Migh Danae.
Vida de Míghian Danae, cores e nomes.
Você que me lê, me ajuda a nascer.
terça-feira, setembro 22, 2026
domingo, setembro 20, 2026
Coisa de Rico: a vida dos endinheirados brasileiros, Michel Alcoforado.
terça-feira, setembro 15, 2026
Um casal negro.
Eu nunca pensei sobre isso, mas eu agora acho que um casal negro, mais do que tudo, deve pensar como parceiros sempre. Sabe aquela coisa de "a gente fecha aqui, o mundo não precisa saber que a gente está brigando porque não tem nada aí fora querendo que a gente fique bem"?. Bem isso.
Mas não é fácil. Há muitas entradas por onde o racismo transborda e a gente nem conhece. Pode ser uma amizade, uma música, um silêncio. Pode ser a vida dura, imposta por um modelo que a gente não escolheu. Pode ser. Mas eu acho que pensar como um casal negro é pensar que vamos enfrentar durezas, durezas antes que a gente resolvia sozinho mas que agora a gente quer aprender a enfrentar junto.
As estratégias, nesse caso, mudam e às vezes pode ter a ver com passar por cima de coisas que acreditamos, como ensinar às pessoas brancas sobre antirracismo e sobre classe.
Acho que pessoas negras deveriam namorar pensando nisso, em como conseguir criar um lugar de parceria frente ao mundo que não as querem bem.
sábado, setembro 12, 2026
Ser professora é...
Irromperam porta adentro no meio da reunião com um buquê de flores vermelhas, um bolo amarelo, presentes e palavras. Não consegui conter as lágrimas: chorei imediatamente ao ver as rosas, uma coisa que mexe comigo de um jeito que não sei explicar direito. Acho que é pelo fato de pensar o quanto a pessoa se dedicou em escolher um presente que guarda seu valor na beleza, algo que muitas vezes parece que não conseguimos desfrutar direito, com essa vida tão corrida e todas as dores que passamos.
Elas me disseram que volta e meia reclamo de quando exonerei do cargo de professora de educação infantil e fui para a universidade, porque lá eu recebia muito amor das crianças. Elas então queriam que eu soubesse que era amada por elas também, que eu era importante, especial, mesmo exigente, detalhista, mas atenta, preocupada. Chorei de soluçar.
De fato, não esperava. Até imaginei que iriam falar alguma coisa do tipo "como é grande nosso amor por você", mas elas foram além demais do que eu poderia imaginar. Me contaram que todas as bolsistas contribuíram, até mesmo aquelas que já tinham saído do Programa. Fiquei boba e só conseguia chorar mais (e pensar em quem foi que ficou cobrando todo mundo, muita gente já se formou, está fora da cidade, do estado, no mestrado, trabalhando, imagina, rs).
É muito maravilhoso quando você descobre seu lugar no mundo, encontra sua voz. Eu me sinto assim no lugar onde estou hoje: cada dia tenho mais certeza de que estou no lugar certo, faço uma coisa que me faz bem e que outras pessoas também gostam, não quero parar e sou feliz. Essas estudantes são a prova viva de que as minhas escolhas foram as mais acertadas e essa emoção de ontem vai me acompanhar por muito tempo - talvez os últimos quinze anos que me faltam para deixar essa vida de trabalho.
Não consigo escrever sem chorar, lembrar sem chorar. Elas todas se parecem comigo em alguma coisa, alguma história, um sorriso, uma piada, uma lágrima. Se eu pudesse, eu só queria todos os dias poder dizer para elas que vai passar, vai ser melhor, elas vão conseguir (porque ainda que não consigam bem do jeitinho que querem, a vida vai mostrar outros caminhos e vai ser incrível, mas tem que acreditar).
Obrigada vocês por me fazerem feliz sendo quem sou.
domingo, setembro 06, 2026
segunda-feira, agosto 31, 2026
sábado, agosto 29, 2026
quarta-feira, agosto 19, 2026
segunda-feira, agosto 17, 2026
sexta-feira, agosto 14, 2026
terça-feira, agosto 11, 2026
sábado, agosto 08, 2026
sexta-feira, agosto 07, 2026
Como nasce um miliciano: A rede criminosa que cresceu dentro do Estado e domina o Brasil, Cecília Olliveira.
quinta-feira, agosto 06, 2026
Um traço até você, Olívia Pilar.
terça-feira, agosto 04, 2026
Era uma vez no Contestado, André Caliman.
segunda-feira, agosto 03, 2026
domingo, agosto 02, 2026
sábado, agosto 01, 2026
sexta-feira, julho 31, 2026
De onde eles vêm, Jeferson Tenório.
quarta-feira, julho 29, 2026
Vício de amor, Delacruz feat Luccas Carlos.
Hoje me peguei rindo sozinha lembrando dele
porque qualquer lugar com você é casa
E descobri que lugar com ele não é apenas quando estamos juntos, mas também quando penso nele e sei que estamos juntos, mesmo longe. Quando sinto que ele me ama e ainda quer continuar junto, mesmo longe. Quando rimos por coisas estúpidas em ligações intermináveis (que sempre achei que iria acabar no primeiro semestres), quando ele sabe o que vou dizer (e eu também), quando o escorpião reina lá e cá, quando estamos ali, olhando um para o outro, ou juntos e ele diz
é tão bom estar com você que eu quero tudo
Invade e fim (e nem é música do Djavan)
domingo, julho 26, 2026
Triste Tigre, Neige Sinno.
sábado, julho 25, 2026
Apaixonada, sim.
Estou apaixonada há quase dois anos e feliz também. Como pode isso? Nem me pergunte. A Míghian de dez anos não acreditaria nisso se eu mesma voltasse ao passado e contasse a ela. Sem brincadeira nenhuma.
Apaixonada, ouvindo música de amor, lendo história de amor e chorando, indo a shows românticos com ou sem ele e cantando a plenos pulmões. É isso que é paixão? Para mim, é sim. Contando os dias para ver e os dias em que o deixei ali para fora do carro que me buscou e me levou embora.
Amo muita coisa nele e tem coisa que eu gosto, tem coisa que eu sou admiradora. Gosto do sorriso e porque ele me faz rir com coisas estúpidas, como passa um tempo enorme contando histórias em detalhes do dia do trabalho, do livro que está lendo, do filme que viu, dos que quer ver, da vida dele com ou sem mim, antes ou depois, eu gosto demais.
Adoro quando ele repete promessas que não cumpriu - ainda -, eu incentivo, eu gosto de tudo isso porque tudo isso é ele também. E quando fico chateada e a gente conversa e ele reconhece que pode ser diferente, que pode ser melhor, isso me renova e eu começo de novo a achar que vale a pena.
terça-feira, julho 21, 2026
sábado, julho 18, 2026
segunda-feira, julho 13, 2026
Diário do Homem Comum, Leo Sobral.
domingo, julho 12, 2026
A cabeça do santo, Socorro Acioli.
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Comecei a ler e não sabia que era história de amor. Qual o quê. Encantei-me ainda mais. Obrigada universo por me trazer amor em cada gesto. Eu, que vivo apaixonada desde 2024, fico com o coração aos pulos quando descobre que sim, o amor está vencendo.
Socorro Acioli
Livros.
Acabei de ler cinquenta livros infanto-juvenis e mais alguns romances por conta de um trabalho. Fiquei pensando que ser editora não seria nada mal. Eu poderia fazer isso com prazer: ler um livro para avaliar, opinar, essas coisas que imagino que uma editora faz.
Mas eu nunca tive acesso a essa profissão. Quando eu estudava, apesar de gostar muito de ler, eu nem imaginava como era para um livro chegar até mim, tudo que ele tinha de passar na vida... fico me perguntando quantas mais mil profissões existem e eu nem sei. Quantas delas eu também gostaria muito, como essa?
O que a gente não sabe, não existe, não é mesmo? E a internet não resolve tudo, porque você precisa saber que existe para procurar, pelo menos saber alguma coisa, uma coisiquinha de nada, como eu que aprendi sobre o brutalismo por causa do nome de um filme.
A vida, o mundo, seguem sendo coisas incríveis para mim. Eu preciso voltar a escrever sobre isso, sob pena de pensarem que minha gana de viver e alegria do mundo acabaram. Não. Tudo isso continua aqui, pulsando muito (ainda mais num domingo pela manhã, depois de preparar cartas e encomendas).
Caixa de lápis de cor e hidrocor.
Eu demorei para entender como aquele momento de dividir o lápis de cor e o hidrocor na escola pode se tornar numa das primeiras aulas sobre socialismo, relações humanas e política. Na escola em que eu estudava, a hora de desenhar e pintar eram os momentos em que você precisava negociar, aprender a dividir e esperar, ou seja, tudo que você mais precisa saber quando cresce.
Lembro que a gente começava a pintar, mirava num outro lápis e ia dizendo "quero a cor xis", porque se caso alguém a pegasse enquanto a gente pintava com a primeira cor, já ficava sabendo que estávamos na fila. Tinha também quem deveria apontar o lápis - que invariavelmente aproveitava para conversar com outra pessoa que também estava apontando -, algo que pela ética do uso em comum deveria ser sempre depois que a ponta do lápis quebrava, ele nunca deveria ser devolvido à caixa sem ponta.
Os recipientes que abrigavam os lápis tinham decorações diversas e dependia do humor e do nível de cansaço da professora com o ofício. Elas poderiam estar gastas - anos anteriores - ou novas, poderiam ser em latas ou caixas. Lembro especialmente de uma em algum dos anos que tinham desenhos da gente feitos no ano anterior (sim, a professora pediu nossos desenhos para a nossa antiga professora). Até hoje me pergunto se só eu achei um desenho meu ou mais gente também achou, eu não lembro.
Esses momentos de compartilhamento eram embotados pela ideia de que todo mundo ganharia uma caixa no começo do ano. A ideia de ter uma caixa de lápis de cor e uma de hidrocor só para a gente parecia muito sedutora - assim como tudo que o capitalismo promete - mas o encanto acabava quando a maioria das professoras, para não estimular o individualismo, colocava todos os lápis de cor e hidrocor juntos na mesma caixa, a despeito da cara feia das famílias. Ah, os anos 90 e nossa vontade de construir um projeto de nação democrático! Para onde foi esse desejo?
Quando me tornei professora, segui os passos das minhas professoras e continuei juntando os lápis de cor e hidrocor em recipientes todo começo de ano. Em alguns momentos, a gente usava aqueles pedacinhos de lápis e giz de cera (giz era algo que não era tão comum na minha época nas escolas que estudei), alguns hidrocores que ainda funcionavam dos anos anteriores, esperando dias melhores (famílias que enviavam materiais, compra pela secretaria ou verba da Associação de Pais e Mestres). Comecei a ver ainda mais esse momento como um espaço favorável à socialização das crianças e o estímulo ao compartilhamento, além da arte da negociação que está intrínseca em toda relação social.
Hoje, em casa, ainda tenho um recipiente com lápis, giz e hidrocor, todos juntos, misturados, como aprendi e como acredito que tem que ser. Deve ser por isso que tenho tanto ódio de classe e do discreto charme da burguesia.
quinta-feira, julho 09, 2026
Estado? Felicidade.
Cheguei à academia e uma senhora disse
eu gosto de vir no seu horário, você me anima
Para quem anima pessoas, é animador ouvir isso. Foi aí então que fiquei mais elétrica, cantando, dançando e fazendo piadas sobre futebol e séries de treinos.
Voltei para casa pensando em como estou realmente vivendo uma fase de felicidade na minha vida. Vou e volto da academia às 7h da manhã cantando no carro e alguém me disse
eu vejo você, você sempre passa aqui na frente cantando ao volante
E eu me dei conta que é isso mesmo. A felicidade transborda e não é porque tudo vai bem. Sigo com medo de a extrema direita voltar ao poder, sofro vendo pessoas sem ter onde dormir e me desanimo com a corrupção que impera por estas bandas desde que Pindorama virou Brasil. Ouço podcasts sobre médicos de IA e sofro com a desinformação, essa doença que assola o mundo
Mas eu escolhi acreditar no amor e nas pessoas. É um ato completamente intencional e lúcido de minha parte acordar todos os dias de manhã e escolher que vai dar certo. Percebi que isso é serio quando eu estava achando que o Brasil ainda empataria da Noruega mesmo depois do pênalti marcado com três minutos de jogo a mais do que o previsto no fim do segundo tempo. Eu segui olhando para a TV' esperando algum milagre. Se isso não é acreditar, nada mais é.
Nessa viagem louca de esperar sempre o melhor, coisas incríveis acontecem todos os dias. Eu vibro com cada uma dessas coisas, as mais estúpidas, como ganhar mais gigas na troca no conserto caro de uma placa de um laptop que caiu no chão. O que eu posso fazer? Reclamar e não consertar ou me divertir com cada coisa que acontece?
Eu sou grata. Sempre digo às estudantes: se você não está presa, tem onde dormir e o que comer, está tudo bem. Você precisa encontrar quais são seus maiores medos e esses três são os meus. Mas eu tenho certeza que alguém que está preso hoje pode me dizer que ainda há vida mesmo dentro da prisão (como também posso encontrar alguém que reclama da vida que tem fora da prisão).
Lendo isso aqui antes de postar, parece piegas, meio Poliana preta idosa (e olha que nunca li o livro). Talvez seja mesmo. Talvez eu seja essa pessoa piegas e que para muita gente vive num mundo paralelo. Na verdade, talvez para mim mesma também. Talvez a única coisa que eu poderia acrescentar nisso tudo é que sim, eu quero ser assim e sim, eu realmente acho que está dando certo para mim.
Alguém me disse que eu não pareço inautêntica e isso me basta.




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