Você que me lê, me ajuda a nascer.

quarta-feira, março 16, 2022

Carta.

Eu ainda não entendi porque você ainda está aqui. Não entendi. Estou tentando explicar para mim mesma uma coisa que nem eu sei. 

Não está dando certo. Sem pele, sem desejo e sem vontade além das palavras, as coisas não conseguem dar certo.

terça-feira, março 15, 2022

Alto Cuidado (de mim).

Auto-cuidado é amor próprio, todo mundo sabe? Sabe, né? Estou velha nessa conversa. Sim e não. No fundo eu me amo desde sempre, desde começar essa conversa toda. Não sei direito onde aprendi isso, mas auto-ódio foi coisa que não encontrou morada por aqui.

Na real, às vezes acho que sofro de superestima. Eu nem sei identificar quando sou colocada de lado, quando me machucam de cara, eu demoro a entender porque nunca acho que a pessoa quer fazer isso com uma pessoa incrível como eu. Já viu dessa?

Pois bem. Auto-cuidado para mim é amor e tempo. Tempo para mim, mas não apenas para fazer coisas que eu gosto, mas tempo para entender o que está acontecendo. E eu paro, mesmo que não pareça, porque sou turbilhão, elétrica, dormindo 4h e já levantando falando fazendo inventando. Mas eu paro, sim.

Bem dentro de mim, sem ninguém ver, estou bem paradinha olhando para tudo.


Sabedoria.

A gente tem que saber a hora de sair de cena. Eu sempre achei que isso era uma das coisas mais difíceis de aprender. Eu, por exemplo, acho que nunca acertei a hora de ir embora. Não tenho orgulho disso, mas nem preciso. Todo mundo tem coisas que não consegue dizer em voz alta para si mesma. 

Deixar as coisas tristes pra depois, Tim Maia.


Obrigada, Tim Maia, por salvar a minha noite. 

Eu já sei que só eu mesma posso salvar a minha vida.

Eduardo e Mônica.


 

segunda-feira, março 14, 2022

Contradições.

Eu quero escrever que eu não quero escrever sobre o que eu tenho de escrever. Eu tenho, eu preciso, eu sei que quando escrevo eu renasço e muita dor vai embora. Muitas tristezas que estão dentro, imagens e lembranças vão embora. Tenho de escrever porque é forma de tirar de dentro, fazer sair, para fazer morrer, para fazer nascer algo que me faça não precisar escrever sobre a dor.

Bethânia me diz

Estou cansada, e você também
Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais
Desculpe a paz que lhe roubei

Porque será que é bem assim que me sinto? Eu sinto que as pessoas sentem também, mas não querem dizer mais nada. Parece que se a gente fala do que incomoda é que a coisa nasce. Só que a coisa já está ali, só ganhando espaço e fazendo marcas na gente inteira. 

Fecho os olhos e lembro. Toco meu corpo e sinto. Suspiro saudades e penso. 

Para ir embora, não é preciso abrir a porta. Tem gente que consegue ficar perto bem perto, bem junto e ainda assim estar bem longe, muito longe, pra lá de longe de você. E esse jeito de viver me desanima, me canso, eu desgasto. Eu acabo morrendo um pouquinho se não tem luz nem gosto, aquele gosto intenso de viver. 

Que seja forte, que seja frio, que seja. Eu preciso sentir coisas frias ou quentes, eu não consigo viver de um jeito morno a pouca vida que eu tenho para viver. Mas eu já prometi para mim mesma que eu vou ficar aqui, espectadora, esperando a vida passar, assistindo a vida passar, até que eu entenda o que está acontecendo (de novo) comigo. 

Eu não preciso estar no palco da vida, da minha vida, o tempo todo. Posso sair de cena e respirar, me acalmar, posso sim. Eu não sei fazer isso, mas assim como posso aprender a andar de bicicleta, também posso aprender a só ser, esperando.

Eu estou confiante e animada no futuro. No futuro.

Dores.

Eu fecho os olhos e ainda sinto a dor da rejeição e do abandono. Sinto o silêncio e a ausência pesando sobre mim, impotência, frustração. 

Eu quero viver bem. Eu quero ser a pluma que faz cócegas no rosto das pessoas que amo. Mas eu quero que seja leve para mim também, quero me sentir energizada pelo amor que existe no mundo, quero sentir calma e paz, quero oferecer o que tenho de melhor que eu tenho porque eu tenho.

Quero viver assim não, quero esquecer, mas quando eu lembro, dói. Dói muito. 

Não sei ainda o que fazer, mas parece que não tenho saída a não ser aprender com o que estou sentindo.


quarta-feira, março 09, 2022

Queria dizer...

Eu ouvi Rubel dizendo cantando

Se for preciso, eu pego um barco, eu remo
Por seis meses, como peixe pra te ver
Tão pra inventar um mar grande o bastante
Que me assuste e que eu desista de você

Se for preciso, eu crio alguma máquina
Mais rápida que a dúvida, mais súbita que a lágrima
Viajo a toda força, e num instante de saudade e dor
Eu chego pra dizer que eu vim te ver

Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você

Que amor tão grande tem que ser vivido a todo instante
E a cada hora que eu tô longe, é um desperdício
Eu só tenho 80 anos pela frente
Por favor, me dá uma chance de viver

Que amor tão grande tem que ser vivido a todo instante
E a cada hora que eu tô longe, é um desperdício
Eu só tenho 80 anos pela frente
Por favor, me dá uma chance de viver

Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você

Se for preciso, eu pego um barco, eu remo
Por seis meses, como peixe pra te ver
Tão pra inventar um mar grande o bastante
Que me assuste, e que eu desista de você

Se for preciso, eu crio alguma máquina
Mais rápida que a dúvida, mais súbita que a lágrima
Viajo a toda força, e num instante de saudade e dor
Eu chego pra dizer que eu vim te ver

Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você

Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você

Se for preciso, eu giro a Terra inteira
Até que o tempo se esqueça de ir pra frente e volte atrás
Milhões de anos, quando todos continentes se encontravam
Pra que eu possa caminhar até você

Eu sei, mulher, não se vive só de peixe, nem se volta no passado
As minhas palavras valem pouco e as juras não te dizem nada
Mas se existe alguém que pode resgatar sua fé no mundo, existe nós

Também perdi o meu rumo, até meu canto ficou mudo
E eu desconfio que esse mundo já não seja tudo aquilo
Mas não importa, a gente inventa a nossa vida
E a vida é boa, mas é muito melhor com você

Não tem nada, para trás
Tudo que ficou, tá aqui

Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você

Eu poderia só cantar esse final por umas mil vezes que acho que já ia ficar mais leve. 
E eu queria que ele soubesse que hoje, isso é tudo que eu queria ter dito para ele, mas a água no olho não deixou e a máscara molhada, se eu torcesse, iria inundar aquele terminal lá da zona Sul.

terça-feira, março 08, 2022

Fácil.

Tem gente que pensa mesmo que existem escolhas mais fáceis. Mentira. Tem nada. O que a vida tem são escolhas. E olha, nem sempre tem.

Quando tem, não quer dizer que seja melhor que não ter. Não mesmo. Vai dizer que não era gostoso ser criança e ter alguém decidindo coisas para você? Era sim, assim como não era também. A mesma coisa é agora, com momentos em que temos que decidir algo e em outros, quando não temos.

Nada vai te livrar de viver a vida como ela é, se você escolher estar viva. Nada. Nada, você leu bem?

Amar desamar aceitar não aceitar querer não querer todas essas coisas vão trazer sofrimentos e belezas. E não tem uma balança em que você pesa e sabe de cara ou mesmo depois o que é que vale mais a pena. A gente passa a vida tentando fazer essa conta, mas ela parece que nunca fecha.

Amiga.

Quem tem amizades, tem tudo. Elas me curam, me fazem bem, me dizem o que eu não quero ouvir, me aturam, me amam, me ensinam, me acalmam. Eu não poderia ser mais feliz com as amigas e amigos que tenho. Posso ser eu mesma, começar devagar e depois acelerar e elas estão sempre ali, firmes e fortes, esperando o outro vendaval. 

Eu não preciso de muita coisa, a não ser amor de amizades.

segunda-feira, março 07, 2022

Gambiarra.

Eu tenho em mim todos os sonhos do mundo, ainda que mal escritos e vacilantes. Eu não tenho muitas certezas mas estou disposta a encontrar. Eu preciso de ajuda (eu já disse isso?) para continuar, mas preciso de alguém que segure a minha mão.

Agora parece clichê, pedir que alguém segure a nossa mão. 

Quando a gente precisa inventar um paliativo para aguentar a vida, quando ela não sara, não passa e o amor não vence, mas a gente quer continuar tentando, o que dá jeito é gambiarra. Tem gente que chama de migalha também. 

Às vezes parece fácil, mas nunca foi inofensivo. Nunca é sem dor. Se alguém disser isso para você, ela mente.

domingo, março 06, 2022

Devagar.

Eu já escrevi sobre ser lenta. Sobre não entender as coisas quando elas estão acontecendo. Eu sempre preciso de um tempo para encontrar alguns sentidos e imagens que ficam marcadas no corpo. Essas sensações não são automáticas e eu nem quero que sejam, porque eu posso me enganar e eu não quero sofrer por alguma coisa que não valha a pena. 

Mas quando alguém me ignora, a imagem fica repetindo na minha cabeça porque eu não entendo, porque eu não consigo imaginar porque alguém tenha de fazer isso comigo para se sentir melhor ou para ficar bem (ou para nem se sabe o que). 

O que eu fiz? O que eu deveria ter feito? Começo a pensar que calar é opção para quem não quer se sentir punida por dizer o que sente.

E eu me calo. Em parte, porque eu falo. Falo sozinha, falo para quem quer me ouvir, para quem me deixa ser e falar. E falo. Falo. E espero e olho o tempo procurando solução. Eu não tenho outro jeito de viver a vida a não ser tentar viver do melhor jeito possível. E meu melhor jeito de ser Migh é falando do que dói.

Você pensa demais

Tá bom, vou parar de pensar. Aí vou começar a sentir. E não sei o que é pior, ou se tem algo pior do que o desconforto de não saber como dizer o que você quer que saia de dentro de você e não volte mais. 

Não.

Não foi você, não é com você, nem é sobre você. Não.

Eu queria sumir um pouco e depois renascer sem ter que lidar com as bobagens que fiz ou que falei. Eu cansei de estar sempre de frente à mim, muito embora eu não saiba outro jeito para viver a vida. Eu não sei, só queria poder sumir um pouco. Um pouco. Como eu já disse, queria poder não me ocupar das consequências, pelo menos algumas vezes.

Mas parece que você não tem muita saída quando se propõe a viver a vida que te cabe.


Água.

Eu queria ter virado água. 
Se eu virasse água, teria doído menos, eu sei.
Chorei tanto para conseguir que isso acontecesse, mas não funcionou. Quando abri os olhos, eu ainda estava ali, mesmo lugar, claridade e pessoas ao meu redor.

Eu não queria ver ninguém. Ver as pessoas era a confirmação de que eu estava viva e de que todo mundo viu que doeu.  

Eu queria ter virado água.
Ido embora, com a força da chuva que caiu à noite. Forte, certeira, quente, verdadeira. 
Como o meu sofrimento represado por lençóis que abafaram meus gritos. Meus lamentos.

Passei a noite em claro procurando respostas. Consultei até buscadores de internet, porque estive cansada de consultar meu coração e só encontrar tristeza. Eu queria um alento que me fizesse transbordar, mas só o que tive foi a certeza de que sentimento ruim pode voltar a qualquer momento, mesmo com as pessoas mais incríveis do seu lado.

Porque as pessoas são essa coisa chamada confusão e às vezes você está bem no meio disso tudo para elas. 

Queria que toda a água virasse confete, mas isso não aconteceu. Não virei água, não virei confete. 
Abri os olhos e a vida continuava no mesmo lugar. 


Mesmo lugar.

sábado, março 05, 2022

Você que me conhece, sabe porque alguém me faria sofrer? Não, né?

Mas o que você deve saber é: tem gente que não quer fazer a gente sofrer. Ela só não sabe o que fazer e, ao não saber, faz isso com a gente. 

Aí a gente aprende que se a gente ama, tem de saber o que fazer às vezes - ou pelo menos saber dizer que não sabe o que fazer - para não fazer sofrer a quem se ama. 

A gente aprende que cuidar da gente, aprender da gente, saber da gente, é o melhor que a gente pode oferecer para quem a gente diz que ama. Se eu sei falar de mim para quem eu amo, eu ajudo a vida da gente a ficar bem. Porque viver junto não se trata mais só de mim, mas como a outra pessoa que eu digo que amo se sente com meu jeito de viver.

Parece difícil? Acho que nem parece, nem é. Saber amar é se entregar para a outra pessoa com todos os defeitos que a gente tem, sem precisar fazer doer.

quinta-feira, março 03, 2022

terça-feira, fevereiro 22, 2022

Frequência.

Eu não posso fazer isso comigo. Se eu sei o que me faz mal, por que insisto? Se eu me conheço e posso até dizer em voz alta o que eu não quero para mim, porque sigo repetindo coisas que já deram antes?

Por que porque porquê por quê

Só tem um motivo: TPM, o soro da verdade na veia.

domingo, fevereiro 20, 2022

Eu preciso.

Eu preciso dizer que te amo, mas não dá. Não consigo, a voz está engasgada com a saudade e o medo da distância levar embora todas as minhas forças. Eu não nasci para isso, não nasci para viver a vida esperando tempo bom, como se eu nunca pudesse vivê-lo completamente, ficando sempre no quase.

Mas quase também é só mais um detalhe, um grande amor pode sim morrer assim, quando de longe nada dá jeito a não ser a presença, o perfume, o sorriso, a certeza. Quando não se sabe o que fazer, o que resta é fingir que ainda acredita em daqui pra frente.

E se nada for diferente? O que se há de fazer? Chorar, deitar bem quietinha e esperar passar. 


A arte de organizar.


 

Mães Paralelas.


 

sábado, fevereiro 19, 2022

Pequenino coração.

Quantas dores ainda a vida tem de doer para acontecer o que a gente precisa para acalmar o mar de amor que mora aqui dentro?
Toda vez que acho que vou descansar, novamente a vida me mostra que preciso esperar. Quem sabe faz a hora não espera acontecer?
Bobagem. A vida não é como a gente escreve dentro da nossa cabeça, não. Se assim fosse, ela não estaria agora mesmo sem forças, respirando fraquinho, dentro de mim. 

Eu nunca sei se estou indo na direção certa, às vezes eu só quero ir para ver o que vai dar. Muitas vezes, não aconteceu nada. Nada. 

A gente espera uma festa de luz e cor ou uma tristeza sem fim. E no fim o que aparece é a rotina dos dias de sempre, você e tudo que você conhece ao seu lado. Medos, fantasmas, forças, lágrimas. Nada de mais. 

sexta-feira, fevereiro 18, 2022

Pretas na Rede #EP48 - Viajar é uma revolução?

 Ouvi esse também. Bora viajar?

Uma noite em Miami.


 

Emoção Amor.

Eu sinto falta das crianças, mas isso aqui enche minha vida:

Migh, muitíssimo obrigada! Eu não sou emocionada, mas você sempre consegue extrair ótimos sentimentos de mim. Obrigada pela força, pelo cuidado, pelo carinho e pela paciência. Você me motiva muito e me dá muita segurança. Te amo demais, você é puro brilho e luz.

Grande abraço! <3

Vamos lá então seguir nessa vida que temos para viver dando aulas e sermões e puxões de orelha e eu te amo em documentos sérios.

quarta-feira, fevereiro 16, 2022

segunda-feira, fevereiro 14, 2022

Pretas na Rede #EP41 - Amor Preto by Queen & Slim.

Ah, eu gostei desse. Tenho de ver o filme de novo, terceira (ou quarta?) vez.

Por mim.

domingo, fevereiro 13, 2022

O golpista do Tinder.




 

Pretas na Rede #EP49 - Se relacionar é uma revolução? (Família e amigos)

Eu tou procurando um podcast para chamar de meu. Ainda não encontrei. Eu devia fazer um, não é mesmo?


Investigação Criminal: Elize Matsunaga.


Acabei vendo que eu não sabia nada ou não lembrava nada desse caso. Gente, eu não lembro nada de caso nenhum. Eu não acompanho, eu esqueço, eu acho desimportante, eu acho doloroso, eu acho nada legal, eu seleciono lembrar só do que me faz bem. Assisti e pensei "onde eu estava morando quando isso aconteceu?"

Pense na mente da pessoa aqui.

 

O menino que matou meus pais.


 

sexta-feira, fevereiro 11, 2022

Perder.

Oh, fia

É quando ele diz que tem medo de me perder, aí eu penso

Oxe, esse homem está morando em que parte do mundo que ainda acha que vai me perder

Está para nascer o dia em que ele deveria pensar que poderia acontecer uma tragédia dessa

Mas como botar isso na cabeça dele, que as coisas que ele pensa que talvez me afastam são as que mais me puxam para perto dele?

Eu não sei, mas posso viver a vida inteira perto dele só tentando explicar, é só ele querer e deixar.

Oh, fia

Esse homem não está certo da cabeça, não

Como eu vou deixar você, se eu te amo 

Parece que não ouve música, oxe

Parabéns.

Hoje meu amor tirou dez, mas eu queria que ele soubesse que ele já tinha mil aqui comigo. Mil beijos, mil abraços, mil saudades.

Hoje meu amor tirou dez, mas ele é muito mais que uma nota no final de um curso de graduação. Ele é o amor da minha vida e da vida de outras pessoas também. 

Eu sou tão feliz da pessoa que ele é, tão feliz do amor que eu tenho, que eu nem quero muita coisa mais. Só esperar dia 23 de fevereiro chegar, para saudade não matar a gente.

A menina que matou os pais.


 

quinta-feira, fevereiro 10, 2022

Atenção.

Atenção

Atenção

A tensão

Até são

Atenção

Atenção

Atém são

A tensão

Atenção 

Atenção

terça-feira, fevereiro 08, 2022

Vento.

Às vezes passa um vento triste.

Um vento que diz que vai demorar muito para que eu me acalme ainda na vida.

Será? Você já sentiu esse vento soprando bem pertinho de você? O que você faz?

segunda-feira, fevereiro 07, 2022

Outras Mamas #EP47 - Não-monogamia com Isabela Saldanha e Sandra Guimarães.

Não gostei muito, não. Papo individualista demais para o meu gosto. Não gosto de pessoas que usam a expressão "isso é problema seu" e depois vem com um papo de que está preocupada com as pessoas e o mundo. 

Me pergunto até que ponto essa conversa de não-monogamia é um papo individualista para atender a desejos pessoais e fazer ataque ao jeito que as pessoas levam a vida. Obviamente, eu concordo que a monogamia é um sistema que está intrinsecamente ligado ao modo de produção capitalista; o que me incomoda é o ataque gratuito a qualquer forma de viver as relações humanas que não sejam iguais ao da pessoa que está falando. 

Cuidado, muito cuidado. 

Cuba e o cameraman.


 

Outras Mamas #EP48 - Menstruação e nossos ciclos naturais.

Rapaz, eu tou gostando, viu?

Eu tenho que agradecer muito à vida por ser como eu sou. Sempre gostei de menstruar, mesmo quando eu sentia cólicas e tal. Eu sabia que sentia dores e indisposição por conta da vida que levava e não era a menstruação o problema e sim a vida louca de correr para lá e para cá, sem tempo para mim. Aí quando eu ouço essas pessoas falando de reconexão com o corpo e tals, eu fico pensando que nunca me desconectei e é por isso que eu sou uma pessoa tão ótima.

Deve ser. 

Amo menstruar, muito. Quando ela chega, sei que está tudo bem comigo, para mim é um sinal que as coisas estão indo bem. Tenho menstruação regular há anos e quando ela não vem no dia que eu espero, batata, houve alguma mudança na vida, aí fico atenta (pode ser um novo amor ou uma grande tristeza, inclusive). Pele, cabelo, tudo funciona bem e a menstruação também. Uma dorzinha ou outra, eu sinto, às vezes. Tem a ver com coisas que comi, raivas que passei, choros que segurei e meu corpo diz. Não é por causa da menstruação, mas sim por causa de um emaranhado de coisas. A menstruação não é a responsável pela dor, eu não vejo assim. 

Gosto do primeiro dia, gosto do último dia. Usei por muito tempo absorvente descartável, acho que dos 23 aos 32, por aí. Usei direto, tanto externo quando externo. Antes disso, eu usei pano e depois disso, passei a usar absorventes de pano, aqueles feitos sob medida. Hoje, alterno entre o uso do copinho, que gosto também mas, para mim, o absorvente de pano ainda é o melhor. E falem o que quiser, mas gosto do cheiro, gosto de lavar, gosto de tudo. Tudo mesmo, de sentir o sangue escorrer. 

Acho tudo isso muito simples e sem nenhum problema. A fome e a desigualdade no mundo é que são problema.

domingo, fevereiro 06, 2022

Amo te amar.

A saudade chegou forte ontem em mim. Ela é cruel quando quer. Às vezes, até suporto a saudade. Ontem, não. 

Tive um sono bagunçado, lembrava do rosto dele e do sorriso, do abraço, do cheiro, sonhava encontros e beijos, me aninhando na cama que ainda guarda lembrança do nosso amor em flores azul no fundo branco. 

Acordava, virava de lado, dormia de novo. O remédio era pensar nele, lembrar da sensação que o "meu amor" que ele me chama me dá quando estamos juntos, lembrar da pele grudada e do aconchego que seu amor me dá quando ele está aqui. 

Acordei e a mensagem de "amo você" desaguou por um aplicativo. A saudade estava mais branda e não estava mais esmagando o amor, não sei o que ela foi fazer da vida (mas também nem quero saber). 

Ele é uma coisa tão maravilhosa de paz que eu nem consigo pensar em deixar de sentir saudade e em não querer sentir saudade. Tudo ao mesmo tempo assim. 

A autobiografia da minha mãe, Jamaica Kincaid.

Fico curiosa sobre como se fala Xuela.

Leio o livro porque a capa me chama a atenção. A leitura me incomoda mas eu sigo. Xuela não parece preocupada comigo, ela só quer contar que não conheceu a mãe, ela morreu quando ela nasceu. 

Ao dizer isso, seu olhar também se volta para seu pai, um homem que, em sendo descendente de escocês e de africana, escolheu o lado dos conquistadores para continuar seu caminho na terra.

Xuela exala indiferença, mas eu sinto dor. Em cada linha em que ela destila sua total falta de compaixão com o mundo à sua volta, alguém pode ver força e resiliência e eu sei que sim, pode ser também, mas a mim não me pega desse jeito. Ser dona de sua vida e tomá-la em suas próprias mãos tem seu preço, que às vezes não tenho certeza se Xuela quer reconhecer, pelo menos não completamente. Esse, para mim, é o grande mistério do livro e o que me faz seguir lendo: Xuela está fingindo que resolveu suas dores ou conseguiu dar cabo dos grandes dilemas da vida? No fim, isso não importa muito.

Não tive medo da nova situação: eu não sabia como ser assim na época e não sei como ser assim agora (p. 13)

Anotei uma coisa no livro na página em que grifei essa frase e escrevo aqui agora:

Eu não senti medo porque eu já havia perdido tudo

Senti outras coisas também. Uma identificação absurda, que por vezes me dava tristeza também.

Falar da minha própria situação, para mim mesma e para os outros, é algo que eu sempre faria dali em diante. Foi assim que me tornei tão extremamente consciente de mim, tão interessada nas minhas necessidades, tão interessada em saciá-las, atenta às minhas mágoas, atenta aos meus prazeres. A partir dessa expressão de dor desfocada, infantil, minha vida mudou e eu percebi (p. 18).

Essa exigência cansativa era apenas uma das muitas que me eram feitas apenas por eu ser do sexo feminino (p. 30).

Outras coisas não me dão tanta tristeza, apenas a certeza de que não estou sozinha.

Naquela época e agora, eu não queria e não quero nada com a redenção (p.34).

Eu só vou copiar uma frase final, que ela repete algumas vezes quase no fim do livro, de várias formas e em várias bocas. 

O presente é sempre perfeito. Não interessa o quanto fui feliz no passado, não tenho saudade dele. O presente é sempre o momento pelo qual vivo. Pelo futuro nunca anseio, venha ele ou não: um dia não virá (p. 123).

Fico imaginando Jamaica, que conseguiu ser Xuela e também é Jamaica. Imagino-a como maior do que tudo isso, por poder dizer em literatura sentimentos que podem ser além do que sente, podem ser inventados ou misturados. 

Em muitos momentos do livro, Xuela nos lembra: eu não sou um homem. Ela não começa o livro dizendo isso mas, lá pelo meio dele, quando começa a afirmar isso, inicialmente parece uma obviedade. Só que não é. Veja, ela não escolheu dizer "eu sou uma mulher". Ela escolheu começar pelo não para indicar a falta que era, para o mundo à sua volta, ela não ser um homem. É justamente nesse lugar que muitas vezes me sinto viver, começando pelo não. 

Vejo que sinto outras coisas no corpo também. Coisas novas e sensuais, diferentes de tudo que lembro que já senti com livros. Sua relação com seus cheiros, com seu corpo, com partes dele, com aquilo que ele produz, me faz pensar sobre como vivo minha vida comigo mesma, quando estou sozinha lendo livros ou tentando pensar no nada (ou no vácuo do tempo entre um pensamento e outro). Xuela desconcerta, desmonta, desafina meu tino sobre as coisas que penso sobre figuras como pai e mãe. 

Quando eu termino o livro, sinto como se tivesse vivido num mundo paralelo e ao mesmo tempo real nos momentos em que o li. 

Pergunto, O que faz o mundo se voltar contra mim e contra todos de aparência como a minha? Não sou dona de nada, não procuro nada [...] (p. 81).

Jamaica Kincaid

 

quarta-feira, fevereiro 02, 2022

Ei, você.

Ei, você.

Que conversa comigo e não impõe o que você pensa, mas acolhe o que eu falo, me faz perguntas e com as perguntas me faz chegar onde é preciso, sem apontar nada. 

Ei, você.

Que quando eu chego onde eu preciso chegar e não onde você precisa, quando eu chego onde eu preciso chegar para sermos melhores juntos, espera que eu mesma me encontre com meus equívocos e me entenda. Que me dá um tempo para que eu me veja e me reconheça às vezes em um momento em que é o mais difícil para alguém, que é aquele momento em que nos encontramos despidas pela primeira vez das ideias que fazemos sobre nós e que ninguém sabe que nem nós mesmas podemos sustentar. 

(esse segundo de encontro com a verdade sobre nós é coisa que o olho não aguenta fazer assim, no meio de uma conversa, muitas vezes só aprendemos coisas sobre a gente quando estamos só)

Ei você.

Que tem paciência e, ao ter paciência, espera calmamente que eu me reconheça despida, no encontro comigo. Que respira fundo e entende que aquele momento que talvez devesse só meu - mas que só existiu porque você estava ali, perto de mim. Contraditório, não? - pode me fazer sentir uma vergonha estranha e desconcertada, fora de lugar.

(eu não sei o nome do que se sente quando você está em frente a uma parte de você que nem você mesmo conhecia e precisa rapidamente pensar se a apresenta para aquele que está ali ou finge que não a viu, olho fecha e cabeça tenta pensar mais rápido que as palavras que eu não paro de falar, misturadas com a água que sai do olho) 

Ei, você.

Que não parece preocupado em "ganhar" nada, porque não, a gente não está numa competição. A gente só quer encontrar o melhor jeito para ficarmos juntos. Que nem faz esforço para fazer tudo isso porque você é assim.

Ei, você.

Te amo.

Flutua.

Eu tou tão bem que nem sei. Nos dias não tão ótimos eu também estou bem, sabe? Porque estar viva é meu maior bem. Sentir, viver, pulsar, respirar.

Eu gosto de ser eu, com todas as dores e delícias. Eu amo amar e odiar e ainda assim querer continuar. Eu não me arrependo de nada nessa vida. Nada.

Nada mesmo. 

Ter alguém para dizer eu te amo todos os dias é uma das melhores sensações que já senti na vida. Ter alguém que você pode dizer eu te amo sem medo sem vergonha sem pudor, o tempo todo, de vários jeitos. Sem precisar camuflar nem fingir ser indiferente à paixão. 

Acordo dizendo eu te amo, durmo dizendo eu te amo. Acho que paraíso é isso: viver intensamente todos os sentimentos que carrego dentro. Amor, ira, paixão, ternura, encantamento, indignação, medo, coragem. 

Eu amo o presente, estar presente.


terça-feira, fevereiro 01, 2022

EuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoRobsonEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoEuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeu

Outras Mamas #EP111- Não-Monogamia e Afetos Insurgentes.

 Mais um.

segunda-feira, janeiro 31, 2022

Outras Mamas, Podcast #EP11 - Sabrina, ecossocialismo e o mundo que queremos.

Ouça você também.

Ela.

Hoje, acordei de um sonho com ela. Ela, de vestido e cabelo solto, não falava muito, mas estava ali. Senti o frescor do seu sorriso quando acordei, como se a tivesse visto pessoalmente, segurado sua mão e sentido seu abraço. Ainda lembro aqui dentro da minha cabeça sua coragem de ir ao encontro do mar sem nunca ter sido a ele apresentada. Lembro também de como ela nem se importou com a altura que subimos para ver a cidade lá de cima. 

Ela.

Eu não consigo entender uma vida sem crianças. De tudo que a pandemia me roubou, do que mais sinto falta é delas.

Altos Negócios.


 

Volta, Gal Costa.


Finalmente arrumei um amor para cantar essa música.

domingo, janeiro 30, 2022

Descontrolada.

Você acharia engraçado se eu dissesse que estou apaixonada há quatro meses mas só agora eu assumi para mim mesma que paixão tem consequências como descontrole e medo? Não ria.

Eu sei que estou apaixonada faz tempo, estou escrevendo isso faz tempo aqui, vocês sabem; mas alguém teve de dizer para mim que paixão não é uma coisa controlada, não. Paixão não é só uma palavra para encher poesia, paixão bagunça a sua vida, deixa você fora do ar, descontrolada. Paixão é justamente não saber o que fazer, não ter certeza de muita coisa e só querer saber de quem se ama. 

Estou falando bobagem, não é? Todo mundo sabe disso. É, mas eu fingi para mim que paixão não ia fazer nada disso comigo. Aí eu enchia a boca para falar de paixão, mas achava que eu não tinha sido picada por ela. Eu era uma apaixonada racional, uma apaixonada que havia dominado a paixão. Ledo engano. Tivesse eu sido menos marrenta, talvez ela não tivesse chegado lascando com tudo. Bem pouco. Toma, distraída.

Sabe quando eu descobri que eu estava redondamente enganada?

Quando ele foi embora e eu passei o dia sem vontade de fazer nada e só levantei da cama no outro dia. Quando ele me manda uma mensagem e o meu coração vai na Lua e volta. Quando eu sinto o cheiro dele mesmo quando ele não está aqui. Quando fecho os olhos e penso em tudo que ainda não fizemos juntos - comer beterrabas cozidas, tomar banho de chuva e dormir deitados na grama do quintal.

Aí eu vi que estou descontroladamente apaixonada sim e pronto. Estou morrendo de medo e assustada, mas estou indo bem. Ainda estamos aqui, de mãos dadas e amantes.

Código Desconhecido.


 

sábado, janeiro 29, 2022

Uma vontade me toma 
E eu que nem faço rima
E adoro o contrário de Roma 
Continuo sonhando com a ideia de soma
Com alguém que nem sei (mais) se me ama

Eu te amo, Amor.

Eu amo o amor, mas isso todo mundo sabe. Já me disseram isso uma vez e eu prontamente acreditei. Hoje me perguntaram se eu tenho fé, eu disse "no amor".

É pelo amor que eu tento de novo, todos os dias, que eu quero querer e continuo sonhando sonhos que não se devem sonhar só. 

É pelo amor, não quero a dor nem o sofrer. A gente nem sempre pode escolher. A tristeza pode te alcançar no meio de um sábado solitário, ouvindo músicas que te dizem que você não deveria estar se sentindo assim, afinal, é sábado. A tristeza chega, você encontra com as amigas, se diverte mas na hora de dormir uma coisa sempre te consome, sempre vai te consumir, vai, sim. 

Preciso aprender a só ser, Gilberto Gil.


Eu preciso aprender a ser , aprendi com Tim Maia cantando para mim. 
Eu preciso aprender a ser, Gil está tentando me ensinar.

Vem, Gil, ilumina minha vida cheia de folhas secas e tristezas penduradas de uma árvore chamada distância no país da saudade.

sexta-feira, janeiro 28, 2022

Versões.

Eu escondo de mim versões minhas que não gosto de conviver. Passo muito tempo sem elas, nem lembro que elas existem, mas elas estão aqui. Como quando eu lembro da raiva de uma sogra racista que eu tive; eu tive muita raiva dela e não gosto de lembrar disso, mas sei que tive e ainda não acho que quero deixar de sentir. E não é porque eu seja boazinha que não queira sentir raiva, é que dela eu não queria sentir era nada. 

Raiva ainda é alguma coisa, é de um tempo que senti amor e queria ser aceita. Por isso, me dá raiva sentir raiva dela. 

Eu escondo de mim as versões que não quero saber que existem. Como minha falta de traquejo com redes sociais. Lembrar disso me faz ver o quão coisas estúpidas me fragilizam. E eu não quero saber que eu sou isso também. 

Ao mesmo tempo, não gostar de versões de mim e escondê-las é saber que elas existem e, como eu não preciso me perdoar, ao fim e ao cabo estou convivendo com todas elas aqui. Só finjo fingir para não ficar tão cansativo, tudo ao mesmo tempo não seria possível, nem se eu tivesse duas vidas.

Clube das mães Cansadas, Podcast #EP5 - Amamentar é lindo, mas cansa!

 Eu falei que estou na onda do podcast, pow.

Meteoro Brasil entrevista Suzane Jardim.


 

Não olhe para cima.


 

quinta-feira, janeiro 27, 2022

O avesso da pele, Jeferson Tenório.


Os livros sempre se antecipando uns aos outros. Se colando nas caronas das conversas, bagunçando minha lista. De repente compro um novo porque preciso ganhar frete grátis na compra de um cortador de grama ou de uma balança digital e então ele chega e brilha na minha cara, me apresenta uma frase de saída que me pega e aí eu, que nunca fui fiel a nada, a não ser aos meus desejos, pego e passo o livro na frente.
O livro passa na frente, não Maria.

Foi assim com esse. Quando vi, 50 páginas tinha ido embora e eu há me sentia amiga íntima de Pedro e solidária à Martha, com raiva e com amor de Henrique. Começa assim:

Às vezes você fazia um pensamento e morava nele. Afastava-se. Construía uma casa assim. Longínqua. Dentro de si. Era esse o seu modo de lidar com as coisas. Hoje, prefiro pensar que você partiu para regressar a mim (p. 13). 

Tenório escreve coisas que eu já disse ou pensei e aí leio e me sinto descoberta. Olho para um lado e para o outro, não, não tem ninguém no quarto.

Mas a gente nasce porque tem que nascer (p. 39). 
Na verdade, na infância quase nunca há o que fazer (p. 41).                                                                  

O personagem Pedro falando de seu pai e sua mãe me diz coisas que me fazem emocionar.

A verdade é que vocês não se amavam o suficiente para suportarem os seus fantasmas. Vocês eram apenas duas pessoas quebradas. Cada um com seus cacos. Cada um buscando uma escora. O amor como muleta. Naquele momento, a vida já havia tirado tanto, que vocês achavam injusto que o amor não pudesse servir como amparo. Acontece que, em vez de buscarem algo que pudesse reconstituir os afetos, vocês resolveram se cortar com o que restou. Laceraram um ao outro porque, a certa altura da vida, as pessoas perdem a capacidade de amar (p. 27).

E, quando olhei de novo, já estava no fim, com uma dor estancada que não me permitiu chorar por nada, mais nada. Fiquei ali, lendo e lendo e lendo e esperando o fim do fim, porque as coisas já tinham morrido há muito tempo. 

Prefiro uma verdade inventada, capaz de pôr de pé (p. 183).

Isso me fez lembrar coisas de mim, que já passei. Acho que sou assim, como Pedro também. Invento ou esqueço de coisas só para seguir minha vida bem feliz. Eu escolho não sofrer, deliberadamente inventando coisas e esquecendo também. Seleção natural para viver melhor, talvez seja um nome pomposo para isso.

 Jeferson Tenório

quarta-feira, janeiro 26, 2022

Outras Mamas: Podcast #EP78 - As prisões são necessárias?

Agora eu estou na onda do podcast, viu? Aqui.


Lili Entrevista: Rita Von Hunty.


 

Crianças Negras: Relações raciais e educação infantil.


 

Excluir conta II.

Eu nem sabia que eu ainda tinha uma conta no Instagram. Pense vocês. 

Há muito tempo atrás, eu fiz uma conta, que não durou nem um mês. Achei aquilo tudo tão chato e tentei excluir, mas não consegui. Aí eu fiz alguma coisa para remover temporariamente, só que de tempos em tempos, quando alguém me mandava um link nesta rede para ver alguma coisa, sem querer, eu acabava ativando a conta. Ontem, isso aconteceu de novo. Não me pergunte, quando vi já estava novamente dentro de uma conta chamada mighdanae.

Eu já havia removido todas as fotos faz tempo.

Aí ontem encontrei um site que de um jeito muito simples me ensinou a excluir a conta. Foi tão fácil que eu me perguntei porque é que eu já não tinha feito isso antes. 

Eu não sei em que momento da vida eu passei a ter aversão à redes sociais. Eu sei, geral pode falar, tu já começou namoro pelo Orkut, com direito à "casa comigo?" e choro em aeroporto, o que tu quer falando de rede social? Eu não sei. Só sei que tenho uma ojeriza quase angústia a qualquer rede social, inclusive whatsapp. Num mundo perfeito, eu não teria nenhuma dessas redes. 

Eu sempre digo que os problemas não são as redes, sou eu. Em cinco minutos de ativação de Instagram, eu vasculhei coisas que passaria a vida sem precisar saber, encalhadas na memória da vingança e do ressentimento.  

A única rede que eu gosto é a de dormir, instalada de vez agora no meu quarto. Não sinto que preciso de nenhuma rede virtual para sobreviver, mesmo nesse tal mundo paralelo chamado Internet. Prefiro ler, escrever, ver filmes e dormir. 

Eu já tenho um blog, há mais de quinze anos e isso já é demais para mim. 


Um mundo sem prisões é possível?


Aproveita e vê esse aí embaixo, também, vai.




 

Despejando amor.

Hoje eu ouvi que eu devo despejar em mim o mesmo afeto que dirijo às pessoas que amo. Na mesma hora tive a visão de uma grande bacia com uma coisa parecida com placenta cheia de amor - o amor, se for líquido, deve ser uma coisa viscosa - e eu tomava banho nele. 

Nessa visão, eu me banhava numa bacia, mas também derramava esse mesmo amor na minha cabeça. Sorri feliz. Essa noite eu tive sonhos de abandono e tristeza quase a maior parte do tempo, e não é que eu possa lutar com isso facilmente. Eu só sei, eu só sinto que muito do que sou vem desse lugarzinho nebuloso dentro de mim onde tem um buraco.  

Não sei se um dia essa sensação vai deixar de existir e eu nem saberia viver sem ela. Ela está aqui há muito tempo e se ela fosse embora, eu não sei o que me sustentaria. Talvez parte do que eu faça seja para compensar essa fenda profunda, vai entender as pessoas. 

Vai passar, sempre passa. Eu sei, eu conheço dias e noites tristes, mas também conheço a alegria e a felicidade.

terça-feira, janeiro 25, 2022

Calma.

Respira. Calma. Deixa tudo isso para lá. Pensa em você e no seu tempo. Nada disso importa, o que importa é você. Fique bem. Você é a pessoa mais importante do mundo que você inventou, lembra? 

Então, para e vai fazer suas coisas. Ler, escrever, ouvir músicas, dançar na sala, comer comidas, dormir, olhar fotos antigas, dar risada, ouvir áudios, balançar na rede, vai.  

Não esquece, só você vai estar aqui quando tudo isso acabar. 

Mano a Mano: Fernando Holiday.

 Eu ouvi esse podcast e pensei: não dou dez anos para esse rapaz pensar diferente.



O sonho da pedra.


 

quinta-feira, janeiro 20, 2022

Lula fala à mídia independente.


 

Desachora.

Como é que desachora?

Aprendi com menino Nito, o livro de Sonia Dias. Se bem que eu não lembro de guardar choro dentro, não. Eu guardo choro fora, mesmo. Já tem coisa dentro demais de mim, então eu vou deixando uma coisas guardadas fora. E outra eu jogo fora mesmo, fora de mim. 

Com medo de encontrar por aí, mas jogo.


Skies of Lebanon.


 

Folhas no Quintal.

Lá atrás, uma pessoa me disse que adorava rotina e eu disse que não. Hoje, eu digo que adoro rotina. Uma porque eu adoro fazer a mesma coisa por vários dias todos os dias e outra porque ela é rara. 

Acordo, yoga, meditação. Banho. Preparar café ouvindo coisas como Mano a Mano ou um programa de entrevistas. Como e depois leio algumas coisas, livros que estou lendo. Mudei o horário porque percebo que dá mais certo ler depois do café.

Sento para trabalhar às nove e saio ao meio dia e trinta. Almoço. Por vezes tenho de fazer, por vezes, não. Sento para trabalhar de novo às quatorze e levanto quase às dezoito. Me preparo para recolher as folhas do quintal. Faço isso há duas semanas, todos os dias. Incluí mais essa coisa na rotina, antes de caminhar na esteira. Tem sido uma delícia grande varrer as folhas, recolher, jogar fora, todos os dias. Recomendo muito para os dias mais chatos da vida.

O vizinho passa, aceno um boa tarde para ele. Volto para a esteira e para algum vídeo no celular. 

Banho. Cafezinho com um pedaço de bolo, escolho um filme. Vejo um pedaço ou quase todo, adoro muito ver filmes aos pedaços, como uma novela que você não quer que termine. Às vezes como de novo, às vezes, não.

Já são quase nove horas, eu vou para a cama ler um pouco e receber a ligação amorosa do dia. Durmo.

Não tem coisa melhor no mundo do que rotina. É que ela que me mostra o quanto eu sou sortuda na vida.

Mano a mano: Gloria Maria.

Ouçam e vejam o que acham.

Educação e infâncias negras.


 

quarta-feira, janeiro 19, 2022

Sensação.

O amor é coisa que cura, muxima

E depois o mesmo que faz moer

Eu prefiro dizer assim. Quem espera que o amor seja uma ilha de paz não conhece o amor. O amor é a própria vida intensamente viva pulsando dentro de você. E eu só posso agradecer por sentir.

Hoje, quando fechei os olhos e pensei em qual lugar eu queria estar, lembrei de uma sensação especial de um dia especial que passei ao lado dele e que me fez sentir que eu era a pessoa mais importante do mundo.

Se você tem isso, você nunca mais quer viver sem amor. Curando e moendo, mas viva.

terça-feira, janeiro 18, 2022

A terceira vida de Grange Copeland, de Alice Walker.


A gente chega em alguns livros pelas autoras. Eu muitas vezes não leio nada sobre o livro e já pego para ler, começo e vou. Foi isso aqui, porque já li outras coisas de Alice. Um amigo também tinha falado muito bem do livro, da escrita, de como era bem escrito. Comecei a ler e depois de um pouco da história, fiquei impressionada como Alice conseguiu, em pouco mais de meia página, descrever - com sensações, sentidos, sentimentos - o que era o ciclo de uma semana na vida de uma família feita de mãe, filho e pai no sul dos EUA em meados do século passado (p. 25-26).

Eu imaginava que ia ser pau viola, ou seja, pesadão pesadão dão. Às vezes não quero ler isso, não. Eu consigo, mas não sempre. Só que não sei bem o que fazer. Tem dor e delícia em todos os livros, não só em livros escritos por gentes negras. Só que quando eu lia Memórias Póstumas de Brás Cubas, talvez não me tocasse tanto, por isso parece que tem livro escrito por gentes brancas que é só alegria, mas não vejo assim, não (nem Terry McMillan e seu livros sobre relacionamento com leveza consegue não pesar por vezes). Eu pelo menos não vejo mais assim, não dá para um livro ser só docinho, docinho e ser incrível. As coisas doem porque sou gente e sinto dor e amor na mesma intensidade. Não tem como escapar da vida, eu sempre digo isso. Eu não vejo como. 

Não faço resenha nem resumo do livro, eu escrevo o que eu quero aqui. Eu só vou dizer que o livro é a história de uma família negra através de algumas gerações, o que faz com que o personagem Grange Copeland consiga renascer e viver uma terceira vida. A percepção de Grange sobre como ele ainda poderia fazer algo para se tornar pessoa, ainda que tivesse errado em muitos momentos da vida - assim ele pensava - é o que nos mantém até o fim do livro, certas de que alguma coisa vai salvar todas nós. 

Não posso dizer se é bem isso que acontece ou não, porque depende de quem lê e do que espera do livro e da vida. Há gentes que não esperam salvação, também. Porque esperar salvação é uma atitude muito cristã. O que sinto nos livros de Alice e de Toni é que, tomados aos pedaços, parecem apenas descrições simples da vida que vejo ao redor, mas o conjunto da obra, olhado de longe, tem tanta força que eu poderia dizer que muitas vezes tornou-se responsável pela vida que respira em mim. Ler essas histórias tem me ajudado a me entender, quando eu mesma nem sei se quero ou posso entender nada. 

Eu muitas vezes não vejo sentido na hora que estou lendo, mas acho que ninguém lê livro fazendo isso, não é mesmo? Ninguém lê nada procurando explicação. Ao mesmo tempo, e com o tempo, todos eles fazem tanto sentido, enchem minha vida de sentido! Essas duas sensações - querer explicação e não achar explicação - não são contraditórias, elas convivem e me fazem ter a certeza que sim, ainda estou aqui.

Há muitas passagens que eu gostaria de copiar aqui, mas ficarei com uma delas (duas, vai), uma conversa tensa entre Grange e seu filho Brownfield:

Por Deus, eu sei o perigo de colocar  as culpa tudo em outra pessoa pelas besteira que ocê faz com a própria vida. Eu mesmo caí nessa armadilha! E eu tenho a tendência a acreditar que é desse jeito que os branco consegue te corromper mesmo quando cê nunca fez nada. Porque quando eles te convence que são os culpado por tudo, te convence a achar que são uma espécie de deus! Ocê não pode fazer nada de errado sem eles estar por trás. Ocê passa a ser fraco que nem água, sem ter a sensação de fazer nada por sua própria conta. E aí começa a pensar em maldade, começa a destruir todo mundo ao redor docê e colocar a culpa nos branquelo tudo. Merda! Ninguém é tão poderoso quanto nós acha que é. Nós é dono da nossa própria alma, não é? (grifos da autora, p. 267) 

[...] quer dizer, os branquelo pode ter me feito largar da minha esposa - continuou ele - mas onde estava o homem em mim que me deixou ir embora escondido, sem nunca contar a ela aonde eu ia, sem nunca dizer que eu perdoava ela, sem nunca dizer o tanto que eu estava errado?
[....] e os branco pode ter me obrigado a acreditar que comer cem piranha era um sinal da minha masculinidade - continuou Grange -, mas onde estava o homem em mim que me deixou enganar Josie de um jeito tão baixo, quando eu estava pouco me lixando para ela, desde que ela me obedecesse e comprasse a minha fazenda? (grifos da autora, p. 267-268)

Plau, plau, plau e acabou.

 Alice Walker

Love don't cost a thing.


 

domingo, janeiro 16, 2022

Pergunta.

Onde você esconde seu machismo?

Essa é a pergunta que eu gostaria de fazer para os homens que pensam que sabem tudo sobre não ser machista. Há sempre um lugar sob a carne em que se esconde o machismo, não se engane. Talvez ele esteja bem naquelas coisas que você não diz nem para você mesmo, ou aquelas outras que algumas pessoas dizem e veem e você não confirma porque tem vergonha de assumir o machismo. Ficou difícil de entender? Volta e lê de novo.

O que eu não sabia é que mesmo quando um macho tenta, ele não consegue. O mundo está aí para ele levantar, aprender e cair de novo, o mundo todo está aí para acolher um vacilo que um homem dá numa relação, afinal "eles amadurecem depois", "eles aprendem a ser machistas desde pequenos", há tanta justificativa que você se assombra. Ele não quer ser machista, mas ele é. Ele é porque até o que ele faz achando que é um deslize, uma característica, pode ser mais do mesmo, o tal machismo. 

Para nós, mulheres e negras, o que sobra?

Sobra se acomodar, se acostumar, só tem isso, não tem mais nada. Se alguém te disse o contrário, tudo bem. Eu mesma quando estou feliz finjo realidades sem machismo e desdenho dele. Não vou condenar quem quer tergiversar, eu faço isso também. 

Eu não gosto de análises clichês sobre a vida, mas aí me pego tomando bem no meio da minha cara só porque não quero prestar atenção em sinais óbvios como machismo, racismo, inveja e recalque. Eu agradeço à vida por ainda não saber tudo e me permitir viver as coisas de novo. Só posso agradecer à vida por ser uma boba (quase) completa. Boba porque acredito, porque me surpreendo, porque me permito. Eu gosto disso, porque é essa coisa em mim que me permite sentir tudo, amor, paixão, desejo e tesão, mas também tristeza, raiva e impotência. 

Eu me amparo em outras mulheres negras. E vocês, o que fazem? Eu me amparo em mim, em livros, músicas e filmes que falam sobre mim. E vocês? Eu me amparo no silêncio que sai da tristeza e da certeza, da lucidez que a cada dia mais eu sinto sobre a vida. 

Sob a areia.


 

sábado, janeiro 15, 2022

Companheira de mim.

Eu sempre tive a mim por dentro e por fora, não vai ser agora que a vida vai se mostrar diferente. Então, vem, deixa que a vida ensina o resto e faz companhia na hora em que nada mais der certo.  

Mesa SESC Brasil: Virgínia Rodrigues.


 

Ensinamento.

Foi aí que em um hora e meia de viagem, ela me explicou tanta coisa da vida que eu não imagino como é que eu vivi até hoje sem ouvir aquelas palavras. Ela fez questão de sentar ao meu lado e falou sem parar. Me fez rir quase todo o tempo e por fim, arrematou:

Quando eu era mais jovem, eu me perguntava porque é que meus namorados sempre me traíam. Eu ficava pensando, é porque tenho estria? É porque meu cabelo está desarrumado, minha unha não está feita? Não... hoje eu percebo que não é nada disso. Ele vai te trair, ele sempre vai te trair. Sempre. Se até Bruna Marquezine é traída, porque não eu e você? Imagina, que nada. Os homens sempre vão fazer isso, sempre. As amigas dizem, "ah, você está feia, é por isso". Mas não é. Não é.  

Ela ficou repetindo essa conversa algum tempo, como se para ter certeza que eu estava entendendo. E eu ali, ouvindo aquela certeza toda saindo de sua boca, fui curada sem nem ela saber. 

Eu quis dizer a ela que não era só isso, mas também que eles sempre vão descumprir acordos, sempre vão dar mancadas, vão fazer seu coração ficar apertado e vão fazer você não se sentir especial, não importa o que você faça ou quem você seja. Diferente de Margaret, esposa de Grange Copeland, eu não lutaria com a explicação de que tudo isso é necessário para criar respeito próprio e senso de masculinidade. 

Mas não precisei dizer nada. Ela sabia tudo. Chegou meu ponto e eu desci, certa de que se tivesse encontrado ela há um mês atrás, a vida teria sido mais fácil. 

sexta-feira, janeiro 14, 2022

Baby.

Baby, vem dormir comigo

Baby, sente a luz do sol

Eu queria estar sentada na praia cantando essa música bem baixinho agora. Mas eu não tou. Então, tá.

Amargura.

Não estou bem certo se ainda vou sorrir, sem um travo de amargura

Eu sempre gostei dessa parte da música. Acho que ela é profética, porque eu a conheço desde o tempo em que eu sorria sem nenhum travo de amargura. Hoje, não. 

E  não é que a vida esteja ruim. Aconteceu, foi o jeito que a vida veio. Eu sou grata por estar aqui. 

Fico sempre curiosa de saber quanto aquela dor no peito vai mudar a mim e o meu jeito de ser, quanto aquela dor, aquele calo feito no coração vai me impedir de ver alguma beleza, mas isso é coisa que não dá para medir. Dá para sentir que a vida não volta atrás e é nela que eu ando. 

É por isso que eu digo, não há saída, vamos viver.

terça-feira, janeiro 11, 2022

24h.

E eu, que achava difícil querer alguém por tanto tempo e mais e sempre, hoje me pego acordando e dormindo desejando estar no colo da mesma pessoa de ontem. 

Fechamento.

Sabe que eu não entendia o que era fechamento? Eu não. Entendia, não. Eu ouvia a música, cantava, mas sabia, não.

Aí eu digo que o jeito mais legal de aprender o que é fechamento não é alguém te dizer, mas você sentir que tem alguém que ama você tanto, tanto e que está disposta a passar horas enxugando suas lágrimas por problemas tantos que você nem nunca falou com ninguém e que talvez nem você mesma tenha falado para você ainda. 

A vida faz mal, mas a vida faz bem. As pessoas fazem mal, mas as pessoas fazem bem. Acredite nisso e tu vai longe, tenha certeza.

segunda-feira, janeiro 10, 2022

Farming.


 

Convite.

Se um dia disseram que a tristeza é senhora, foi porque a convidaram a entrar pela porta da frente. 

sexta-feira, janeiro 07, 2022

quinta-feira, janeiro 06, 2022

quarta-feira, janeiro 05, 2022

terça-feira, janeiro 04, 2022