Você que me lê, me ajuda a nascer.

sexta-feira, setembro 25, 2026

Time Lula, em inglês ou português.

Fui procurar uma imagem que deixe bem explícito para que time eu torço, aí encontrei essa. Ah, a linguagem. Sempre maravilhosa. Time Lula, em inglês ou português, é agora:


Faço campanha em todo lugar. Na aula de inglês, quando a professora perguntou quem me inspira, aproveitei:

Professora, na moral, qualquer pessoa com mais de 70 anos que esteja atividade, fazendo coisas, me inspira. Eu só quero me aposentar e olhar o mar de uma cadeira. Eu admiro pessoas que não param de trabalhar. Lula, por exemplo. Eu vou querer ser presidente do Brasil com 80 anos nada, professora. Por favor, nem para beber água com essa idade eu vou me levantar: vou andar com aquela mochila com água e um canudo para levá-la até a boca.

E tudo em inglês. A professora deu um risinho, acho que entendeu o recado. Mas por mim, não menti. Se fiz campanha também, aí não posso controlar tudo, não é mesmo? 

E para provar que faço lição de casa, os últimos vídeos do meu presidente que vi foram esses:



Como é que não ama esse homem? Rapaz.








Mania estranha de ter fé na vida.

Eu me forço a rir de coisas estúpidas, como quando a roupa é levada pelo vento quando estou fugindo com ela da chuva. Ainda acho que achar graça de tudo pode ajudar meu cerébro a lidar mehor com a vida, em outros momentos e situações de dureza e tristeza.

Eu acho que está dando certo. O que mais me anima com a minha vida é ver como meu corpo reage rápido quando não estou bem, dando logo sinais que sim, ele já entendeu tudo e precisa me forçar a tomar uma decisão, para o nosso próprio bem. Uma gripe sem sentido, mas era só tristeza e incompetência de ser submissa o suficiente para aceitar relações de poder num relacionamento.

O que a gente faz? Estou aprendendo que é ótimo não saber o que fazer. Deixa espaço para que a minha cabeça pense melhor e eu possa respirar um pouco antes de decidir. Um passo, outro passo, paciência. 

domingo, setembro 20, 2026

Coisa de Rico: a vida dos endinheirados brasileiros, Michel Alcoforado.


Devorei o livro em três dias, em meio a uma viagem de trabalho. Preciso mesmo ainda dizer que é bom, que é ótimo? O autor conseguiu traduzir muito bem uma tese em um livro que flui muito fácil, que te faz rir e refletir, mas sem perder de vista os marcadores acadêmicos para considerá-lo uma pesquisa de campo com muito rigor e seriedade. Recomendo demais, demais. Recomendo, mais ainda, lê-lo no meio de uma viagem de avião, sentada naqueles assentos que chamam de conforto, em meio a pessoas que acham que valem mais que outras. 
Eu não consegui disfarçar a gargalhada na maioria das últimas páginas. Ainda que acho que ninguém tenha percebido do que eu estava rindo e o que eu estava lendo, me senti bem vingada. 

Michel Alcoforado

A última casa.


 

Ritmo + Flow (EUA): T2.


 

IA (ou como me tornei otimista diante do apocalipse).

 


terça-feira, setembro 15, 2026

Um casal negro.

Eu nunca pensei sobre isso, mas eu agora acho que um casal negro, mais do que tudo, deve pensar como parceiros sempre. Sabe aquela coisa de "a gente fecha aqui, o mundo não precisa saber que a gente está brigando porque não tem nada aí fora querendo que a gente fique bem"?. Bem isso.

Mas não é fácil. Há muitas entradas por onde o racismo transborda e a gente nem conhece. Pode ser uma amizade, uma música, um silêncio. Pode ser a vida dura, imposta por um modelo que a gente não escolheu. Pode ser. Mas eu acho que pensar como um casal negro é pensar que vamos enfrentar durezas, durezas antes que a gente resolvia sozinho mas que agora a gente quer aprender a enfrentar junto. 

As estratégias, nesse caso, mudam e às vezes pode ter a ver com passar por cima de coisas que acreditamos, como ensinar às pessoas brancas sobre antirracismo e sobre classe. 

Acho que pessoas negras deveriam namorar pensando nisso, em como conseguir criar um lugar de parceria frente ao mundo que não as querem bem. 

sábado, setembro 12, 2026

Ser professora é...

(faltou um poderosa, vi depois da foto, rs)

Ontem fui surpreendida por um presente das(os) estudantes e das professoras do Programa que coordeno na universidade. Era o meu último dia e fizemos uma reunião para acertarmos os detalhes da reta final, em que elas ficarão com outro professor como coordenador, já que eu entro em licença na segunda-feira. 

Irromperam porta adentro no meio da reunião com um buquê de flores vermelhas, um bolo amarelo, presentes e palavras. Não consegui conter as lágrimas: chorei imediatamente ao ver as rosas, uma coisa que mexe comigo de um jeito que não sei explicar direito. Acho que é pelo fato de pensar o quanto a pessoa se dedicou em escolher um presente que guarda seu valor na beleza, algo que muitas vezes parece que não conseguimos desfrutar direito, com essa vida tão corrida e todas as dores que passamos.

Elas me disseram que volta e meia reclamo de quando exonerei do cargo de professora de educação infantil e fui para a universidade, porque lá eu recebia muito amor das crianças. Elas então queriam que eu soubesse que era amada por elas também, que eu era importante, especial, mesmo exigente, detalhista, mas atenta, preocupada. Chorei de soluçar. 

De fato, não esperava. Até imaginei que iriam falar alguma coisa do tipo "como é grande nosso amor por você", mas elas foram além demais do que eu poderia imaginar. Me contaram que todas as bolsistas contribuíram, até mesmo aquelas que já tinham saído do Programa. Fiquei boba e só conseguia chorar mais (e pensar em quem foi que ficou cobrando todo mundo, muita gente já se formou, está fora da cidade, do estado, no mestrado, trabalhando, imagina, rs). 

É muito maravilhoso quando você descobre seu lugar no mundo, encontra sua voz. Eu me sinto assim no lugar onde estou hoje: cada dia tenho mais certeza de que estou no lugar certo, faço uma coisa que me faz bem e que outras pessoas também gostam, não quero parar e sou feliz. Essas estudantes são a prova viva de que as minhas escolhas foram as mais acertadas e essa emoção de ontem vai me acompanhar por muito tempo - talvez os últimos quinze anos que me faltam para deixar essa vida de trabalho. 

Não consigo escrever sem chorar, lembrar sem chorar. Elas todas se parecem comigo em alguma coisa, alguma história, um sorriso, uma piada, uma lágrima. Se eu pudesse, eu só queria todos os dias poder dizer para elas que vai passar, vai ser melhor, elas vão conseguir (porque ainda que não consigam bem do jeitinho que querem, a vida vai mostrar outros caminhos e vai ser incrível, mas tem que acreditar).

Obrigada vocês por me fazerem feliz sendo quem sou. 

domingo, setembro 06, 2026