Comprei um robô aspirador. Achei que minha vida estivesse resolvida e que eu diminuiria meu trabalho doméstico. Qual o quê, nada. Em dias de usar o bicho, tenho de colocar tudo de pernas para o ar e limpá-lo muito bem, o que me faz ter que planejar o dia de varrer a casa. Ele precisa estar limpo e o chão, livre de obstáculos. Ainda assim, ponho o danado para trabalhar e, no meio da casa, ele encontra algo para se enroscar. Não me pergunte o que, mas sempre sobra algo. Por vezes, ele consegue se enfiar onde não deve e toca eu parar o que estou fazendo para ir lá acudi-lo.
Em outros momentos, a bateria acaba e ele está no meio da tal varredura. Me diz que vai voltar para a base para carregar mas nem sempre volta para onde estava e começa tudo de novo, ou seja: a parte que está limpa novamente vai ser limpa e a que está suja... bom, temos de confiar que dessa vez ele está carregado o suficiente e vai conseguir dar conta da casa inteira.
Porque eu disse isso tudo? Porque esse robô me iludiu. Quando o comprei, achei que faria esforço zero e o que faço hoje é esforço cinquanta por cento, comparado ao que fazia antes. Não sei se gosto. Acho que sigo preferindo varrer e passar pano ouvindo um podcast por cerca de trinta minutos do que passar quatro horas (sim, se for contar todo o tempo que gasto fazendo isso tudo que falei, dá isso ou mais) ouvindo aquele barulho turbo nos meus ouvidos. E eu nem acho que varre bem como eu pensava. Sim, moro no mato e a sujeira do chão onde vivo é diferente do chão de um apartamento no vigésimo sétimo andar.
Talvez seja, mas eu disse isso tudo mesmo que eu vejo minha relação com esse robô bem parecida com a relação que tenho com a tal inteligência programada (ou não sei qual o melhor nome). Não uso para escrever nem para ler, mas quando escuto o que deve ser feito para ser usada com integridade, eu acho que ela é só mais um robô me iludindo. Só mais um, dos milhares que existem por aí.
Entre escrever, colocar parágrafo por parágrafo num programa para ver se tem erros de gramática, revisar, reescrever, eu prefiro assim: rápido e rasteiro, sem respirar, direto na caixa do blog e voltando para consertar qualquer espaçamento a mais depois.
Pode ser que eu mude de ideia? Sim, óbvio. Adoro ser desafiada Mas não será hoje (nem amanhã, creio eu).
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