Você que me lê, me ajuda a nascer.

sexta-feira, dezembro 18, 2020

Sob a pele: relatos sobre os efeitos do racismo na saúde mental, Lucas Ludgero.


Comprei um Kindle. Esperei quase 4 meses e ele abaixou 100 reais, comprei. Eu não sabia se queria, mas não quero mais ficar comprando livro e livro e livro atrás do outro, principalmente porque comprei uns que eu nem gostei e nem quero dar. Aí, comprei. Passeando no e-reader achei coisas que não leria se não fosse ele, pela assinatura de leitura que você ganha quando compra. Aí gostei, vi vantagem. Achei coisas que me deram vontade de ler e ler sem parar, como esse livro curto mas muito bem escrito, simples sem simplificar. 
Recomendo demais. O nome já diz, né? Não vou escrever mais nada, então.

O Kindle não vai substituir o livro. Não tem como. É só mais um suporte. Eu demoro para aceitar, mas vamos nessa e não dá mais para acumular coisas. Estou na idade de querer dar a maior parte das coisas que eu tenho. Gosto de casa vazia, deitar no chão com muito espaço vazio ao meu redor.

Conheço dois amigos que começaram a morar sozinhos há 2-3 anos e eu amava a casa deles quando não tinha quase móvel nenhum... lindas, puras. Só com o necessário. Amo, quero viver isso na minha casa. 

Agora eu saio de casa com um Kindle e dois livros (mentira, da última vez foram três, mas um estava para acabar). Logo, logo vai chegar o dia que será um livro e um Kindle, com todos os livros dentro
 

quinta-feira, dezembro 17, 2020

quarta-feira, dezembro 16, 2020

domingo, dezembro 13, 2020

Solidão (que nada).

Há uns dias por aí que eu me sinto terrivelmente só. Eu não sei o que é. Acontece. Penso em coisas que já me aconteceram, umas bem chatas, saudades, pessoas e até penso também numas boas coisas que me acontecem agora e sofro, porque penso, 40 anos e eu nunca vivi isso, como pode, será por isso que fico assim boba para as coisas da vida? 

Vivo perguntando às pessoas o que elas fazem quando se sentem só. Elas dizem coisas diferentes, mas às vezes eu acho que quero ficar só para aprender o que quero, o que sei, o que não entendo de mim. Essa solidão não é para fazer mal, nem para o bem. É para saber de mim, e só consigo muitas vezes, sozinha, me afastando de tudo e de quem eu sou para outras pessoas.

Não sei se consigo sempre aprender muito, mas eu tento.



Péssimo.

O péssimo pessimista é aquele que desacredita, mas não desiste de viver e sonhar. Algum dia, pode dar certo, ele pensa, e espera que alguém o convença. Sorte a dele não encontrar alguém cansada, triste pelo caminho.

Tô ryca.


 

sexta-feira, dezembro 11, 2020

Nunca.

Eu disse, eu disse que não tenho medo de amar de novo, porque é ele. Porque ele me faz um bem danado e eu nunca nunca nunca me sentiria menor ou infeliz por uma dia o ter amado, porque ele é tão incrível e tudo que me dá e faz sentir é tão maravilhoso que eu nunca nunca nunca poderia ficar triste por ter amado alguém como ele, que me ajudou a melhorar quem eu era e a curar dores que ele nem sabia que existia.

Depois disso, só um abraço, né? E enxugar as lágrimas também. De amor.

Sankofa.


 

Afronta!


 

How to get away with murder.


 

quarta-feira, dezembro 09, 2020

Cartas.

Encontrei muitas cartas antigas de pessoas que disseram me amar. Reli muitas delas. Elas datam de mais de uma década, homens e mulheres, paixões, amigas. Amigos. Tudo aqui, dentro de mim.

Não li todas, algumas só vi a data, lembrei do envelope, sorri. Lembrei até de algumas que deliberadamente joguei fora, porque não queria mais ler. Esquecer, não consigo.

Fui feliz antes, sou feliz então. Eu conheço o amor. Podem me dizer que foram só palavras, mas elas me sustentaram. Eu recomendo a todas as pessoas que amam, escrevam e guardem o que sentem no meio das palavras, dentro de um papel.


segunda-feira, dezembro 07, 2020

Descoberta.

Alguém precisa avisar às pessoas que paixão só é passageira quando não é correspondida. Se a paixão encontrar um lugar para ficar, ela nunca vai embora. 

Paixão, prima-irmã (gêmea) do amor.

Pequenino.

Às vezes sinto meu coração pequeno. Tenho medo de ter medo e acordo assustada, sem ter certeza se ainda estou fazendo a coisa certa. Faço, mas já não sei. Tenho medo de não fazer e não sei o que faço. Enquanto isso, o mundo continua girando; ele não para para apontar um caminho.

E eu? Vou vivendo, atropelando sentidos também. 

Um sinal, uma lágrima e aí eu descobri que um passo, outro passo, paciência (e, entre um passo e outro e paciência, respira e calma).

M-8: quando a morte socorre a vida.


 

sexta-feira, dezembro 04, 2020

Poeminha.

Se você vem às 18h
Um dia antes já sinto os efeitos
Desejo, sorrisos, esperanças

Quando você chega
Já fui ao céu de esperas simples e já voltei
Encontro-me à porta, portão aberto
Faceira, feliz, fagueira, fogosa
F I N A L M E N T E

Ai mi madre!


 

Nimic.


 

10 to 11.


 

terça-feira, dezembro 01, 2020

Lagartixa.

Todos os dias, pontualmente, quase às 18h, ela aparece. Minha amiga, lagartixa, me avisa.
É hora de parar de trabalhar
Assim eu entendo quando ela aparece, olhando para os lados, apressada.
Quem tem uma amiga lagartixa, tem muito.

The Ugly Truth.


 

Filha e mãe, mãe e filha.


Fiquei aqui pensando uma coisa faz tempo mas nem escrevi, pense.

Vi uma cena, uma mãe com uma filha pequena num ônibus há algum tempo atrás. Fiquei pensando nessa ideia de que as crianças precisam das mães, os bebês precisam dos pais e coisa e tal. Essa ideia é muito corrente e a gente se vê repetindo isso o tempo todo. Mas, porque a gente não pensa que a mãe e o pai também precisam do bebê? Caso contrário, porque é que muitas pessoas querem bebês (ou acham que querem, né, sei lá)? Será que seria simplesmente para ter alguém precisando delas ou é porque elas também precisam de bebês?

Tudo isso só se pode entender se você acredita que é possível criar uma relação mais horizontal entre pais e mães e bebês. Se não pensa que isso é possível (e necessário), para vivermos melhor em sociedade, não dá para entender nada desse texto.

Lembrei dessa imagem porque uma amiga me disse que não gosta da maternidade, no sentido lato da palavra. No sentido-poesia, todo mundo até que ama. Fiquei pensando que talvez ela ache que não goste porque maternidade tem a ver com essa coisa hierárquica, de mando, de autoridade sem questionamento, de verdade, de última palavra, de decisão, de sim e não. Não sei direito, tem muitos motivos para não gostar, eu acho. O mundo diz que a mãe deve ser mais responsável, e ela por conseguinte se sente mentalmente sobrecarregada, dar conta da criança é tarefa dela, por mais que algumas pessoas lhes digam o contrário, o mundo - e ela também - espera que ela seja a mãe modelo, aquela que ama fazer tudo que tem a ver com ser mãe, tudo, sono interrompido (tudo interrompido, né, o tempo não é mais o seu, não), bicos dos seios sangrando, corpo estranho, horas que não voltam, choro que não para, AAAAAAAAAAAAAAAA.

Uma relação que não é de amizade e nem de controle, como é que pode? Será que pode? E como? Como eu vou ser mãe, não vou controlar tudo e ficar bem? Isso é ser amiga, não? Não. Ser mãe é encontrar esse equilíbrio todo aí. Olha quem fala, alguém que até hoje só foi filha. Sendo filha, você aprende ofício de filha e vira observadora de ofício de mãe. Certeza. 

O que eu sei é que pode se dizer muita coisa, mas quase todo mundo concorda que maternidade é cuidado. Algo que bebês e pessoas adultas podem ter umas com as outras, mas a gente pensa que só pode cuidar quem decide, quem é adulto. Bebê não cuida quando aceita mamar e quando chora pedindo atenção? Porque não?

Quando tenho bebês em casa, agradeço porque posso parar para brincar sem medo de pensar depois que perdi tempo. Esse cuidado que eles/as tem comigo, eles/es nem sabem. Esse cuidado existe só pelo fato de eles/as existirem. E nesse cuidado deles/as, vou aprendendo que tenho de parar e não fazer nada sim, que é gostoso e me faz bem. E fico na cama até mais tarde, ouço uma música por ouvir, (tento) fazer nadas. Nadas. 

Se a gente pensa que cuidado vem também dos bebês para nós, pessoas adultas, a relação vertical que é a mais comum de vermos vai desabando e vamos nos aproximando de um lugar em que bebês e pessoas adultas podem se encontrar com menos pressão, com a leveza que um cuidado pede para existir bem para todo mundo. Quem saiba a gente até possa ver que sentir raiva, dizer que tem raiva, ficar zangada, sair andando também podem fazer parte do cuidado que se tem, sem idealização de nada. 

Nesse caminho, acabo por ter de reconhecer que dar carinho e cuidado também é algo que eu preciso para viver. Sem isso, acho que minha vida ia ser bem feia e chata. Não quero aqui romantizar cuidado. Sei que muitas mulheres estão sozinhas nessa e cuidar sem ninguém para ajudar cansa, chateia, machuca, dói, faz sofrer. Um coisa que pode ajudar é aprender a ver cuidado num abraço da criança, no pedido de atenção, no eu te amo que vem sem pedir também. Na real, acho que as mães que aguentam, só aguentam porque veem assim. O que seria legal é se elas não precisassem se vestir de super mãe toda vez que qualquer pessoa aparecesse por perto ou até mesmo aquela coisa que fica dentro da cabeça dela começasse a falar. 

Será que dá para aprender tudo isso?

Só dá se a nossa vida não estiver tão embotada de tristeza e a nossa vontade de experimentar uma relação de menos controle for maior do que o medo de perder as rédeas. Então, dá.

Dá?

Cidadã de Segunda Classe, Buchi Emecheta.


Alguém vai dizer que Buchi não escreve bem, gente? Oxe. Nem tem como. Prosa fluida e precisa, tudo do jeito mais certo do mundo. Quem não gosta de ler, tem de ler Buchi, para começar a se apaixonar. É uma história que pode envolver mulheres mais velhas, que faz tempo não leem e que querem começar de novo. Vou comprar umas dessas trilogias e espalhar por aí, pelo mundo. 

Esse é o segundo livro dela que leio, estou já com os outros dois em mãos para continuar... lindo demais, acho até que deveria vir é todo junto esses três livros que tem esse fio condutor e revelador da vida de uma mulher negra com três filhos e sozinha. Fico dizendo às pessoas, não tem como ter um livro fantástico com menos de 300 páginas, que é o mínimo para desenvolver uma história. Sou uma chata, mas às vezes é isso mesmo. Com poucas páginas, você fica naquela coisa de quero mais, de que faltou falar mais, descrever mais, adoro descrições, de tudo, pessoas, coisas, lugares e objetos, sons. Tem livro fantástico com menos páginas, é brincadeira. É que quando ele é curto, fico órfã mais rápido, sem saber o que fazer. Deve ser por isso que sempre leio alguns livros ao mesmo tempo, para nunca me sentir só. Acaba um e eu já estou mergulhada em outro. Agora?

Estou lendo No fundo do poço, de Buchi e o Baghavad Guita. Lendo também, de leve, Movimento Negro Educador, de Nilma Gomes e Infância, de Górki.  

Ainda assim, tendo amado esse livro, gostei mais do primeiro. E porque? Ah, gosto de Alegrias porque conta de um tempo ainda na Nigéria, me interesso muito por conhecer coisas e detalhes de uma vida que não é a minha mas que também já foi minha e que não sei nada, me sinto familiar-estranha no meio daquilo tudo. Nesse livro aqui, começa a imigração para a Inglaterra, que leio e me interesso, mas não na mesma intensidade.

Sabe de uma coisa? Buchi faz a gente acreditar que qualquer pessoa pode escrever, assim como Toni. É por isso que amo as duas demais, demais.  

                                                                                                       Buchi Emecheta
                                                               

(engraçado, antes de ver a foto de Buchi, eu a imaginei, magrinha como Igiaba, pequenina como Noviolet... vai saber porque. Mesmo agora, que a vejo assim, fico com essa coisa na cabeça. É a minha Buchi, a Buchi que emerge para mim do texto)

sábado, novembro 28, 2020

Manhã perfeita.

Yoga, molhar plantas, ouvir Liniker (Intimidade, umas duzentas vezes), fazer café, sentir cheiro de café, ler Buchi, tomar banho, varrer a casa, receber uma ligação dele de bom dia.

E pronto, o dia já pode acabar.

quinta-feira, novembro 26, 2020

Breve miragem de sol.


 Lindo, lindo, lindo.

Fácil.

Ella Mai canta

love is easy, easy, so... don't make it hard

Pois então tá bem. Tão simples que até sem ler inglês se sabe, aha.


All we got is here and now
Why won't you let your guard down? 
I'm just tryna show you how 
Love is easy 
So don't you make it hard

Mas que nada.

No meio de uma reflexão intensa sobre a vida, o amor e a morte, eu quase-triste perscruto o silêncio e ele

Olha a uva sem caroço, mãe

Lembrei do almoço a fazer e já não há tempo para tristezas. O mundo concreto com suas fomes e afazeres me consome. É disso que gosto.

Sou feliz, então. 

Roy Decarava.







                                  Roy Decarava
 

Forty Year-Old Version.


 

Amei, amei.

quarta-feira, novembro 25, 2020

Ouvindo Adah.

Aí ela me disse

Só que, apesar da rigidez de sua conversa consigo mesma, Adah ainda queria ser amada, queria sentir-se casada de verdade, queria ser cuidada (Cidadã de Segunda Classe, Buchi Emechetta, p. 84)

Eu vi assim que tudo bem.

Pérolas, aos poucos.

Caminhar é deixar espaço para o outro passar, me contou Geovana. Eu não estou louca, não. Me deixa.



Inteira.

Para que eu seja eu, tenho de ser inteira. Seja inteiro e inteira você comigo também.
Como é isso? Eu cá não sei de você, mas sei de mim. Ser inteiro é estar presente, atento e forte. Lembra Fernando Pessoa, dizendo

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Por aí, por aí.

terça-feira, novembro 24, 2020

É, não dá pra ser linda sozinha.

Nem eu.

Há dias do mês que nem eu me aguento. Quero ficar no mais dentro de mim, não quero estar em mais lugar nenhum. Porque sei que posso ser amarga ou dura, posso ser boba ou posso chorar por nada, e aí eu me escondo em mim.

Não sei se todo mundo tem isso, não é triste nem dói, só parece que só eu me entendo e ninguém mais. 

Ninguém mais.

Eu sei bem o que eu queria nessas horas, mas acho que ninguém sabe, por isso não espero e fico só comigo. Depois que passa, parece passado. E é bobo, e eu rio. Muita gente até tenta descobrir, mas é difícil quando é algo que não se diz (porque também não se sabe). 

Nem eu.

segunda-feira, novembro 23, 2020

Meu coração é alimento.

Quando fazemos amor
Meu coração de ouro pendurado, fora de mim, balança
E às vezes, muitas vezes, só às vezes, 
Encosta em sua boca macia
E por ela é engolido
Eu vejo tudo isso num segundo muito rápido quando abro os olhos para espreitar o prazer
Meu coração é alimento
E sacia

Meu coração mastigado, finalmente, encontrou um lugar para nutrir-se de amor e paz.


domingo, novembro 22, 2020

Vai com calma.

Não precisa pressa, nem nada.

Vai com calma

V a i  c o m  c a l m a

Devagar e sempre, lembra?

Sem aperto no peito, sem medo, sem.


De coração aberto, mesmo sem rumo certo.

Eu vou, porque sim.


sexta-feira, novembro 20, 2020

quinta-feira, novembro 19, 2020

Água de Barrela, Eliane Cruz.



Há algum tempo quero ler este livro, só agora é que consegui terminar. Em certo sentido, lembrou-me a narrativa de "Um defeito de cor", mas acredito que aqui a história me soa mais autêntica, uma vez que a autora traz reminiscências de uma história familiar - entremeada com a história do Brasil, algo que eu gostaria de ver mais diluído, assim como no outro livro citado - para dar conta de escrever sobre sentimentos tão nossos relacionados à escravização e a forma como fizemos para continuar vivas num país que até hoje não se decidiu se dele fazemos parte ou não.

Não tenho muito o que dizer, talvez porque agora não seja o tempo em que eu esteja interessada em ler sobre os temas relacionados no livro. Não quero dizer com isso que ele não deve ser lido. Aqui não me ocupo de uma resenha organizada nem nada, é muito fácil achar essas coisas aí pela Internet, com pessoas muito mais tarimbadas do que eu. Aqui ocupo-me de sentimentos, sensações, falo como leitora, como alguém que se encanta com a palavra mais do que com roupa nova.

E o que eu quero ler, então? Estou assim inclinada para livros como "Um casamento americano", que falei aqui. Coisas como As Alegrias da Maternidade ou... vou ler o novo de Obioma. Me falaram muito bem de Torto Arado, de Itamar Vieira. Estão todos na lista, como sempre. 

Tenho ao lado da minha estação de trabalho, todos os livros de literatura que preciso e quero ler. Vou ler, vou contar aqui.

Eu sempre digo leiam tudo, porque eu li tudo que me chegou às mãos quando eu não podia escolher e isso me formou leitora. Escolham, leiam, não gostem, mudem de ideia. Mas nunca deixem de acreditar nas palavras.


                                                                                                                Eliane Cruz

quarta-feira, novembro 18, 2020

Facebook: Cracking the code.


 

Sim.

E quando fazemos amor e promessas
Esquecemos das dores que nos afastam da felicidade
E inventamos um mundo novo, cheio de belezas e sorrisos doces

Acreditamos só no que nos faz bem 
E sentimos prazer pelo abraço suado 
O olhar cúmplice, a gargalhada certa


Do amor que sai pelos poros quando você vive o instante.

terça-feira, novembro 17, 2020

segunda-feira, novembro 16, 2020

Declaração.

Ele disse 

Acho que temos objetivos semelhantes

Ele não sabe, mas, essa foi uma das coisas mais amorosas que já ouvi minha vida inteira (quase igual à "quer água?", que ele quase sempre pergunta também).

Nunca desconfie de quem te oferece água. Essa pessoa realmente presta atenção em você. 

Será?

Será que dá para viver junto pelo sentimento? Pela saudade que invade, pela vontade de ficar perto? Quanto tempo dura uma vontade de encontrar, ficar perto, conversar, dar risada, sem nenhuma obrigação?

Será que a gente consegue? Sem pressão, sem forçar a barra, sem controle, sem querer agradar o mundo. Só pela vontade de passar um tempo junto, fazendo nada ou fazendo o que se quer. 

Será que dá? 

Eu quero assim. Falei para ele

eu quero casar com alguém se um dia eu acordar e sentir que já não quero ficar longe dela muito tempo

Será que existe isso? Eu vejo que sim, eu sinto que sim.

Especialmente agora, eu sinto que sim. 

Das coisas que apaixonam.

Perguntar se dormiu bem;
Beijar e abraçar o tempo todo;
Beijar minhas costas quando me abraça;
Dormir conversando, acordar conversando;
Rir das coisas mais bestas;
Elogiar roupa, batom, sapato e cabelo;
Ler blogs;
Perguntar "quer água?";
Pôr a música que você gosta para tocar (mesmo que ele não goste tanto);

Das coisas que apaixonam, ele conhece todas. E eu nem preciso dizer que amo pessoas inteligentes.


domingo, novembro 15, 2020

O começo da vida II: Lá fora.




 

Amor.


 

Mar de amor.








Alguém ainda tem dúvida que eu amo o mar?
Amo o mar
Amo o amor
Adoro palavras com mar dentro, palavras e nomes. 
Mar
AmorAmar

Eu não quero mais.

Ás vezes eu só queria que a música 

Eu não quero mais conversa
Com quem não tem amor
Gente certa é gente aberta
Se o amor chamar, eu vou

... fosse lei na minha vida. Mas nem sempre é possível, porque tem coisa que só vem quando outra pessoa também diz sim. Outra pessoa ou outras, não precisa ser a dois, mas tem de ser mais de um. Amor é coisa de juntar, é afeto da partilha, sonho que se sonha junto, é realidade. 

Pedido.

Respirei (suspirei) fundo, enquanto assoprava a vela dos 40 anos. Pensei bem sentido

que aconteça o melhor

Eu nunca sei o que será melhor, não completamente. Eu deixo um espaço para o acaso, para o imprevisto. Eu sofro, eu choro, eu sorrio, eu acho que ainda dá tempo de ser feliz.

O menino negro, de Camara Laye.


O prefácio do livro nos conta a história da recepção do livro à época em que ele foi escrito e publicado. Percebe-se que, ainda hoje, é difícil encontrar livros escritos por pessoas negras que não possam ser uma descrição de uma vida simples e doce, tranquila, leve. 

Que coisa, não?

Camara escreve sobre sua infância em Kouroussa, ainda Guiné Francesa, possessão que depois voltou a ser Senegal, como antes de 1882, ano em que deixou de ser Riviérs du Sud. Confusão, né? Colonização e imperialismo é isso aí, não é para entender, é sobre dominação. 

A infância em casa, um lugar onde "o maravilhoso era familiar" (p. 18) traz até nós a relação de Camara menino com cobras, terra, mãe, chuva, campo, irmãos e pais. 

[...] esse mutismo das coisas, das razões profundas das coisas, leva ao silêncio; mas basta essas coisas terem sido evocadas, e sua impenetrabilidade reconhecido, para que delas fique um reflexo nos olhos: o olhar do meu tio Lansana era singularmente penetrante quando pousada em alguma coisa; na verdade, era raro que pousasse em alguma coisa, permanecia fixo nesse sonho interior perseguido indefinidamente nos campos (p. 43) 

O livro me lembrou também uma conversa que tive com um amigo guineense sobre "mutilação masculina". Ele olhou-me com espanto, porque nunca tinha pensado que sua circuncisão poderia ser vista assim. Eu apenas estava utilizando o mesmo nome que dão ao que acontece com as meninas e que aqui chamamos mutilação feminina. Engana-se que os prejuízos são apenas de um lado. Esse assunto é para outro dia, não é? Não, porque eu não vou escrever sobre isso. 

O livro é lindo, eu leria de novo, para uma criança, todo dia um pouquinho. Lembro do livro de Baba, que escrevi aqui e o de Thiong'o. Acho que gostei ainda mais desse. Recomendo demais. Uma vida fantástica e maravilhosa deveria ser coisa ordinária na vida das crianças todas do mundo.

Falei.


                                                                                                                       Camara Laye 

 

sexta-feira, novembro 13, 2020

segunda-feira, novembro 09, 2020

Meia noite, quase uma da manhã.

Preciso acalmar meu coração. Preciso aceitar que a beleza, a alegria e a doçura não são exclusividades minhas. Elas estão por aí e as pessoas as conhecem com outras pessoas, em outras histórias e viagens.

Acalma, coração. Vive o que há para viver, sorri, acredita, não espera. Só vive. Nem sempre quem te ajudou a chorar é a pessoa que vai segurar sua mão quando você acordar no meio da noite, com medo da solidão.

quinta-feira, novembro 05, 2020

Alfazema.


 

Corpo Elétrico.


 

Férias.

Estou aqui, bem acordada, esperando ela chegar. 

Será que ela entra pela porta da frente ou de mansinho sorrateira espreita a janela do quarto?

Estou de olhos, ouvidos, de sentidos bem abertos. Pode vir.

Vem, férias. 

segunda-feira, novembro 02, 2020

Tudo sinto.

Sabe uma coisa te dizendo que não vai dar? E sabe quando você não quer ouvir e só vai? Vai. Tropeçando, caindo por cima de você e indo, indo.

Algumas palavras ficam ecoando no meu ouvido e não querem ir embora; curiosamente, são as palavras que doem que ficam, fazem morada, são os silêncios, as respostas que nunca vem. São as coisas que acompanham a sombra do que não vai dar.

Agora eu sei mais do que antes sobre mim, acho que isso vai me ajudar a ir e, no fim, chegar num lugar seguro, em paz, dentro de mim.


Saudade.

Eu gosto tanto dessas fotos, não sei porque nunca pus aqui. Saudade de minha amiga Sandra, tirou as fotos e me faz tão feliz.





domingo, novembro 01, 2020

40 anos.

Quase quarenta e ontem, quando novembro começou, me peguei pensando em tanta coisa da vida, o sono não veio. Ele veio, mas eu espantei, com todos os pensamentos de medo, coragem, alegria, tristeza, todos juntos dançando em minha frente, fazendo graça.

Achei engraçado ainda sentir tudo isso, achei mais graça ainda acreditar em sentir, procurar por sentir. Amar querer sentir. Tudo verbo de uma vida de verdade.

Onde nascem os fortes, Ep 1-4.


 

Black Lives Matter.


 

10 jours en or.




 

Ruth e Alex.


 

sábado, outubro 31, 2020

sexta-feira, outubro 30, 2020

Ilha.



Todo o dia espero
Que a ilha que me olha
Em frente à minha janela
Se una ao continente e me encontre livre
Num dia sem home office




Eu, ganhadora do Concurso de Poesia da UNILAB. Eu.

terça-feira, outubro 27, 2020

segunda-feira, outubro 26, 2020

Musical.

Foi quando ele ouviu

aaaaaaaaa 

de Liniker na música Intimidade tocando baixinho às 7h da manhã e, aos poucos foi largando a mamadeira e dançando em frente ao espelho que eu tive a certeza que sim, ele me entende.

Uma cena indescritível, emocionante, chorei todos os choros engasgados que não tinha ainda conseguido chorar por muito tempo.






Nó.

Quando eu soube que o irmão de uma moça que conheço morreu, parece que tudo voltou aqui. E fica esse nó no corpo inteiro, porque ela também não o viu mais, desde quando veio estudar no Brasil, como eu em São Paulo, longe de casa.

Foi nó em tudo que era parte do corpo. Acordei moída pelas amarras que tentam me parar e que todos os dias, desamarro, lentamente, para chegar para a vida, sem nó, inteira, sem medo.

sábado, outubro 24, 2020

Quem tem carinho, me leva, Geovana.

 



Gente, como é que eu vivi e não conhecia Geovana. Não foi vida, então.

sexta-feira, outubro 23, 2020

Elogio, elegia.

Acho que você foi a professora que eu mais vi sorrindo na vida

Eu sou toda emoção. Não tem como não amar ser professora, a melhor coisa que eu poderia ser na vida. 

E o outro?

"Bons professores são inestimáveis. eles inspiram e entretêm, e você acaba aprendendo muita coisa sem mesmo se dar conta disso", Nicholas Sparks. Quando eu leio esta frase, sinto que não está associado à ti, porquê tu não és uma boa professora. Tu és uma professora especial (inestimável). Quando temos a oportunidade de estudar com excelentes professoras, nós aprendemos e ensinamos todos os dias.

Hoje, no supermercado, quando contei ao repositor de frutas que no comunismo o mercado poderia ser expropriado pelo proletariado e ser uma empresa coordenada pelas pessoas que nele trabalham, eu lembrei disso.

Ele falou

Você é professora, né?

Eu disse, não, sou aprendiz


quinta-feira, outubro 22, 2020

Ler você.

Mas o que você gosta de ler?

Você

Fiquei lisonjeada, me ler, ler o que eu escrevo, que legal, tem gente que não liga. Eu escrevo porque gosto e nunca sei como as pessoas vão receber o que eu leio, o que e como vai aparecer para elas a minha emoção, meu sentimento. Não sei, nunca sei, mas pergunto, quero explicações. 

Mas a vida não tem explicação sempre. Mas eu fico ali, perguntando, querendo tradução em palavras de um sentimento. E nem sempre vem. Porque tudo bem. A vida não tem explicação sempre. 

Ele tentou, e disse tantas coisas e agora nem lembro. Sei que disse, coisas bonitas, que foram para um lugar dentro de mim, cheio de tesouros que não se pode resgatar. Um lugar de força e que me mantém viva, um lugar onde moram todas as esperanças.

E ele disse, isso, da esperança, em como algumas palavras aqui tem esse ar de esperança. Achei bonito, porque nunca tinha pensado nisso. Porque eu escrevo? Porque eu gosto, porque me faz incrivelmente bem.

Mas quando eu disse que gosto de te ler, não é o que você escreve, é você mesmo

segunda-feira, outubro 19, 2020

The Break-up.


 

Você aqui.

Sabe o que é melhor do que esperar uma mensagem sua? É ter você aqui. 

Abracei ele apertado e quis saber como é que se faz tudo certo, mas ele não diz, só faz.

Sempre faz, sempre mais. Não estou com tempo de explicar mais do que isso, porque daqui a pouco ele vai chegar de novo e eu preciso estar pronta, a gente nunca sabe se quando abrir o portão, o amor vai entrar junto. 


quinta-feira, outubro 15, 2020

Bom mesmo é estar debaixo d'água, Luedji Luna.


 

Eu sou lama, meu amor, lama de verdade.

Porquinho rosa.

Eu perguntei para ele

Para que você levou aquele porquinho rosa?

Para lembrar de você

Nunca achei na vida que ia amar ter virado um porquinho rosa. A vida sempre pode ser melhor, se a gente fechar os olhos e acreditar de verdade. De verdade, sabe como é?

É abrir um sorriso para aquilo que surpreende, é esperar e ao mesmo tempo ir em frente, é transformar algumas dores em música e outras chorar no colo de alguém. 

Porquinhos rosa sempre trarão boas notícias, não esqueçam disso. 


terça-feira, outubro 13, 2020

segunda-feira, outubro 12, 2020

sexta-feira, outubro 09, 2020

Modéstia?

Me disseram que eu ganhei, aí saiu aqui, ó. Eu gostei também da arte dessa página.

Eu adoro concursos, editais, promoções, cupons, eu amo participar. Eu sempre acho que vou ganhar e, quando eu não ganho, eu fico pensando "oxe, mas estava tão bom". Quando é sorteio (e olha que já ganhei muitos!), eu sempre penso "oxe, e porque eu não?". Aha. 

Não sou nem um pouco modesta, modéstia às favas, por ser baiana, por ser inteligente, por ser bonita, por ser. 

Quando eu era criança, com uns 14 anos, eu achava que a gente tinha de escolher, ser bonita ou inteligente. Eu, sem saber que já era inteligente, pensava que quando chegasse o dia de escolher, eu escolheria ser inteligente, porque aí eu saberia convencer todo mundo que eu era bonita. 

Foi aí que eu cresci e descobri que, por já ser inteligente, só me restava escolher ser bonita. Na verdade, nem escolhi direito. Foi uma coisa que veio assim, junto comigo mesmo. Bem ao nascer.

Porque eu estou falando disso aqui? Não sei, eu só queria dizer que, hoje, além de bonita e inteligente (não necessariamente nessa ordem) eu também sei que sou muito, muito feliz.

Dito isso, modéstia às favas por ser feliz.


Entrevista, O que é branquitude.


Dentro da minha pele.


quarta-feira, outubro 07, 2020

terça-feira, outubro 06, 2020

segunda-feira, outubro 05, 2020