Você que me lê, me ajuda a nascer.

sábado, novembro 26, 2011

quinta-feira, novembro 24, 2011

Debate.



Para quem ainda não leu, aqui vai o texto do Projeto de Lei na íntegra, publicado no dia 15.11.2001 no Diário Oficial do Estado paulista:

PROJETO DE LEI Nº 992, DE 2011

Proíbe o uso e o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Estado de São Paulo e dá outras providências.
A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:
Artigo 1º - Fica proibido a utilização e/ou sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Estado de São Paulo.
Artigo 2º – O descumprimento do disposto na presente Lei ensejará ao infrator, a multa de 300 UFESP’s (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo) por animal, dobrando o valor para cada reincidência.
Artigo 3º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Em tramitação, o projeto sofreu alteração na Câmara e inclui, além dos animais, a proibição das utilização de aves nestes rituais. 
Quer saber o que eu acho disso? Vou dizer o que disse Exu-Bará no filme O Jardim das Folhas Sagradas:


como você vai sustentar um terreiro sem sangue? como você vai fincar sua raiz, seu chão?


Respeito quem é a favor que esta lei se estabeleça, mas, antes de tudo, respeito o candomblé não apenas como religião, mas como modo de fazer. Não acho que não se possa praticar o candomblé verde, como postulam por . Talvez fosse mesmo mais certo criar uma outra religião sem utilizar o mesmo nome, enfim... talvez. Eu só sei do que acredito. E acredito no que sinto. 

Beijo.

Hoje, na agenda do moço, um recado de sua mãe para mim

professora, meu filho recebeu ontem um beijo de uma coleguinha da sala e só falou nisso o dia todo! Ele está levando um presentinho para ela, cuide para que ela receba

Nos dias de hoje, onde em muitos lugares o beijo, abraço, o aperto é visto como algo "além do limite", "malícia", "maldade", achei lindo que a mãe do menininho ser sensível a ponto de compreender que carinho entre amigos devem ser estimulados. Ela mesma, quando me encontra, é toda efusiva, abraça, beija (ficamos conversando tanto que acabei descobrindo que ela nasceu na mesma região que minha mãe. Com certeza, se minha mãe aqui estivesse, ficaria horas com ela perguntando sobre "seu noca de dona zefa" e coisas assim). Perguntei à mocinha sobre o seu feito, ela me disse

Eu dei um beijo nele? Ah, sim, professora. A gente é amigo.

O menininho me olhava com uns olhinhos apertados e contentes de felicidade, segurando entre as mãos uma pequena lembrança. Não sei ao certo o que ele sentia, mas era tão bonito que desisti de tentar entender. Só fiquei ali, sentindo passar por mim o ar gostoso de uma coisa chamada inocência. Coisa essa meus caros e caras, muito cara nos dias de hoje.



Rosa de Pedra.

Achei essa matéria aqui ótima. Ensina tudo sobre plantas para pequenos espaços e apartamentos. Sou louca por plantas, cresci no meio delas e sinto muita falta de todas aquelas que via na casa de minha vó e mainha. 
Anotei todos os nomes mas, seguramente, a que mais gostei foi a rosa de pedra. Adorei o nome e as características. Pensei em mim e num email que recebi hoje, que me disse:


Pensei, pensei muito sobre essa história de você ser racional ou não. Acho que você tem um profundo e muito saudável amor próprio. E para mantê-lo você é bem racional. Você sabe o que quer. E isso não é egoísmo. Você sabe do seu empoderamento e faz muito bem de não abrir mão disso. [...] Quanto à paixão, pra falar a verdade, acho que nenhum homem ainda pegou seu coração pra valer. Mesmo, mesmo, mesmo.
Beijo

"MíghianDanae", autêntica rosa de pedra, echeveria sp (coincidência ou não, a tal plantinha de pedra tem sp no nome científico!).



segunda-feira, novembro 21, 2011

O palhaço.


Pensativa demais.

domingo, novembro 20, 2011

Felicidade.

Mainha e nossos longos papos.
Fiquei perguntando pra ela se ser feliz não é também dizer-se feliz. Que se vivo num mundo onde não posso dizer que sou feliz, triste fico. Esconder felicidade não faz bem e faz com que ela vá embora.
Mas, é preciso esconder a felicidade, usá-la aos poucos, senão acaba, senão metem o olho nela e já viu, olho grande, olhado, reza logo, saravá.
Mas, que eu faço? Felicidade só tem graça se dita. Se é preciso esconder, tenho medo de que vire algo mais parecido com agonia. Eu canto e danço, falo com o corpo, com os olhos, a boca toda cheia de dentes e sorrisos, alegria, alegria, algumas pessoas me perguntam se eu nunca tive mau-humor, como se fosse doença, dor de cabeça, febre, tosse de cachorro que volta e meia assola.
Certa vez um amigo me disse que nunca se preocupava com um problema, porque se ele tivesse solução, estava tudo certo. E, se não tivesse, que ele ia poder fazer? Achei isso o máximo e adotei como um dos meus lemas.
Assim também a felicidade deve ser um lema, não um dilema. Já pensou, ficar preocupada se ao ficar feliz, isso vai fazer as pessoas torcerem o nariz? Cruz-credo, bate na madeira aí que eu já bati aqui. Diga felicidade, mas não esqueça: se perceber algum ventinho contrário, cruze os dedos e faça a oração de espanta-olhado que todo mundo que é feliz sabe qual é.




Capoeira (II).

A convite da mãe de uma criança de minha turma, compareci hoje no batizado de capoeira do mocinho. Ele muito nervoso, de cabelo cortado, junto com os dois irmãos, esperava a sua vez de subir ao palco e fazer por merecer seu cordão cinza.
Apesar de nervoso, estava quieto, o contrário de quando fica calmo. Fiquei emocionada, como sempre fico toda vez que posso participar da vida de uma das crianças que eu conheço. Lá estava sua família de portas abertas para mim (a avó muito coquete, a mãe lindademorrer.com, o pai bonitão - descobri que os filhos fazem capoeira porque ele mesmo jogou por muito tempo! -, a sobrinha risonha...), toda aquela energia, a capoeira, a ginga, as músicas, o tambor. Ríamos de tudo, até da felicidade.
Ah, o tambor...
Escondi uma lágrima no canto do olho quando o mestre de capoeira disse o quanto era importante que as famílias se preocupassem com os estudos e que se as crianças não se "comportassem", poderiam ter que devolver os cordões. Coisa boba, mas que me lembrou minha infância e as recomendações de meu avô.
Fico pensando como é importante ter todas essas referências (capoeira, candomblé, estética negra, música) presentes no palco e em nossas vidas, não apenas de modo subliminar, mas afirmadas.
Não queria que ele me esquecesse. Eu é que sei que nunca vou esquecer (mais) esse mocinho.

Mais das mesmas.





Quando eu sinto saudade, eu (também) revejo fotos.

Cleopatra Jones.


Uma nota, uma nota de nada: me senti uma boba completa adorando os filmes de Quentin Tarantino sem ter visto nenhum blaxploitation. Mesma sensação de quem ouve Elvis Presley e depois conhece o bebop. Mesmo Quentin sempre declarando sua paixão aos blax, nunca achei que seus filmes fossem uma cópia descarada desse cinema negro da década de 70. De músicas a cenas, cópias, cópias.

Killer of sheep.


quinta-feira, novembro 17, 2011

Confissão.




         O sexo tinha acabado e eu ainda estava ofegante. Deitei-me para dormir enquanto ele rapidamente recolhia suas roupas, entrava no banheiro. Cantava sempre a mesma canção enquanto deixava a água escorrer pelo seu corpo, eu nunca tinha visto a cena mas a imaginava inteira, dentro de mim.

Xangô é tata no mirararauê
Xangô é tata no mirararauê ô
Ele é Xangô ele é rei dos astros
Coberto de ouro coberto de prata
Kaô, Kaô  Kaô, Kaô  Dahomé
E Kao Kabiesile, Xangô Dahomé

Saiu do banho, enxugava-se sempre à porta, mesmo que isso fizesse a água escorrer para dentro do quarto. Era uma de suas manias. Parecia ter medo de não poder controlar o tempo ou as coisas que estavam perto de si, enquanto estava alerta. Parecia querer sempre estar alerta. Tinha medos, mas não falava deles. Sempre me dizia coisas sobre seu orixá, ao invés de falar de sua própria vida. Se era uma forma de respeito aos nossos antepassados, por vezes eu ouvi todas as suas histórias sobre como Xangô agiu ou agiria e imaginei que era também seu modo de não falar sobre seus próprios sentimentos. Mas eu não podia queixar-me. Nunca fui mulher de contar para ele as coisas que mais me inquietavam na vida, sobre o futuro e filhos, trabalho ou morte. Eu também tinha meus modos de esconder o jogo.
Conhecíamos-nos há pouco tempo, se contados os anos antes em que fizemos por tanto tempo as mesmas coisas e nunca havíamos nos visto. Tínhamos os mesmos lugares na cabeça quando falávamos de nossas infâncias, crescidas ali, Cidade Baixa. Nunca consegui escrever Cidade Baixa com letra minúscula e esse era uma das coisas que nos unia: num dos últimos bilhetes que ele sempre me deixava quando ia embora antes de mim dos quartos que pagávamos para nos encontrar, ele escreveu

Queria ter estado contigo na Cidade Baixa quando deste teu primeiro beijo mesmo que não fosse em mim. Queria talvez ter estado à sua espera quando me contou que saiu daquela viela sem luz com Paulo, seu primeiro namoradinho, queria ter rido de ti e falado alguma coisa sobre como seu beiço parecia maior e inchado ou coisa parecida.
Ou talvez quisesse mesmo ser eu o tal Paulo. Isso ainda não sei!
Beijo!

       Convivia tão pouco com ele e mesmo assim queria poder conhecê-lo pelas poucas coisas que fazíamos juntos. Observava suas reações com as poucas pessoas com as quais tínhamos contato quando nos encontrávamos, olhava seus olhos, para onde se voltavam enquanto falava, como me tocava, como se excitava. Queria poder dominar todas pequenas descobertas, mas no fundo tinha a certeza absurda que ele era bem mais do que um encontro e sexo num hotel barato. Essa certeza me angustiava e me fazia querer continuar ali, envolta em lençóis brancos, ouvindo as faixas que tocavam aleatórias em seu iPod naquele encontro. Queria continuar ali, mas queria fugir também. Nunca soube ao certo o que fazer quando ele precisava ir embora, e ele sempre precisava ir embora
        Nos últimos dois anos havíamos nos encontrado todos os meses em algum quarto não tão estrelado em diversas partes do Brasil. Eu ou ele precisávamos fazer algum esforço, por vezes o meu trabalho me levava ao interior de um estado e eu deveria tomar um ônibus para encontrá-lo num fim de noite na capital, por vezes era ele quem estava no interior, mas não dispunha de tempo para vir até mim e era eu novamente quem tomava o ônibus para ir encontrá-lo. Algumas horas, que muitas vezes eram divididas com outras pessoas, amigos de infância que ele e eu tínhamos espalhados pelas cidades e que também estavam longe de casa. Todas essas cenas eram costumeiras: a viagem, a chegada, os amigos, as amigas, as confissões, as bebidas e o desejo. Ele recompensava minhas viagens me mandando postais diferentes a cada lugar que ia e eu ainda não conhecia, e vez por outra me escrevia a frase:

 Eu estive aqui antes de você. Mas eu sei que você virá aqui também.

        Não me lembro bem como começou e porquê. Acho que a gente se sentiu sozinho em algum momento da vida. A gente nunca falou disso. Eu não gosto de parecer fraca, tomada por algum sentimento maior do que eu. Eu não sei muito sobre ele, embora saiba muito sobre o que lhe aconteceu nos últimos meses. Mas, ainda assim, é um homem suficientemente inteligente para não se deixar apanhar de modo fácil. O sexo era sempre bom, o sexo parecia ser tudo antes do encontro mas depois só completava as conversas ao telefone, as mensagens de texto, os emails engraçados. Era só sexo, mas eu queria dizer a ele, agora, enquanto finjo dormir, que eu nunca acreditei que alguma coisa pode ser só sexo.
        Falar isso poderia ser romântico demais para alguém com uma vida como a minha. Morando sozinha e sem nenhuma ideia do que me acontecerá nos próximos meses, eu continuo fingindo dormir. Esse compromisso com as palavras, como se depois do eu te amo devesse vir logo um vou ficar contigo.   
       Agora, enquanto ouço o barulho de seu zíper se fechando, não sei se quero ir embora. Pelo menos hoje não. Mas essas coisas também tem seu preço. A porta se fecha e ele vai. Pela primeira vez, hoje, durmo de verdade e sonho um sonho em que a gente de novo não se conhece. É um parque de diversões e estamos na roda gigante, cada um num banco, sozinhos. Ele olha para trás, eu sorrio. O sonho acaba, eu acordo, cabeça girando. Pela primeira vez, ele não me escreve um bilhete.
         Acho que é um jeito também de dizer adeus. 

Saluba, Nanã.





“O Ibiri é precioso, Orixá
da Justiça, Nanã espírito do manaciais,
Poderosa dona dos búzios”.


Nanã Buruku é sem dúvida muito antiga, cujo o erudito freqüentemente é ligado ao de Omolu. Seus distintivos são muito diversos, e também não é fácil determinar seu espaço de origem. Orixa dos mistérios é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Odudua separou a água parada, que já existia, e liberou o saco de criação a terra, no ponto de contato desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nanã. Senhora de muitos búzios, Nanã sintetiza em contigo a morte, fecundidade e riqueza. Seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis e, para os povos jêje, da região do antigo Daomé, significa mãe. Sendo as mais antigas divindades das águas, ela representa a memória ancestral de nosso povo; é  a mãe antiga. É a mãe dos orixás Iroko, Obaluayê e Oxumaré, é respeitada como mãe de todos os outros orixás. Nanã é o princípio, meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte. Ela é a dona do Axé por ser o orixá que dá vida e a sobrevivência, a senhora dos Ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens As águas paradas e lamacentas dos pântanos tem um aspecto morto e à primeira vista ninguém imagina que por trás daquelas águas possa existir a vida, que sob a benção de Nanã a vida de plantas de grande fundamento como o oxibatá e oju-oro é possível. Essas plantas buscam nas profundezas das lagoas, na lama, a vida e o sustento. Nanã é a alma da água que permite ao oju-oro e ao oxibatá nascer, viver e florescer. Entre os símbolos de Nanã está o ibiri, que é feito com palitos do dendezeiro e nasceu junto com ela, na sua placenta. Ele representa a multidão de Egum, que são seus filhos na terra dos homens, e Nanã o carrega como  mimasse uma menino. Os búzios que simbolizam morte por estarem vazios e fertilidade porque lembram os órgãos genitais femininos também pertencem a Nanã. Contudo, o símbolo que melhor sintetiza o caráter de Nanã é o grão, pois ela domina também a agricultura e todo o grão tem que morrer para germinar. Nanã assegura uma vida saudável e com bastante força àqueles que a agradam; pode ajudar na maternidade, principalmente quando tudo indicam que a criança não vai vingar, mas sua principal função é garantir o grão e o pão de cada dia a todos os que merecem.Nana não roda na cabeça de homem, aliás, Nanã abomina a figura masculina, pois o homem, através do esperma, líquido que símbolo de Oxalá, semeia o óvulo e gera uma nova vida. Nanã é a morte que reside no âmago da vida, que possibilita o renascimento. A vida e tudo que a representa - o esperma  e o sangue - são considerados tabus para Nanã que não roda na cabeça de homem. Seus adeptos dançam com a distinção que convém a uma senhora idosa e respeitável. Seus movimentos lembram uns andares lentos e penosos, apoiados num bastão imaginário que os dançarinos, curvados para frente, parecem puxar para si.
Arquétipos dos filhos e das filhas: Os/as filhos/as de Nanã são pessoas extremamente calmas, tão lentas no cumprimento de suas tarefas que chegam a irritar. Agem com benevolência, dignidade e gentileza. Gostam de crianças, e educam com uma dose de doçura e mansidão. Podem apresentar problemas de envelhecimento precoce, e ou problemas reumáticos. Seus filhos também possui um certo exagero em guardar rancores, mais longo perdoam, principalmente as pessoas que amam. São bondosas, decididas, simpáticas e principalmente respeitáveis.

Aspectos Gerais: Dia – Sábado; Data – 26 de junho; Metal – Latão; Cores – Branco e Azul (Preto ou Roxo); Pedras – Ametista; Odu que rege – Odilobá; Domínios – Vida e morte, saúde e maternidade; Saudação – Saluba.



Extraído daqui.