Cheguei à academia e uma senhora disse
eu gosto de vir no seu horário, você me anima
Para quem anima pessoas, é animador ouvir isso. Foi aí então que fiquei mais elétrica, cantando, dançando e fazendo piadas sobre futebol e séries de treinos.
Voltei para casa pensando em como estou realmente vivendo uma fase de felicidade na minha vida. Vou e volto da academia às 7h da manhã cantando no carro e alguém me disse
eu vejo você, você sempre passa aqui na frente cantando ao volante
E eu me dei conta que é isso mesmo. A felicidade transborda e não é porque tudo vai bem. Sigo com medo de a extrema direita voltar ao poder, sofro vendo pessoas sem ter onde dormir e me desanimo com a corrupção que impera por estas bandas desde que Pindorama virou Brasil. Ouço podcasts sobre médicos de IA e sofro com a desinformação, essa doença que assola o mundo
Mas eu escolhi acreditar no amor e nas pessoas. É um ato completamente intencional e lúcido de minha parte acordar todos os dias de manhã e escolher que vai dar certo. Percebi que isso é serio quando eu estava achando que o Brasil ainda empataria da Noruega mesmo depois do pênalti marcado com três minutos de jogo a mais do que o previsto no fim do segundo tempo. Eu segui olhando para a TV' esperando algum milagre. Se isso não é acreditar, nada mais é.
Nessa viagem louca de esperar sempre o melhor, coisas incríveis acontecem todos os dias. Eu vibro com cada uma dessas coisas, as mais estúpidas, como ganhar mais gigas na troca no conserto caro de uma placa de um laptop que caiu no chão. O que eu posso fazer? Reclamar e não consertar ou me divertir com cada coisa que acontece?
Eu sou grata. Sempre digo às estudantes: se você não está presa, tem onde dormir e o que comer, está tudo bem. Você precisa encontrar quais são seus maiores medos e esses três são os meus. Mas eu tenho certeza que alguém que está preso hoje pode me dizer que ainda há vida mesmo dentro da prisão (como também posso encontrar alguém que reclama da vida que tem fora da prisão).
Lendo isso aqui antes de postar, parece piegas, meio Poliana preta idosa (e olha que nunca li o livro). Talvez seja mesmo. Talvez eu seja essa pessoa piegas e que para muita gente vive num mundo paralelo. Na verdade, talvez para mim mesma também. Talvez a única coisa que eu poderia acrescentar nisso tudo é que sim, eu quero ser assim e sim, eu realmente acho que está dando certo para mim.
Alguém me disse que eu não pareço inautêntica e isso me basta.