Você que me lê, me ajuda a nascer.
sábado, outubro 07, 2017
quarta-feira, outubro 04, 2017
terça-feira, outubro 03, 2017
De que é feito o que vai no coração?
Alguém ou alguma coisa veio aqui e diminuiu a dor. A ansiedade, a incerteza. Veio aqui, arrancou qualquer coisa que poderia me fazer mal e deixou só paz. A quem ou o que fez isso, eu só posso dizer obrigada e fique mais um pouco por aqui.
Eu tenho muito a fazer mas meu coração não quer descansar. Ele me dá trabalhos extras como me preocupar com alguém que parece não saber que para bater, meu coração precisa desandar. Desandar de ouvir as belezas que é estar viva, que é amar, que é acreditar, belezas que devem ser ditas, sussurradas, confirmadas, todos os dias. Meu coração precisa de um motor feito de palavras também. As ações que o movem são assim todas desenhadas de palavras, ele gosta de texto.
sábado, setembro 30, 2017
Christian Scott aTunde Adjuah: Tiny Desk Concert: NPR
Esse canal no Youtube é massa demais. A gente encontra cada coisa maravilhosa. Rapaz. A vida é realmente boa (especialmente se você está apaixonada).
quinta-feira, setembro 28, 2017
quarta-feira, setembro 27, 2017
Labrinth, Jealous.
[não é bem assim, não, mas eu amo a voz desse moço nessa música. e sua cara linda e preta com esse bico]
Inspiração.
Há pessoas e coisas e tempos e eventos e sons e cheiros que me fazem escrever mais. Eu gosto disso, gosto de escrever. Acho mesmo que me ajuda a nascer. Mas há quem pense que pode saber tudo sobre mim lendo coisas aqui. Não.
Bom, eu sou aqui. Mas eu sou também uma alguém que não se diz aqui. E essa só é possível de saber quando você acorda comigo, falando sobre o mesmo assunto da noite passada sem nem parecer que passou uma noite no meio.
Uma eu fazendo comida e ouvindo música e dançando e tomando cerveja. Uma eu fazendo a unha e durando quatro horas para terminar tudo porque eu converso muito. Uma eu que chora vendo filmes. Uma eu que... bom, uma eu que não está aqui nas letras, que só tem quando você encosta junto de mim e sente meu cheiro, vê meu sorriso e prova do sabor.
Cabelo.
Senti uma mãozinha puxar minha blusa e olhei para o lado.
Ei, você já é grande e seu cabelo é igual ao meu, não precisa alisar quando cresce?
Sorri e expliquei-lhe que não, que ela poderia continuar com ele como ele era.
Tá vendo, ela disse olhando para a amiga, eu disse pra mainha
Continuei meu caminho, sabendo dos motivos pelos quais valem conservar a minha juba.
terça-feira, setembro 26, 2017
Erika.
Minha ídola tem sete anos. Erika, muito prazer. Antes preciso dizer que pedi sua autorização para escrever um post sobre ela aqui.
Eu a conheço há alguns meses, é irmã de uma bebê da nossa turma na escola. Nos vemos sempre às saídas e ela me animou a começar a capoeira. Agora que somos irmãs no aprendizado, ela se achou no direito de se aboletar na minha casa e passar a maior parte do tempo aqui, inclusive dizendo o que quer fazer ou comer quando bem quer e entende. Uma das últimas coisas que fez foi marcar com marca texto colorido uma das cópias da tese que achou dando sopa por aí (agora mesmo está folheando um caderno velho de planos de aula.
Sua mãe nunca veio aqui, embora me conheça o suficiente para me confiar sua filha. Mas não é disso que eu quero falar. Quero falar de uma menina de seis anos que maneja muito bem aquilo que conhece e vai para lá e para cá na rua, com as pessoas, nas coisas que quer fazer, independente da idade que lhe dizem ter. Fica à minha sacada dando oi para as pessoas que passam.
Erika, se você vai fazer essa sujeira aí vai lavar os pratos
Qual não foi minha surpresa quando cheguei à pia e lá estava ela, cumprindo o "acordo" que a obriguei a fazer. Não pude reclamar, ela sujou e limpou boa parte. Com ela, preciso descobrir jeitos mais eficazes de dizer não.
Quando ela me grita na rua "Migh", eu adoro. Porque ela nem liga pra celular, eu a amo.
Erika, muito prazer.
Nome de bairro.
Voltamos juntos todas as vezes da hidroginástica. É um senhor de quase 70 anos, daqueles homens negros enormes para quem ninguém dá mais de 50 anos, olhando assim rapidamente. Ele fala comigo sempre como se tivéssemos acabado de terminar o assunto do dia anterior e, nos vinte minutos em que ficamos juntos, eu sou uma boa ouvinte, estimulando-o a falar sobre sua vida e os problemas que tem.
Ele não sabe nada sobre mim e nem finge interesse, só quer falar. Eu do meu jeito gosto tanto das histórias que não importo com a desimportância. A companhia dele me agrada imensamente. Ele conhece quase todo mundo que cruza nosso caminho e seu apelido é o nome de um bairro da cidade em que nos encontramos. Não preciso de mais nada, só de ouvi-lo falar e falar já sou feliz demais. Me divirto com sua lógica de tempo e reclamações que a mim parecem algumas vezes sem propósito, mas que fazem todo sentido na vida de um homem negro que parece viver mais só do que gostaria.
Penso no meu pai. Quiçá ele encontre uma boa ouvinte por aí.
Crescer.
Estávamos em meio ao samba de roda conversando e eu perguntei a ela sobre ser grande. Ela me disse, quase em segredo
eu tenho medo de crescer
Essas palavras ecoaram na minha mente, eu tenho medo de crescer. Ditos por uma menina de 12 anos, eu tenho medo de crescer. Nunca esperava ouvir isso de uma menina negra de 12 anos, mas achei tão lindo e forte que vim correndo escrever aqui, para não esquecer. Porque talvez um dia eu também tenha tido medo, ou ainda tenha, vá saber.
segunda-feira, setembro 25, 2017
Fé e desejo.
Quando você sente vontade de alguém, mas há outras coisas em jogo e é preciso escolher, não é fácil dizer sim para o amor. Mas há amor em todo os caminhos que você escolher, então fica mais difícil decidir, e não há como ter tudo na vida, não há como.
É preciso ter fé, mas é preciso desejar também. Que fazer? Chorar? Esquecer?
Não sei, não me perguntem. Ainda não decidi se o que vou fazer hoje é chorar ou esquecer.
domingo, setembro 24, 2017
Olhar (namorar).
Quando ele me olha, me namora com um olhar sereno e profundo, que me diz o que ele gostaria de estar fazendo comigo naquele exato instante além de segurar minha mão.
Quando ele me olha, não arrepio. Sinto dentro algo mais forte, leio tudo que ele não diz (porque não pode, porque não deve?) nos seus olhos. Eu poderia chegar mais perto, mas, mesmo de longe, vejo tudo porque vejo seus olhos. Eles não me escondem o que doem, não me escondem tristezas e os impedimentos.
Eles são espelhos de dentro. Eu sei.
Mudanças II.
As pessoas mudam umas às outras
Ele me disse abraçado a mim, olhando bem dentro dos meus olhos. Demoramos nos olhando um ao outro, como se quiséssemos ter certeza de que sabíamos que estávamos ali só a nos olhar, como se quiséssemos dizer um ao outro sem dizer "eu vejo você", e conseguimos. Ao menos eu senti o calor de seu olhar em minhas mãos, meu coração.
Ele me disse abraçado a mim, olhando bem dentro dos meus olhos. Demoramos nos olhando um ao outro, como se quiséssemos ter certeza de que sabíamos que estávamos ali só a nos olhar, como se quiséssemos dizer um ao outro sem dizer "eu vejo você", e conseguimos. Ao menos eu senti o calor de seu olhar em minhas mãos, meu coração.
sexta-feira, setembro 22, 2017
Só.
Quero ficar no meu canto, quieta. Sentindo as minhas dores, para saber onde (e como) doem.
Estou confusa, decepcionada, um pouco machucada até.
Talvez por mim mesma, pelas ilusões que ainda me permito viver, mesmo sabendo que não há nenhuma garantia de que ela vai durar mais do que alguns dias.
Quero me conhecer, até o fundo, ir ao fundo, profundo, mas sei também que às vezes só consigo isso com a outra pessoa, ao meu lado, me animando a ir mais, ouvindo e falando, uns beijinhos pelo meio.
Ainda não consegui de todo abandonar o projeto de ser mais, com alguém. Ainda não consegui abandonar a espera, a esperança. Ainda não. Mas sei também que não sou assim comigo, não me firo tanto assim.
Prefiro começar de novo.
quinta-feira, setembro 21, 2017
Verdade.
O que é a verdade?
A verdade não existe, é o que dizem.
Mas a verdade existe, em alguns contextos. Quer saber? Eu explico melhor em dois tempos.
Quando você trabalha em equipe e as pessoas não estão dispostas mesmo quando estão presentes, ali, do lado. A verdade é que você trabalha sozinha.
Quando uma pessoa diz que quer te ver e não faz nada para isso.
A verdade é que ela não te colocou como alguém importante o suficiente para mudar os planos dela, nem por algumas horas.
Quando uma pessoa te diz que fez uma coisa - como encerar o chão - e não encerou.
A verdade é que ela está mentindo.
Entendeu? Hoje foi um dia desses, dia das verdades.
Quem me conhece de perto, sabe que eu não sou docinha. Eu defendo minhas opiniões e sou bastante agressiva - no sentido de argumentar, reclamar, bater o pé, dizer o que acho e o que sinto - e isso pode parecer incômodo para pessoas que preferem a calmaria. Tenho até o jeito meio estouvado para fazer isso, e se a pessoa só me vê nesse momento, nem vai saber que também posso ser amor e pedaços de bolo enrolados num guardanapo para o chá da tarde.
Paz sem voz não é paz, é medo, tem na música do Rapa. É isso mesmo, eu não tenho medo de errar sendo excessiva, mas eu tenho medo de morrer com as palavras dentro de mim, eu solto elas todas, como pássaros elas não gostam de viver em gaiolas, eu falo o que penso, nem sempre penso, mas falo. Isso é 'certo'? Isso é 'bom'? Isso é 'honesto'? Não sei, não estou preocupada com isso, não quero ter razão e nem ser 'perfeita'. Quero dormir em paz um sono pesado e gostoso.
Eu olho para dentro de mim e vejo que, convivendo comigo, você pode me ver errar muitas vezes, mas vai me ver poucas vezes com palavras encolhidas, pedindo desesperadamente para que sejam soltas.
quarta-feira, setembro 20, 2017
Textão (vem ni mim).
Sabe porque eu gosto de pagode romântico? É um dos lugares onde você mais ouve homem falando sobre o que sente. Dá-lhe texto, é tanto amor que fica mais difícil de decorar que música dos Racionais (mas vem ni mim).
[e a única saída é terminar]
[ mas o que ele esqueceu de cantar é que quando se termina, também se começa]
Maria Rita, Não vale a pena.
é uma pena, mas você não vale a pena
não vale uma fisgada dessa dor
não cabe como rima de um poema (de tão pequena)
terça-feira, setembro 19, 2017
Cabeça cheia.
É quando o dia inteirinho passa e você pensa em como é bom fazer o que faz, viver o que vive, que fica fácil esquecer o que dói.
Sou feliz porque sou com os outros. A senhora do meu trabalho me abraça e me diz, "você é ótima e quem não gosta de você é besta". Enche meus olhinhos de uma água salgadinha que me faz pensar que a felicidade talvez não seja só feita de doce.
Sou feliz porque sou com os outros. A senhora do meu trabalho me abraça e me diz, "você é ótima e quem não gosta de você é besta". Enche meus olhinhos de uma água salgadinha que me faz pensar que a felicidade talvez não seja só feita de doce.
Capoeira.
Minha primeira aula de capoeira e as crianças novamente me ensinando a aprender. Eu cheguei até lá através da irmã de uma bebê da turma que eu sou professora, ela tem oito anos. A mãe reclama que não aguenta mais levá-la para lá e para cá para fazer as coisas que ela quer participar. Ela quer participar de tudo, de tudo. Grupo de samba, aula de capoeira, canto... e a mãe passa o dia a ir para lá e para cá, esperando ela terminar suas aulas de tudo, das coisas que escolhe.
Cheguei e outra menina me recebeu, por sinal conhecia essa minha outra amiga, ela também oito anos. Me ajudou a aprender muita coisa e me incentivou dizendo que estou bem para a minha primeira aula. Fez par comigo e gingamos juntas. Eu não quero sair de perto das crianças nunca na vida.
O que eu quero mais? Perto de casa tem roda de capoeira, terreiro de candomblé. Gentes pretas que além de me darem bom dia me chamam de 'nega' só de me ver sorrir. Tem criança indo sozinha para a escola, junto com as amizades, me dando tchau e sorrindo para mim. Tem varal no meio da rua, secando as roupas das vizinhança.
Eu não poderia ser mais feliz.
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