Ontem fui surpreendida por um presente das(os) estudantes e das professoras do Programa que coordeno na universidade. Era o meu último dia e fizemos uma reunião para acertarmos os detalhes da reta final, em que elas ficarão com outro professor como coordenador, já que eu entro em licença na segunda-feira.
Irromperam porta adentro no meio da reunião com um buquê de flores vermelhas, um bolo amarelo, presentes e palavras. Não consegui conter as lágrimas: chorei imediatamente ao ver as rosas, uma coisa que mexe comigo de um jeito que não sei explicar direito. Acho que é pelo fato de pensar o quanto a pessoa se dedicou em escolher um presente que guarda seu valor na beleza, algo que muitas vezes parece que não conseguimos desfrutar direito, com essa vida tão corrida e todas as dores que passamos.
Elas me disseram que volta e meia reclamo de quando exonerei do cargo de professora de educação infantil e fui para a universidade, porque lá eu recebia muito amor das crianças. Elas então queriam que eu soubesse que era amada por elas também, que eu era importante, especial, mesmo exigente, detalhista, mas atenta, preocupada. Chorei de soluçar.
De fato, não esperava. Até imaginei que iriam falar alguma coisa do tipo "como é grande nosso amor por você", mas elas foram além demais do que eu poderia imaginar. Me contaram que todas as bolsistas contribuíram, até mesmo aquelas que já tinham saído do Programa. Fiquei boba e só conseguia chorar mais (e pensar em quem foi que ficou cobrando todo mundo, muita gente já se formou, está fora da cidade, do estado, no mestrado, trabalhando, imagina, rs).
É muito maravilhoso quando você descobre seu lugar no mundo, encontra sua voz. Eu me sinto assim no lugar onde estou hoje: cada dia tenho mais certeza de que estou no lugar certo, faço uma coisa que me faz bem e que outras pessoas também gostam, não quero parar e sou feliz. Essas estudantes são a prova viva de que as minhas escolhas foram as mais acertadas e essa emoção de ontem vai me acompanhar por muito tempo - talvez os últimos quinze anos que me faltam para deixar essa vida de trabalho.
Não consigo escrever sem chorar, lembrar sem chorar. Elas todas se parecem comigo em alguma coisa, alguma história, um sorriso, uma piada, uma lágrima. Se eu pudesse, eu só queria todos os dias poder dizer para elas que vai passar, vai ser melhor, elas vão conseguir (porque ainda que não consigam bem do jeitinho que querem, a vida vai mostrar outros caminhos e vai ser incrível, mas tem que acreditar).
Obrigada vocês por me fazerem feliz sendo quem sou.


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