Você que me lê, me ajuda a nascer.
domingo, janeiro 22, 2023
sábado, janeiro 21, 2023
quinta-feira, janeiro 19, 2023
Que história é essa, Porchat?, Manoel Soares.
Tv Folha: Celso Rocha e Glenn Greewald.
quarta-feira, janeiro 18, 2023
Errado, não.
Gente, quando eu digo que terapia é muita coisa, não só coisa que tem psi no nome. Eu ouvi um podcast que me fez chorar e me fez tão melhor da vida. Nem tenho como explicar como me sinto bem ouvindo Crônicas de um cuidado. Esse episódio aqui me devolveu alguns anos de vida que relações fuleiras me roubam.
Foi uma amiga que me indicou e eu posso amá-la a vida inteira só por isso. Pense. Eu me curo ouvindo essas coisas. Aprendi que gostar de conversar e amar as palavras não é um problema e nem tem nada de errado, não. Querer entender as coisas, não só com a cabeça mas também com o corpo e coração, tem nada de errado, não. O que está errado para mim é alimentar trauma, criar medos, sentir a depressão rondando. Isso sim é que eu tenho que fugir. Vou ao encontro do que me faz bem, entender, para sentir amor e calmaria.
Sabe aquele barulho de chuva no telhado quando começa? Aquele momento perfeito de alegria e paz todo misturado. Como uma quarta-feira à tarde com vista de mar, pássaro e jaca do pé no quintal de casa.
terça-feira, janeiro 17, 2023
Elétrica Mulher.
Eu, sem parar. Amando fazer mil coisas ao mesmo tempo e tudo dando certo e sonhando com as férias que já estão ali e sorrindo de uma orelha à outra porque já não tenho mais destino certo e posso chegar no aeroporto, olhar o painel e dizer:
vou aqui
Que delícia de vida é essa. Se prepara que estou chegando.
segunda-feira, janeiro 16, 2023
Lei que inclui cultura afro-brasileira nas escolas completa 20 anos.
Mais conversas sobre os 20 anos da Lei.
Orientação.
domingo, janeiro 15, 2023
Bom dia com Mário Kértez - Sidônio Palmeira.
sexta-feira, janeiro 13, 2023
quinta-feira, janeiro 12, 2023
Posse de Sonia Guajajara e Aniele Franco (Transmissão de Cargo - Ministério dos Povos Indígenas e Ministério da Igualdade Racial).
Como anda o ensino de história afro-brasileira em sala de aula?, Eduarda Ramos para Lunetas.
Lei 10.639/03 fez 20 anos segunda-feira e as pessoas estão procurando a gente. Me perguntaram algumas coisas e eu respondi.
quarta-feira, janeiro 11, 2023
terça-feira, janeiro 10, 2023
segunda-feira, janeiro 09, 2023
domingo, janeiro 08, 2023
O dono do morro: um homem e a batalha pelo Rio, Misha Glenny
Colheita.
Muita gente diz
o amor me escolheu
Mas eu digo que eu escolhi o amor. Depois que eu o conheci, percebo que é com ele que eu quero ir. Para algumas pessoas, trouxa. Para outras, sonhadora. Para muitas, otária. Mas escolher o amor num mundo que não valoriza a paciência e o cuidado, do que mais eu quero ser chamada, não é mesmo?
O amor não é nada disso que dizem, confundem com sofrimento e perda de tempo. Nada disso. Ele é chuva num dia de sol e você sorrindo agradecendo as gotinhas de água que caem na sua pele. Ele é uma rede velha balançando a te chamar para deitar nela e descansar no tempo.
Ele é aquela sensação quente de acolhimento que só um abraço de uma pessoa que te quer bem sabe dar.
Reatividade.
Ouvi essa palavra a primeira vez com uma amiga. Ela disse
eu sou muito reativa, eu sei
No contexto, achei que era algo como "eu revido as coisas". E é isso, né? Só que eu não tinha pensado melhor sobre isso e percebido que nem sempre essa pode ser a melhor postura diante da vida. Aí agora eu parei para pensar no tal comportamento reativo, tal como a expressão passivo agressivo, que na hora não me chamou tanto a atenção e não me parecia algo tão grave, ser reativa, ser passiva, tudo tem consequência. Quais são as consequências que quero sentir da vida?
Eu fico vendo muita gente ao meu redor com essa postura de "bateu, levou" porque ela parece tão impulsivamente deliciosa e desatadora de nós na garganta, mas não. Parece mais uma resolução rápida para formas de ser no mundo. Fiquei pensando se quero isso, se quero cultivar isso dentro de mim.
Eu não sei se posso me classificar como uma pessoa reativa. Estou prestando atenção a como respondo às investidas das pessoas. Se eu ouço algo que não concordo, como reajo? Eu penso muito antes de falar ou responder qualquer coisa?
Estou descobrindo isso aí sobre mim agora. fico pensando em como ser melhor para as pessoas que me amam e estão ao meu redor.
Disfarce.
O racismo nos prega cada peça.
Quem me conhece sabe o quanto eu sou simpática e faladeira. Conversadeira, me dou com todo mundo fácil, faço piada de tudo, com a maior preocupação em não ofender ninguém ao meu redor (isso não inclui deixar de imitar sotaques sudestinos).
Mas depois de um tempo, convivendo às vezes com mais pessoas brancas ao meu redor, comecei a perceber que de fato, ser uma mulher negra divertida e risonha pode parecer que você está acessível para tudo o tempo todo e isso inclui servir. É nessa hora que entendo minhas irmãs caras feias e desanimadas de qualquer contato menos hostil e reativo.
É que você nunca sabe se a pessoa branca gostou de você ou está te vendo como mais uma pessoa negra que serve: serve para fazê-la rir, serve para fazer coisas, tudo isso. E tudo isso me faz perguntar se eu sou assim porque gosto ou sou assim porque dói menos ser a mulher negra legal.
Eu lembrei de uma frase de Fanon que ouvi Sílvio Almeida no podcast Mano a Mano repetir:
Neste estágio em que estamos do capitalismo, o racismo já não ousa mostrar-se sem disfarces
Foi uma coisa assim.
Não é que eu não já tenha a resposta, só estou dizendo que esta é mais uma peça que o racismo prega na gente e que a gente, talvez, nunca vai conseguir se desvencilhar. A dádiva de conviver a maior parte do tempo com pessoas negras me ajuda a não ter de pensar nisso o tempo todo ou quase nunca.
Obrigada por isso (de nada porque fui eu mesma quem conscientemente escolhi).
Conselho.
Seja puta, não otária
Uma amiga disse, eu sorri. Só que eu acho que a real é que serei sempre um pouco das duas coisas, quando eu quiser ser. E tudo bem ser tudo isso se eu estiver vivendo a vida como eu quero viver, se é que isso existe, até onde vai o limite da minha escolha dentro das relações.
Ser puta, ser otária, consciente e vivendo tudo intensamente.
sábado, janeiro 07, 2023
quinta-feira, janeiro 05, 2023
Vai.
Vai passar, mas vai doer, nunca duvidei. Vai passar, está doendo, mas nunca seria diferente quando se tem amor e vontade de fazer dar certo. De repente você vê que acabou, mas isso não faz tudo ter sido incrivelmente intenso e bonito, aí você quer dizer isso e aproveitar os últimos sabores que o amor traz. Eu sou daquelas que vai atrás do amor até gastar tudo, eu quero gastar tudo, eu quero o amor sempre.
Eu quero, mas se não tem, eu vou embora.
O amor pode não estar ali por vários motivos, inclusive alheios à vontade de quem está contigo. Eu sei, eu vi isso acontecer bem na minha frente. Mas não é porque a boca diz mas as pessoas não conseguem te alcançar que você tem que ficar ali esperando um sinal do céu.
Eu vou atrás do amor, mas até onde posso. Se a linguagem que está sendo usada não me alcança, vou procurar o amor em outras paragens, em lugares que sempre estão aqui, porque dentro de mim.
terça-feira, janeiro 03, 2023
3.
3 de janeiro, 3 meses e um ano, 3 pessoas.
Tudo três. Será que é por isso que parece que estou esperando três vezes mais uma bomba explodir dentro da minha cabeça?
Parece que está tudo bem, mas aqui dentro tem sentimentos contraditórios e eles dançam em frente ao meu desejo de mandar uma mensagem escrito SAUDADE.
Ou será saudades? Não sei, mas eu sinto muitas saudades e tudo bem sentir e tudo bem dizer, tudo bem tudo. Eu sempre preferi sentir tudo, dizer tudo do que não sentir tudo e não dizer nada. Essa sou eu, sempre foi, nunca escondi.
segunda-feira, janeiro 02, 2023
Lula Aqui.
Chorei de soluçar vendo a posse direto de Brasília, percorrendo a praça dos Três Poderes, a Esplanada, a frente do Supremo, vendo os ministérios todos... Chorei todo o choro engasgado, principalmente porque eu acredito que o Ministério do Namoro ainda poderá ser criado. Encontrei muitas amizades em Brasília, fiz outras, fiz tanta coisa, passei 12h de pé andando para lá e para cá e foi incrível. Incrível de quanta energia boa eu senti, me sinto renovada. Revigorada. Em paz com as coisas que escolhi para mim, ainda que vacilante, eu vou.
Para dias tristes, recomendo uma posse do Lula fácil.
domingo, janeiro 01, 2023
2023.
As luzes no escuro aqui comigo me ajudam a encontrar as coisas e ajudam a respirar fundo quando as músicas que tocam dizem coisas que fazem sair água do olho.
Amor que não prende mas também não solta
Dormir no teu colo corpo tempestade
Nunca parei de amar. Nunca. Todos os dias lembro, penso, tento, volto atrás, respiro fundo, tiro a roupa, tomo um banho frio, deito um pouco, leio mensagens antigas, sorrio com a lembrança de uma sensação gostosa, um sentimento. Todos os dias eu sinto o calor da carne como se ainda fosse uma tarde de setembro. Todos os dias eu morro e renasço de novo em mim, para suportar a falta que os sonhos que eu não sonhei sozinha me fazem.
Mas já é 2023 e eu ainda estou aqui para falar do que eu não posso nem nunca pude controlar.
2023.
sábado, dezembro 31, 2022
Mais forte, mais feliz (quem sabe).
Estou bem, devagar e sempre. Com medo e às vezes triste, mas não paro. Já corri trecho nesses 30 dias de solidão. Pernambuco, Fortaleza, Rio Grande do Norte e Brasília, me diga você se eu estou tendo tempo de chorar minhas dores. Eu não. Estou chorando e indo, devagar, sempre, alegre, triste, mas sem parar.
Estou ouvindo meu coração, mas ouvindo outras partes do corpo também.
sexta-feira, dezembro 30, 2022
João Pimenta.
Prisioneiras, Drauzio Varella.
Vale a pena ler. Emocionei-me deveras com muitas das histórias do livro.
terça-feira, dezembro 27, 2022
Sonho pesa.
sábado, dezembro 24, 2022
Vício.
quarta-feira, dezembro 21, 2022
Fotografia.
Sinto saudades, abro uma foto, olho por muito tempo. Mantenho o dedo na tela do celular para conseguir continuar olhando para a foto dele.
Olhando para a foto, penso nele e sinto todo o amor que eu sentia novamente dentro de mim. É como uma visita, mas eu sinto que, se eu o chamasse de novo, ele poderia morar aqui novamente. O amor gosta de convites.
Vai passar. Eu durmo e acordo pensando nele há um mês, inventando histórias. Durante a noite, eu acordo e volto a dormir sonhando os sonhos que não sonhei só. Será que tudo aquilo aconteceu? Algo me diz que sim, mas há outro algo dizendo que parte dos sonhos tinham recheio de imaginação de Migh no meio da noite.
quinta-feira, dezembro 15, 2022
Um amor por esse livro, o Catálogo.
Saiu matéria do Portal do Bicentenário sobre o Catálogo de Jogos e Brincadeiras Africanas e Afro-Brasileiras.
Vale a pena ler de novo.Na escola se brinca: brincadeiras de crianças quilombolas na educação infantil.
Como é que pode? Organizo um livro e esqueço de postar aqui. Rapaz!
Ele é um e-book gratuito, só cadastrar e baixar!
Relacionamentos.
A maior felicidade é a certeza de que tenho saudade de uma coisa que inventei dentro da minha cabeça e que nunca existiu. Nunca, não, mas assim... existiu a vontade de fazer existir e isso em si é maravilhoso. É que tem a próxima etapa que se chama fazer acontecer que... não aconteceu.
Me perdoo num abraço quente e parto para descobrir outras histórias que não morem apenas em mim, mas que podem ser inventadas junto, por mais pessoas. Pode ser invenção, mas para ser gostoso tem que ser inventado junto, assim eu sei hoje. Pode ser um querer que ainda não virou ação, mas também tem que ser querer junto e virar ação junto, senão cansa e pesa só para um lado do mundo e aí eu não quero. Tenho uma enorme intolerância e ressentimento com quem me faz carregar pesos sozinha. Eu não duro muito em relacionamento desigual (muito embora relações heterossexuais tenham esse padrão, há limites!).
Minha amiga diz
eu transo com homens e tenho relacionamentos amorosos com minhas amigas
Eu gostei disso.
Gostei de sentir também que não estava sendo amada e isso explica tudo dentro de mim. É tão libertador, porque eu não sofro mais. Ter a certeza de que não era amor e sim uma ideia do que eu queria que o amor me fizesse me acalmou tanto! Me preparou para querer o amor de novo. Óbvio que inventei tudo isso porque eu tenho sede e fome de amor. Eu já sei e tudo bem.
Inventei, investi, quis muito e tudo bem. Não é ruim nada disso, mas já passou.
Pausa.
Eu queria uma pausa.
Uma pausa da indiferença, do corpo ao seu lado que nunca se move para você e sempre para longe, sem aconchego. Do corpo que procura outras distrações que não o seu corpo e a sua presença.
Uma pausa do silêncio, do que não foi dito, do que tem de ser adivinhado ou antecipado, para continuar a viver junto.
Uma pausa da falta de carinho, do sexo mal-feito, da falta de vontade, de iniciativa, de coragem.
Uma pausa da distância quando se está perto e quando se está longe, das coisas que não se explicam porque não se querem ver.
Eu queria uma pausa de tudo que me fazia sentir dor e tristeza.
Acho que consegui.
quarta-feira, dezembro 14, 2022
A cor da Ternura, Geni Guimarães e eu.
terça-feira, dezembro 13, 2022
Sorriso.
Foi quando a música disse "só para lembrar todas as vezes que você olhou pra mim e sorriu" e eu não consegui lembrar de nenhuma vez que eu me peguei pensando se tudo não passou de uma historinha dentro da minha cabeça e coração.
Sabe quando as pessoas são tão tristes e desanimadas que nem conseguem te fazer sorrir num dia ruim?
Espero que você nunca saiba.
Ame quem você ama.
Ame quem você ama, acho essa frase tão linda. Simples, bonita, como a vida tem que ser, pode ser, quer ser.
Ame quem você ama quer dizer cuide bem do seu amor. Quer dizer assim, se você ama, demonstre isso, faça alguma coisa, se apronte para deixar isso muito explícito e acertado entre você e as pessoas que você quer que saibam.
Ame quem você ama é o amor em seu sentido mais lato, que é, faça por onde, diga a que veio, não volte para casa de mãos vazias, doe o que você tem de mais precioso, peça ajuda, mas ame quem você ama real, sem medo nem vergonha, sem desânimo e sem fingimento, com vontade de dar certo não só numa ideia lá na frente, mas no arroz com feijão de todo o dia.
Ame quem você ama, mesmo que seja só você mesmo. Tenho certeza que se fizermos isso, não conseguiremos parar em nós mesmos, porque o amor de quem ama transborda sempre.
Prêmio Ciência pela Primeira Infância.
Roda Viva: Liniker.
segunda-feira, dezembro 12, 2022
A metade perdida, Brit Bennet.
Educação e a busca por equidade na primeira infância.
2022 está acabando e eu bem feliz. Vem ni mim, 2023, eu tou muito facinho para o futuro.
Unicórnio no mar.
Hoje eu vi um unicórnio no mar. Lembrei de todos os sonhos doces que tivemos juntos e suspirei. Não pareciam de verdade, como o unicórnio no mar.
Hoje eu lembrei de toda a história, desde o dia em que compramos um unicórnio e o levamos para o mar até quando ele foi embora de casa: já fazia muito tempo que eu tinha dúvidas do amor e as certezas não pareciam as mesmas.
Hoje eu senti vontade do dia acabar às 18h, dormir junto com o por do sol e acordar pronta para começar de novo. Vai valer a pena.
Enfrentamento ao racismo na primeira infância, Portal Geledés.
Poxa, que alegria ver essas coisas, gente. Tão lindo, abro de vez em quando só para ler meu nome ali. Vale a pena o trabalho que dá prazer e gosto.
sábado, dezembro 10, 2022
Se ele (ainda) me amasse.
Se ele ainda me amasse e se dispusesse a estar presente, ser alguém que faz o que pensa que faz ou fala, eu suspiraria. Se ele ainda me amasse, eu amava. Mas...
Hoje é sábado e, pelo visto, ninguém volta a amar ninguém num sábado.
quarta-feira, dezembro 07, 2022
Comum, Àvuà.
O som dessa música me faz lembrar de sensações que me fazem chorar. Não sei explicar, o choro vem espontâneo, porque ela acessa partes de mim que escondo para aguentar a saudade. A falta de amor. A vontade de procurar dizer ou pensar que ainda pode dar certo.
Mas, não vai dar. Para dar certo tem de ser mais do que uma sensação numa música. Tem que ser amor semeado com a força de fazer nascer uma vida a dois. E eu não vi nada disso aqui perto de mim.
Descobri áudios antigos guardados que diziam amor e falavam comigo numa língua que desconheço. Apaguei, como tudo que decido esquecer.
Ser só bom, não me atrai pra ficar, Paula Lima cantou para mim. Eu quero brilho no olho, alegria, fôlego de fazer a vida acontecer.
terça-feira, dezembro 06, 2022
Comunicação.
O tema da comunicação tem aparecido muito na minha vida nos últimos meses. O que fazer? Percebo que as pessoas ou nunca souberam ou estão desaprendendo a conversar.
Ih, alá, Míghian, a única que sabe conversar no mundo
Não mesmo, não sei tudo mas sei que é necessário e me esforço para tal. Me dedico, presto atenção a isso, não crio subterfúgios para não dizer as coisas que não posso deixar de ser ditas. Diferente de um punhado de gente que ando encontrando por aí, em diversos lugares da vida.
Eu não sei tudo, mas sei muita coisa. Sei tanto que até sei o que não sei às vezes. Falo tanto que falo demais. Mas ninguém vai poder escrever na minha lápide:
Aqui jaz Mighian. Viveu como um cuzcuz e morreu abafada.
domingo, dezembro 04, 2022
Conversas.
Domingo.
Os piores momentos são os domingos de manhã. Por isso mesmo é que nunca fico sozinha quando eles chegam. Me cerco das amizades que aprendi a ter e sei que me querem bem para continuar, doce e firme.
Tenho tristezas dentro, mas vai passar. É uma palavra aqui, uma lembrança ali, uma pergunta lá. Eu não preciso responder tudo nem saber como fazer, eu só quero passar, me deixem passar.
Preciso de ajuda que só o amor pode me dar. Ainda bem que ele está aqui.
sexta-feira, dezembro 02, 2022
Padrão.
Me vi pensando se eu não tenho reproduzido modelos de relacionamento e me envolvendo com pessoas que se parecem muito entre si, não apenas porque elas tem gostos parecidos com os meus, mas também porque elas fazem o que eu já conheço, sentem como eu já aprendi a perceber, vivem como eu já entendi que elas funcionam e acabam me trazendo algum conforto também.
Eu não quero ser confrontada, não naquilo que eu já sei de mim e no que eu não quero mudar. Não mesmo.
Será que eu consigo me desafiar a buscar pessoas que não parecem nem um pouco com os namorados que eu já tive? E como eles são?
Eu não vou te contar aqui, mas eu sei. Eu sei.
Eu não acredito que a gente precisa sofrer para aprender, mas acredito muito que a gente precisa viver o que há para viver na nossa vida para aprendermos. Se isso inclui sofrer, eu nunca vou saber nem controlar isso.
É delicioso descobrir, todos os dias, um pouco mais de nós mesmas. Vou te dizer, viu? É imensidão. Eu sinto tanta vergonha de mim, tanto orgulho de mim e no fim do dia o saldo é... felicidade. Brilha no ar. E aqui dentro também.
quinta-feira, dezembro 01, 2022
Rainhas, Mães de Luza e Reis, de Ladjane Alves.
Movimento dos barcos, Maria Bethania.
Estou cansada e você também
Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais
Desculpe a paz que lhe roubei
E o futuro esperado que nunca lhe dei
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida como um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo
Não quero ficar dando adeus
As coisas passando
Eu quero é passar com elas
E não deixar nada mais do que cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo
Não, não sou eu quem vai ficar no porto chorando
Lamentando o eterno movimento... movimento dos barcos...
terça-feira, novembro 29, 2022
Migalhas.
Eu não vivi até aqui para ter que mendigar amor. Eu já sei que se o amor não estiver sendo dado a mim, eu tenho de me levantar da mesa. Nina Simone me disse isso e eu acreditei. Acreditei porque eu conheço o amor.
Ele é o esforço que a gente faz quando tudo ao redor está desmoronando. Ele foi minha mãe levantando às 4h da manhã para trabalhar todos os dias por 14 anos. Ele é o compromisso que a vida que bate à porta nos pede todos os dias. Se você atende, você sabe o que é o amor.
Se você não atende esse chamado, esqueça. Você não sabe o que é o amor. Você imagina o que ele é, você deseja sentir, mas você não tem coragem o suficiente para deixar ele te abraçar.
Eu chorei quando senti que para ser amada eu precisava implorar. Eu chorei porque eu não queria ter de passar por isso depois de conhecer o amor. Eu não admito sentir isso de novo depois de saber que o amor existe e me faz bem. Mas eu senti essa sensação ruim de novo.
De não amor. De não valor. De não ouvidos. Eu não quero, eu não preciso disso. Mas se você aceita o risco de tentar viver um relacionamento com alguém, pode acontecer. Você não controla isso. Não mesmo.
O amor não é eu te amo o tempo todo. O amor é verbo, palavra ação. Não tem melindre, não se envergonha, não fica cheio de dedos. Para existir, o amor faz. Se você não entende o que estou dizendo, o amor ainda não chegou aí.
quinta-feira, novembro 24, 2022
quarta-feira, novembro 23, 2022
Lift me Up, Rihanna.
Tento fingir que não choro mas choro. Tento fingir que não quero cantar essas palavras bem alto e não canto, mas soluço.
Queria resolver meu mundo, mas não consigo.
E não importa se vai passar, não é isso. Eu não queria que passasse nada, queria que tudo estivesse aqui como antes, mas faz tempo que não estava. Faz tempo que não estava. Eu não tive como pedir para alguém me levantar.
Eu não soube o que fazer. Eu queria que alguém soubesse. Eu queria que, pelo menos uma vez, eu pudesse não cuidar de nada e, ainda assim, encontrar tudo no lugar quando eu voltasse.
Não foi dessa vez.
Levinha.
Eu já.
Isso é racismo?
Atendimentos em repartições públicas precisam sempre ser um problema? Indo hoje ao Detran, me deparei novamente com um atendimento ruim, daqueles que a pessoa nem olha direito para você e te dá um papel para você pagar e não te explica o que é aquele imposto.
Depois de já ter pago, descobri que ali eu já tinha escolhido as letras da placa da moto. Eu gostaria de saber se eu poderia escolher as letras, porque se sim, eu gostaria de escrever EXU na placa. Eu não pude escolher, porque não me deram essa opção. Já na emplacadora, a moça disse que eu poderia ter escolhido. Voltei ao Detran e perguntei se poderia ter escolhido. A moça, ao perceber que eu entendi que ela não havia me perguntado se eu queria o serviço, explicou mal e porcamente que a placa Mercosul não permite escolha das letras.
Saí do Detran sem saber, na real, se eu poderia ter escolhido ou não, porque ela nunca admitiria para mim que esqueceu de me dar essa opção. É racismo da parte dela achar que eu vou escolher o serviço mais barato porque sou uma mulher negra e por isso ela nem pensa em me oferecer mais serviços? Não tenho muita dúvida disso, mas penso qual é o motivo pelo qual ela não explica o que significa os 266,10 reais que tenho de pagar ao Detran (um rapaz me disse que era o licenciamento da moto). Você pode dizer "ah, mas tem no Google". Tem sim, mas eu fui ao Detran, eu acho que é obrigação da repartição explicar as taxas, assim como o IPVA, que paguei também (mas que tive de imprimir o boleto no despachante disfarçado de emplacadora ao lado por apenas 10 reais, porque no Detran não tinha sistema para o Sefaz, algo no mínimo duvidoso... ah, ela também pediu que eu pedisse emprestado no despachante um lápis para decalcar o chassi da moto, objeto que ela não tinha). Tenho dúvida se ela oferece todos os serviço disponíveis para um homem branco também, já que ela não ganha nada com isso ou é o fato de, ao atendê-lo melhor, ela acaba abrindo espaço para que ele consiga perguntar coisas que eu nem tive como. Sendo assim, o racismo acaba sendo uma das portas em que o mau atendimento entra e não sai tão cedo; as outras portas, com certeza, tem a ver com classe, gênero e... fadiga, desânimo ou o que quer que seja.
No fim, as letras RPM até que me agradaram, mas ainda prefiro EXU.
terça-feira, novembro 22, 2022
Triste.
Estarei triste mais ou menos por uns 425 minutos. O tanto de dias que a gente se viu desde a primeira vez e tivemos a certeza que seria um amor para sempre. E essa certeza, pelo menos para mim, ainda não passou. Sei que amarei até o fim da minha vida quem me fez feliz pelo menos por um dia, sempre foi assim. Carrego amores no peito, só as dores é que deixo pelo caminho.
Não nasci para ser triste. Não nasci para ficar no sofrimento. Posso aceitar chorar tristezas e sofrimentos, mas só se não me sentir sozinha. Caso contrário, meu corpo começa a doer tanto que eu simplesmente tenho que ir embora. Meus olhos não abrem, a tosse chega, nariz fungando e nunca para. Não para até que eu me afaste da dor e possa enxergar o amor que ficou atrás de tudo, escondido com medo do sofrimento.
Minha decisão será sempre a de ser feliz. Sozinha ou acompanhada. Ainda espero que alguém esteja comigo. Ainda espero. Ainda que seja eu comigo mesma, eu topo a felicidade. Sei que ela mora dentro de mim quando encaro a próxima viagem.
Morno.
Eu nunca gostei de nada assim meio morno. Assim, sem saber para que lado vai. Mas descobri dias desses que morno é o quentinho do conforto. Quem quer ser morno na vida, acaba escolhendo ficar ali, acobertado pelo quentinho da coberta, quase sempre alheia, a lhe acalmar e confortar, cabeça e coração.
Eu não sou morna. Sempre quente ou muito fria, eu não sei ser morna. Podem dizer que ser morno é encontrar o caminho do meio. É... um bom argumento para continuar inerte, parado, quentinho.
Que culpa tenho eu se tu é morno?
Canta a música de Rachel mais Illy. Eu entendi logo que aquela música era para mim, mas não em sentido sexual, sabe como é? Você já conheceu alguém que parece que sempre vai deixar para depois ou para alguém decidir ou resolver? E o que você fez com ela?
Eu não soube o que fazer. Só andei e ela ficou parada, naquela estação.
domingo, novembro 20, 2022
Como eu me sinto?
Sentimentos confusos me enchem a cabeça, mas eu durmo bem. Vou até às 5h direto, acordo para me virar na cama e ficar mais confortável durante a noite. Quando acordo, penso nos problemas. Aí penso "posso pensar neles amanhã". Às vezes, invento histórias dentro da cabeça imaginando o que vão me falar ou o que falarei quando a cena se desenrolar e aí pego no sono. É o que a vida tem para mim agora.
Eu me sinto cansada, triste, desgastada e ao mesmo tempo orgulhosa de mim. Já sentiu isso? Orgulho de conseguir dizer as coisas para mim e para quem quer me ouvir. Para quem quer me entender. Orgulho por me posicionar, por saber o que quero e por fazer de tudo que eu posso para dar certo.
A gente tenta viver sem emitir juízo de valor, mas quanto mais tempo de vida sobre a terra, mais difícil fica. Eu não quero mandar em ninguém, não. Eu quero que a pessoa faça a vida dela e saiba o que quer, assim como eu sei e não encho o saco de ninguém.
sexta-feira, novembro 18, 2022
quinta-feira, novembro 17, 2022
Orgulho Macho.
Foi quando um colega perguntou se eu não poderia ficar calada é que eu percebi que o machismo tinha chegado na amizade. Eu já tinha notado antes, em outras coisas, mas assim, diretamente comigo, foi quando ele achou que eu não deveria expressar o que eu sentia e só ele poderia falar o que pensava. E olha que o que irritou ele foi a expressão "digo o mesmo para você".
Eu me sentia especialmente ofendida com as grosserias dele com o mundo e com a companheira dele, reclamava das escolhas que fazia com a filha - porque se eu não gosto, eu vou falar para você e não para outra pessoa - mas ainda não tinha me tocado que tudo aquilo ali era o orgulho macho gritando dentro dele.
Deve ser difícil conviver com uma mulher que não precisa ficar calada, que pode dizer o que quiser, sem medo de passar fome ou não ter onde morar. Deve ser difícil quando essa mesma mulher não se importa de romper laços de amizade com você quando você assim deseja, alegando que é o melhor a fazer, já que ela disse algo que você não gostou.
Eu fico pensando, se nós mulheres pretas deixássemos de falar com todo mundo que fala uma coisa que a gente não gosta, não estaríamos falando com mais ninguém.
Me deixe, viu?
Uma amiga perguntou se a gente sente o que sente do mundo porque a gente é feminista. Eu disse que pode ser isso, mas acho que é mais ainda por ser preta. Por ser preta e poder não ficar calada quando muitas de nós não podemos, quando eu mesma já calei, isso me faz não parar de falar. E nem de escrever.
Desgaste.
Dizem assim
ah, a gente só dá o que tem
Vocês acham? Sim e não. A gente dá coisas que não tem confiando que elas vão chegar. A gente dá coisa que tem mas que a gente precisa muito. A gente dá e a gente espera, sim. Não acredito que a gente nunca espere nada das pessoas, isso é conversa fiada. Eu acho assim, a gente fala essa frase mas ela não é real, como quando a gente diz que não tem dependência emocional mas não consegue terminar um namoro mesmo quando ele faz a gente sofrer por mais tempo do que a gente aguenta.
A gente dá o que não tem, mas não dura pra sempre.






















