Você que me lê, me ajuda a nascer.

segunda-feira, julho 13, 2026

O divino Baggio.


 

Diário do Homem Comum, Leo Sobral.


Veja qualquer vídeo desse canal. Esse aqui é só uma amostra, mas vi outros e gostei bastante.

 

Madame Durocher.


 

domingo, julho 12, 2026

Livros.

Acabei de ler cinquenta livros infanto-juvenis e mais alguns romances por conta de um trabalho. Fiquei pensando que ser editora não seria nada mal. Eu poderia fazer isso com prazer: ler um livro para avaliar, opinar, essas coisas que imagino que uma editora faz.

Mas eu nunca tive acesso a essa profissão. Quando eu estudava, apesar de gostar muito de ler, eu nem imaginava como era para um livro chegar até mim, tudo que ele tinha de passar na vida... fico me perguntando quantas mais mil profissões existem e eu nem sei. Quantas delas eu também gostaria muito, como essa?

O que a gente não sabe, não existe, não é mesmo? E a internet não resolve tudo, porque você precisa saber que existe para procurar, pelo menos saber alguma coisa, uma coisiquinha de nada, como eu que aprendi sobre o brutalismo por causa do nome de um filme.

A vida, o mundo, seguem sendo coisas incríveis para mim. Eu preciso voltar a escrever sobre isso, sob pena de pensarem que minha gana de viver e alegria do mundo acabaram. Não. Tudo isso continua aqui, pulsando muito (ainda mais num domingo pela manhã, depois de preparar cartas e encomendas). 

Caixa de lápis de cor e hidrocor.

Eu demorei para entender como aquele momento de dividir o lápis de cor e o hidrocor na escola pode se tornar numa das primeiras aulas sobre socialismo, relações humanas e política. Na escola em que eu estudava,  a hora de desenhar e pintar eram os momentos em que você precisava negociar, aprender a dividir e esperar, ou seja, tudo que você mais precisa saber quando cresce. 

Lembro que a gente começava a pintar, mirava num outro lápis e ia dizendo "quero a cor xis", porque se caso alguém a pegasse enquanto a gente pintava com a primeira cor, já ficava sabendo quem estávamos na fila. Tinha também quem deveria apontar o lápis - que invariavelmente aproveitava para conversar com outra pessoa que também estava apontando -, algo que pela ética do uso em comum deveria ser sempre depois que a ponta do lápis quebrava, ele nunca deveria ser devolvido à caixa sem ponta.

Os recipientes que abrigavam os lápis tinham decorações diversas e dependia do humor e do nível de cansaço da professora com o ofício. Elas poderiam estar gastas - anos anteriores - ou novas, poderiam ser em latas ou caixas. Lembro especialmente de uma em algum dos anos que tinham desenhos da gente feitos no ano anterior (sim, a professora pediu nossos desenhos para a nossa antiga professora). Até hoje me pergunto se só eu achei um desenho meu ou mais gente também achou, eu não lembro. 

Esses momentos de compartilhamento eram embotados pela ideia de que todo mundo ganharia uma caixa no começo do ano. A ideia de ter uma caixa de lápis de cor e uma de hidrocor só para a gente parecia muito sedutora - assim como tudo que o capitalismo promete - mas o encanto acabava quando a maioria das professoras, para não estimular o individualismo, colocava todos os lápis de cor e hidrocor juntos na mesma caixa, a despeito da cara feia das famílias. Ah, os anos 90 e nossa vontade de construir um projeto de nação democrático! Para onde foi esse desejo?

Quando me tornei professora, segui os passos das minhas professoras e continuei juntando os lápis de cor e hidrocor em recipientes todo começo de ano. Em alguns momentos, a gente usava aqueles pedacinhos de lápis e giz de cera (giz era algo que não era tão comum na minha época nas escolas que estudei) alguns hidrocores que ainda funcionavam dos anos anteriores, esperando dias melhores (famílias que enviavam materiais, compra pela secretaria ou verba da Associação de Pais e Mestres). Comecei a ver ainda mais esse momento como um espaço favorável à socialização das crianças e o estímulo ao compartilhamento, além da arte da negociação que está intrínseca em toda relação social.

Hoje, em casa, ainda tenho um recipiente com lápis, giz e hidrocor, todos juntos, misturados, como aprendi e como acredito que tem que ser. Deve ser por isso que tenho tanto ódio de classe e do discreto charme da burguesia.

Lobos.


 

quinta-feira, julho 09, 2026

Estado? Felicidade.

Cheguei à academia e uma senhora disse

eu gosto de vir no seu horário, você me anima

Para quem anima pessoas, é animador ouvir isso. Foi aí então que fiquei mais elétrica, cantando, dançando e fazendo piadas sobre futebol e séries de treinos.

Voltei para casa pensando em como estou realmente vivendo uma fase de felicidade na minha vida. Vou e volto da academia às 7h da manhã cantando no carro e alguém me disse

eu vejo você, você sempre passa aqui na frente cantando ao volante

E eu me dei conta que é isso mesmo. A felicidade transborda e não é porque tudo vai bem. Sigo com medo de a extrema direita voltar ao poder, sofro vendo pessoas sem ter onde dormir e me desanimo com a corrupção que impera por estas bandas desde que Pindorama virou Brasil. Ouço podcasts sobre médicos de IA e sofro com a desinformação, essa doença que assola o mundo

Mas eu escolhi acreditar no amor e nas pessoas. É um ato completamente intencional e lúcido de minha parte acordar todos os dias de manhã e escolher que vai dar certo. Percebi que isso é serio quando eu estava achando que o Brasil ainda empataria da Noruega mesmo depois do pênalti marcado com três minutos de jogo a mais do que o previsto no fim do segundo tempo. Eu segui olhando para a TV' esperando algum milagre. Se isso não é acreditar, nada mais é.  

Nessa viagem louca de esperar sempre o melhor, coisas incríveis acontecem todos os dias. Eu vibro com cada uma dessas coisas, as mais estúpidas, como ganhar mais gigas na troca no conserto caro de uma placa de um laptop que caiu no chão. O que eu posso fazer? Reclamar e não consertar ou me divertir com cada coisa que acontece? 

Eu sou grata. Sempre digo às estudantes: se você não está presa, tem onde dormir e o que comer, está tudo bem. Você precisa encontrar quais são seus maiores medos e esses três são os meus. Mas eu tenho certeza que alguém que está preso hoje pode me dizer que ainda há vida mesmo dentro da prisão (como também posso encontrar alguém que reclama da vida que tem fora da prisão).  

Lendo isso aqui antes de postar, parece piegas, meio Poliana preta idosa (e olha que nunca li o livro). Talvez seja mesmo. Talvez eu seja essa pessoa piegas e que para muita gente vive num mundo paralelo. Na verdade, talvez para mim mesma também. Talvez a única coisa que eu poderia acrescentar nisso tudo é que sim, eu quero ser assim e sim, eu realmente acho que está dando certo para mim.

Alguém me disse que eu não pareço inautêntica e isso me basta.

quinta-feira, julho 02, 2026