Você que me lê, me ajuda a nascer.

sábado, junho 13, 2026

Lendo o roteiro de Dark Horse (o filme do Bolsonaro), Daniel Duncan.


 

Um bebê vem aí, de John Burningham.



Poderia ser legal, mas é adultocêntrico demais para o meu gosto.

 
John Burningham

A alma secreta dos passarinhos, de Paulo Venturelli.

Duas coisas: é preciso muito tempo para escrever livros lindos para crianças e quando li, só pensei: poxa, porque não escrevem livros lindos assim com meninos negros?


Paulo Venturelli

 

Os vizinhos, de Einar Tsarfati.


Livro lindo, lindo. 

Einar Tsarfati

 

Ombela: a origem das chuvas, Ondjaki.



Eu tou desgovernada de ler esse ano. Não entra na frente desse trem.

Ondjaki
 

Tetra: Acreditar de novo.


 

Neca (romance em bajubá), de Amara Moira.

 

Eu amo Amara. Descobri não sei quando nem sei como, aí li o primeiro livro e fiquei assim. Eu gosto de ler tudo de uma autora que eu gosto, então ela publicou coisa nova e eu já fui ler (preciso ler o novo de Obioma, tá na lista, na lista).

O livro está todo escrito em bajubá, como a informação na capa mostra. Amara questiona a sexualidade de autores famosos do mundo das letras (ela mesma doutora na área) de um jeito que só ela sabe. Questiona a sexualidade de todo mundo, não deita para ninguém, nem mesmo para as travestis que conhece de tua, de quando ela "se eu fosse put(r)a". 

O que eu nunca ia saber é que meu conhecimento de italiano e yoruba ia me ajudar tanto em entender bajubá. Fiquei tão feliz no fim do livro por ter conseguido pegar o jeito da leitura (a fluidez, a rapidez que o livro pede) que até ouvi um cd' inteiro de Laura Pausini (e cantando todas as faixas) malhando perna como se não houvesse ninguém me escutando. 

Perchè ancora mi ricordo della lingua, incluso dei ocó che ho conosciuto in Italia

Amara Moira

sexta-feira, junho 12, 2026

quinta-feira, junho 11, 2026

O robô aspirador e a IA.

Comprei um robô aspirador. Achei que minha vida estivesse resolvida e que eu diminuiria meu trabalho doméstico. Qual o quê, nada. Em dias de usar o bicho, tenho de colocar tudo de pernas para o ar e limpá-lo muito bem,  o que me faz ter que planejar o dia de varrer a casa. Ele precisa estar limpo e o chão, livre de obstáculos. Ainda assim, ponho o danado para trabalhar e, no meio da casa, ele encontra algo para se enroscar. Não me pergunte o que, mas sempre sobra algo. Por vezes, ele consegue se enfiar onde não deve e toca eu parar o que estou fazendo para ir lá acudi-lo. 

Em outros momentos, a bateria acaba e ele está no meio da tal varredura. Me diz que vai voltar para a base para carregar mas nem sempre volta para onde estava e começa tudo de novo, ou seja: a parte que está limpa novamente vai ser limpa e a que está suja... bom, temos de confiar que dessa vez ele está carregado o suficiente e vai conseguir dar conta da casa inteira.

Porque eu disse isso tudo? Porque esse robô me iludiu. Quando o comprei, achei que faria esforço zero e o que faço hoje é esforço cinquanta por cento, comparado ao que fazia antes. Não sei se gosto. Acho que sigo preferindo varrer e passar pano ouvindo um podcast por cerca de trinta minutos do que passar quatro horas (sim, se for contar todo o tempo que gasto fazendo isso tudo que falei, dá isso ou mais) ouvindo aquele barulho turbo nos meus ouvidos. E eu nem acho que varre bem como eu pensava. Sim, moro no mato e a sujeira do chão onde vivo é diferente do chão de um apartamento no vigésimo sétimo andar. 

Talvez seja, mas eu disse isso tudo mesmo que eu vejo minha relação com esse robô bem parecida com a relação que tenho com a tal inteligência programada (ou não sei qual o melhor nome). Não uso para escrever nem para ler, mas quando escuto o que deve ser feito para ser usada com integridade, eu acho que ela é só mais um robô me iludindo. Só mais um, dos milhares que existem por aí.

Entre escrever, colocar parágrafo por parágrafo num programa para ver se tem erros de gramática, revisar, reescrever, eu prefiro assim: rápido e rasteiro, sem respirar, direto na caixa do blog e voltando para consertar qualquer espaçamento a mais depois. 

Pode ser que eu mude de ideia? Sim, óbvio. Adoro ser desafiada Mas não será hoje (nem amanhã, creio eu).

Velhos Bandidos.


 

sexta-feira, junho 05, 2026

Muquiranas Brasil.




 

Capoeiras.


Capoeira é a memória física do povo preto. Boa, né? Isso que se ouve quando a roteirista sabe do que está falando.

 

Rye Lane: um amor inesperado.


 

segunda-feira, junho 01, 2026

Invejosa, T4.

 


Míghian Danae, LiteAfro.

Um dia eu pesquisava autoras ali e, noutro, eu estou . Das surpresas escondidas dentro de uma segunda-feira à tarde.

A contagem dos sonhos, Chimamanda Ngozi Adichie.

 

Ganhei este livro de presente no fim do ano. Li aos poucos, devagar e sempre. Eu gostei? Gostei sim, gostei muito. Agora, talvez seja o livro de Chimamanda que eu mais goste. Antes, era o Hibisco Roxo. Mas não sei. Só queria um pouco menos imigração, mas parece que não tem muito jeito: esse é o mundo onde ela vive, numa ponte entre Nigéria e Estados Unidos. Eu gosto de coisas que ela percebe e escreve sobre as diferenças entre Nigéria e EUA que a gente não consegue mensurar e parece intangível, mas ela vai lá e descreve. Ela é muito boa nisso, como quando explica o ranço de palavras em inglês dos Estados Unidos ou um meneio de cabeça. Ela é realmente muito boa nisso, uma observadora dessas diferenças pequenas mas que agoniam a gente no dia a dia. 

No final do livro, ela explica coisas que poderiam não ter sido ditas, mas que, quando ditas, desvelam tanta coisa da literatura e da gente que sempre fico em dúvida se queria ler ou não aquilo tudo. Me sinto nua. Com frio.

Mas tudo bem. Como a paixão e o calor, essas emoções também passam. 


Divórcio em família.


 

Territórios - Sob o domínio do crime.