar em coisas que preciso, que não quero, que eu gosto, que estão na vida para serem vistas também. Uma cena ontem no filme Estranho Caminho, uma cena, e eu vi o filme da minha vida passar na minha frente. Fiquei como? Cabeçuda até agora. 

Do alto de um flat em Brasilia, décimo sétimo andar, Madison Ryan Ward cantando I'll wait para mim. Essas foram as decisões de hoje. 

Estranho caminho.


 

Filipe eu te amo.


Um ano de namoro e um ano de vida do meu amor, colocar ele no mapa foi fácil. Difícil é aguentar a saudade dele e da gente. A gente sempre está contando dias (agora faltam 3, mas ele sempre teima que faltam 2, porque o dia que a gente se vê não conta. Ah, o amor, sempre desafiando as lógicas). 

Se eu tou feliz? Tou amada, tou feliz. Um ano (mais de um) e querer continuar e estar apaixonada e tudo isso é coisa que nunca vivi. Nunca vivi. 

 

terça-feira, novembro 04, 2025

segunda-feira, novembro 03, 2025

sábado, novembro 01, 2025

terça-feira, outubro 28, 2025

quarta-feira, outubro 15, 2025

quinta-feira, outubro 09, 2025

domingo, setembro 28, 2025

sexta-feira, setembro 26, 2025

terça-feira, setembro 23, 2025

segunda-feira, setembro 22, 2025

segunda-feira, setembro 15, 2025

terça-feira, setembro 09, 2025

quinta-feira, setembro 04, 2025

quarta-feira, setembro 03, 2025

terça-feira, setembro 02, 2025

Acreditar, enfim.

Eu continuo me surpreendendo com a vida. Com o amor. Com as possibilidades que a gente abre para viver experiências quando a gente consegue se curar e seguir, sem tanta amargura. Não é fácil, nada é fácil, ficar triste e sem saúde mental também não é fácil, então se eu tiver de fazer força, vai ser para ser feliz e não reclamar. Ter aprendido duas coisas me ajudam a ficar bem:

1. A certeza de que não tenho certeza de nada. Uma coisa tão estúpida, né? Mas com o tempo, com a idade, a gente se apega a coisas que a gente já viveu, achando que vai dar certo porque já passamos por isso ou que vai dar errado porque a gente já conhece. Não é simples assim. Se fosse... seria tudo muito mais chato na vida, é por isso que ela segue incrível, por ser completamente imprevisível. Meu pai dizia

do tempo que eu nasci e ainda tô vivo

Quer dizer, é uma benção conseguir fazer a mesma coisa por dias e dias - acordar, comer, trabalhar, banhar, dormir, é uma benção conseguir o básico, sim. Porque a vida é uma coisa que não te promete nada, nada, mas todo segundo tem coisa. Então, eu penso que eu nunca sei de fato o que pode acontecer. Muitas vezes eu me preparo pra caramba para uma coisa e ela não chega. Muitas vezes eu não me preparo e é incrível. Não tem receita, todas essas coisas que a gente já sabe, né? Só que a gente diz que sabe, mas na hora a gente quer mesmo que aconteça como a gente está esperando, a gente diz que sabe que a vida é um imprevisto a cada milissegundo, mas vive esperando que tudo saia como esperado. Eu me divirto com frases do tipo "isso nunca aconteceu", como se a vida tivesse te prometido que só aconteceria com você coisas que já aconteceu uma vez, como se fosse possível você já ter vivido tudo que há pra viver.

2. Escolher um caminho não significa que ele vai ser melhor que o que você não escolheu. Pode ser que, na hora, quando você escolher, ele vai "parecer" melhor. Mas não acredito mais em "melhor". Só isso. Estou tirando umas palavrinhas da minha vida. Sabe porque? Não tem como saber, e o que a gente tem que saber é que o caminho escolhido vai ter problemas no percurso, assim como aquele outro que você não escolheu. A gente até escolhe achando que sabe um pouco o que pode acontecer (e fica chateada quando não acontece, porque a gente escolheu aquele caminho porque ele trazia um pouco mais de segurança que o outro...), mas a real mesmo é que como a gente não tem certeza de nada... a vida não te dá garantias, ponto. Aí eu penso assim: vendem para a gente essa ilusão, "por aqui é melhor", então a gente se frustra porque a gente não se prepara para cair do cavalo naquele caminho que parecia tão melhor. Não tem isso. Todo caminho pode ser uma grande furada ou uma grande beleza. Ou uma coisa morna mesmo. Não tem como saber, porque também tudo pode mudar. Ele pode começar uma furada e se tornar uma grande beleza ou o contrário. E é aí que entra a sua agência. Eu fico olhando a minha vida e pensando nas coisas loucas que já aconteceram comigo e em como eu lidei com elas. Em como eu não me permiti que elas me paralisassem porque eu queria - e ainda quero - viver muita coisa que eu não vivi. Eu quero viajar, conhecer coisas como Patagônia ou voltar à Itália dirigindo um carro lá pelas bandas da Procida. Eu quero sentir isso, a viagem, ver pessoas, ouvir histórias, fazer elogios, receber elogios. Eu quero muita coisa, quero também poder ter tempo de ficar sem fazer nada só sentada no sofá afagando Namaste e vendo ele lentamente sair dali e ir deitar em outro canto porque não quer cafuné daquele jeito. Eu quero. Minha vontade de viver se sobrepõe à vontade de parar tudo e só sobreviver. 

É cansativo, sim. Nem todo dia é simples, mas eu ainda acho que vale mais a pena gastar minhas fichas e forças nessa aposta completamente sem nenhuma promessa que é a vida. Eu ainda prefiro acreditar no amor e esperar ser amada, eu ainda prefiro me cansar acreditando.