Você que me lê, me ajuda a nascer.

sábado, fevereiro 06, 2016

Macunaíma.

Disseram que era pra ler e eu tou lendo. Eu estava achando bom, mas cansei. Vou terminar só porque dez entre dez pessoas dizem que é um romance de formação e todo aquele blá-blá-blá sobre a formação do Brasil e do povo brasileiro, que tem de ler, o mesmo que dizem pro romance de Gilberto Freire,  o tal Casa-Grande e Senzala. Ops! Esse não é romance, é um livro de sociologia... falha nossa. 
Eu sempre pirei em Macunaíma porque foi Otelo quem fez no cinema,  sempre pirei pra ler só por causa disso. Por isso é tão importante nos sentir representados,  isso me fez querer ler Macunaíma,  e talvez eu gostasse mais ainda de ler se não tivesse passado minha adolescência lendo livros como A servidão humana, de um cara chamado Somerset Maugham (que nunca mais nem ouvi falar...) e Papillon... 
 Grande Otelo em cena de Macunaíma, 1969.


Mas taí, Mário de Andrade era negro e eu só descobri isso muito tempo depois. Ele também é um cara importante na minha área pelo que fez com relação à educação da infância em São Paulo, os tais parques infantis. Ainda hoje em São Paulo é possível estudar em escolas da rede municipal com a estrutura dos parques infantis de Mário, taí uma boa coisa,  reformar essas escolas, tombar,  pra voltar a ser referência. 




(botei mário de andrade parques infantis são paulo no Google e saiu isso tudo aí)

Cabra bom esse seu Mário. 















Acabei achando até uma exposição sobre o assunto

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Rebelião Escrava no Brasil: a história do levante dos Malês em 1835.

Pois bem. Fiquei de escrever aqui sobre os livros que ando lendo. 

Um deles agora é o de João José Reis (ed. revista e ampliada, 2003, Companhia da Letras) - o nome está no post do título - e é um clássico sobre a rebelião dos Malês. Leitura obrigatória para saber mais sobre mim. Selecionei duas passagens que me fizeram bem de ler (ainda estou no começo, mas fiquei com ganas de escrever)

O que se suspeita que fosse a distribuição de riqueza numa sociedade escravista, agora pode ser aproximadamente avaliado em números. Os 10% mais ricos controlavam 67% da riqueza. Se isolarmos apenas os 5% do topo, verificamos que possuíam 53% da riqueza. E se destacarmos os dez indivíduos mais ricos da amostra, eles despontam como proprietários de 37% dos bens inventariados. Essas dez pessoas representam apenas 2,3% da amostra de 395 [pessoas]. Aí se encontravam os mais poderosos senhores de engenho [leia-se escravocratas] e os grandes negociantes. (p. 30)

[...] alguns cativos ousaram ocupar cadeiras e participar dos debates no recinto da Câmara Municipal. A história de um deles é contada pelo secretário dessa casa, Attaide Seixas: "e reparando eu em um negro José Inácio,  cativo de Felix da Silva Monteiro, sentado nas cadeiras da Câmara,  perguntei-lhe quem era,  respondeu-me que era um Cidadão como eu, e mostrou-me uma faca de ponta batendo com ela sobre a mesa". (p. 66)

Me leva embora.

É sim. Não posso fingir que não. Ouço essa música e fico assim...
Me leva embora


(Uma música inspirada em Cantiga de Ninar Malvina, poema de Jorge Amado que abre o terceiro capítulo de Gabriela, com música de Caymmi. Grifei em negrito as partes que viraram música)

Dorme, menina dormida
Teu lindo sonho a sonhar.
No teu leito adormecida
Partirás a navegar.

Estou presa em meu jardim
Com flores acorrentadas.
Acudam! Vão me afogar.
Acudam! Vão me matar.
Acudam! Vão me casar.
Numa casa me enterrar
Na cozinha a cozinhar
Na arrumação a arrumar
No piano a dedilhar
Na missa a me confessar.
Acudam! Vão me casar
Na cama me engravidar.

No teu leito adormecida
Partirás a navegar.

Meu marido, meu senhor
Na minha vida a mandar.
A mandar na minha roupa
No meu perfume a mandar.
A mandar no meu desejo
No meu dormir a mandar.
A mandar nesse meu corpo
Nessa minh’alma a mandar.
Direito meu a chorar.
Direito dele a matar.

No teu leito adormecida
Partirás a navegar

Acudam! Me levem embora
Quero marido pra amar
Não quero pra respeitar
Quem seja ele – que importa?
Moço pobre ou moço rico
Bonito, feio, mulato
Me leva embora daqui,
Escrava não quero ser.
Acudam! Me levem embora.

No teu leito adormecida
Partirás a navegar.

A navegar partirei
Acompanhada ou sozinha
Abençoada ou maldita
A navegar partirei.
Partirei pra me entregar
A navegar partirei.
Partirei pra trabalhar
A navegar partirei.
Partirei pra me encontrar
Para jamais partirei.

Dorme menina dormida
Teu lindo sonho a sonhar.

Um suspiro.

Não. Não mais.
Ligar, procurar, escrever, atender, responder. 
Não.
Não posso mais, eu gosto demais, eu vou sofrer demais.
Eu vou procurar outras pessoas e coisas, eu não vou mais.

Eu não vou aceitar mais.
Eu consigo. 
Um suspiro.

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Perigo.

Eu gostaria muito que as pessoas me dissessem que eu pisei na bola, sem precisar ameaças, sem me fazer parecer politicamente incorreta, sem usar jargões ou aspas, sem mais nada além de querer dizer que eu pisei na bola. É difícil, eu sei. Normalmente quando a gente pisa na bola, a pessoa se chateia do outro lado e pode vir uma bomba qualquer. Mas ainda acho que prefiro uma bomba de chateação do que ameaça, estranheza, perigo, coisas assim, que te deixam sem saber se pedir desculpas é melhor que ficar em silêncio. 
Fico em silêncio, pedindo desculpas a mim mesma, então.
Desculpas por acreditar de novo, isso não.
Desculpas por deixar de fora a leveza da vida para empacar diante do peso que certas palavras trazem. Palavras que tem por trás delas, uma boca, pessoa, gentes, história. Desculpas por achar que desistir, às vezes, é errado. Mas não posso seguir com quem quer ficar. 
Fico em silêncio, pedindo desculpas a mim mesma, então. 

Charlie Brown, o filme.


terça-feira, fevereiro 02, 2016

Creed: nascido para lutar.




Alguém pode me contar o motivo desse filme não ter nenhuma indicação ao Oscar??? E ainda tem gente dizendo que Spike Lee é radical quando fala que o Oscar é racista... 

domingo, janeiro 31, 2016

(pausa)

Momento-dança
Menino-criança
Vida-balança
Momento-dança
Infância
Menino-criança
(não se embaça a esperança)

Eles, nós (eus)

Eu queria rasgar a carne, não sentir nada naquele segundo antes da dor chegar e me tomar por inteiro.
E ao ver o sangue que jorraria da carne rasgada, sorrir de prazer ao sentir, só por sentir.
Pra ter certeza que sentir é melhor do que saber.

As pessoas confundindo amor com compromisso.
Esquecendo de viver o que é necessário para ser feliz.



sábado, janeiro 30, 2016

sexta-feira, janeiro 22, 2016

quinta-feira, janeiro 21, 2016

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Apenas o começo.








Apenas o começo", de Jean-Pierre Pozzi e Pierre Barougier, se passa em um jardim de infância em Mee-sur-Seine, localizado em uma área de educação prioritária chamada Seine-et-Marne. Lá, um professor prepara um workshop para fazer as crianças, a partir de 3 anos de idade, refletirem sobre questões filosóficas que preocupam os seres humanos ao longo de suas vidas: o amor, a liberdade, a autoridade, a diferença ou inteligência.
Dá pra assistir na Tv Escola. Só fazer o cadastro e botar o nome que ele aparece. 



Novidade.

Um email com quatro palavras e todos os suspiros do mundo. 
Passei a noite lendo antigos posts, todos os que fiz para ele, todos os emails que ainda tenho, fotos, velhas e novas. Foram muitas palavras - e muitas imagens, mas agora uma pequena frase feita com quatro palavras viraram minha cabeça.
Eu ainda lembro do dia em que o telefone tocou e do outro lado ele me disse não. Mas só depois de dois anos eu descobri que esse não tinha uma razão de ser. A vida continuou, eu fiz escolhas - ele tinha feito outras tantas - nossos tempos nunca mais se encontraram. Ano passado, decidi não encontrá-lo mais. Não poderia suportar ver ele e o que tinha se tornado, pelas escolhas que tinha feito. Não que algo de ruim tenha acontecido. Nada disso. É que o que a gente tinha havia se perdido demais, ou estava escondido demais, vai saber. 

você entrou no trem, e eu na estação

Uma coisa assim. Era estranho, não queria ser para ele qualquer uma. Porque eu não era, sabia, mas parecia. E tudo que eu não precisava era parecer qualquer uma, não naqueles tempos em que nos reencontramos. 
E agora estou aqui, sem saber do que se trata tanto mistério. Mas acho que tenho medo de saber. Queria passar mais uns dias sorvendo a alegria da lembrança, sentindo a delícia que seria ouvir o que espero, uma surpresa, a surpresa. 
Mas, de qualquer modo, fosse o que fosse, seria bom poder vê-lo novamente, só pra ouvir. Mesmo que o final da história não fosse assim tão feliz. 

Os oito odiados.


Homem negro, inferno branco.

terça-feira, janeiro 19, 2016

As sufragistas.

O que eu faria se eu pudesse votar? Não sei, nunca pensei que isso aconteceria, Maud Watts.


Coco antes de Chanel.

É a segunda vez que eu vejo esse filme, mas a mesma frase me tomou:


Eu sempre soube que não seria esposa de ninguém. Mas às vezes me esqueço, Coco Chanel.

Z.


sexta-feira, janeiro 15, 2016

Meio Sol Amarelo.



Tá bem, todo mundo já leu. Mas eu não estou nem aí. Li todos os outros livros de Chimamanda antes do primeiro que a consagrou. Fiquei torcendo o nariz porque era famoso. Mas taí, gostei muito. 

No site da editora, o resumo é assim:

Filha de uma família rica e importante da Nigéria, Olanna rejeita participar do jogo do poder que seu pai lhe reservara em Lagos. Parte, então, para Nsukka, a fim de lecionar na universidade local e viver perto do amante, o revolucionário nacionalista Odenigbo. Sua irmã Kainene de certo modo encampa seu destino. Com seu jeito altivo e pragmático, ela circula pela alta roda flertando com militares e fechando contratos milionários. Gêmeas não idênticas, elas representam os dois lados de uma nação dividida, mas presa a indissolúveis laços germanos - condição que explode na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e criação do estado independente de Biafra.
Contado por meio de três pontos de vista - além do de Olanna, a narrativa concentra-se nas perspectivas do namorado de Kainene, o jornalista britânico Richard Churchill, e de Ugwu, um garoto que trabalha como criado de Odenigbo -,Meio sol amarelo enfeixa várias pontas do conflito que matou milhares de pessoas, em virtude da guerra, da fome e da doença. O romance é mais do que um relato de fatos impressionantes: é o retrato vivo do caos vislumbrado através do drama de pessoas forçadas a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição.

É isso aí. Mas se eu fosse fazer o meu resumo, eu escreveria assim:

Nunca achei que ia aprender mais sobre a Biafra num livro de literatura do que na escola.

Tem coisas que eu não gosto no livro. Mas é tudo birra minha e eu não vou ficar comentando. Ela escreve bem, se é isso que importa. Eu gosto, muito embora nunca vá desbancar Toni Morrison. Há algumas coisas que para mim não funcionam na trama, mas tudo bem. São só meus olhos de escritora frustrada achando que eu faria diferente. 

Fizeram o filme também. Eu nunca gosto dos filmes que fazem dos livros (em parte porque eu acho muita cara de pau de diretor de filme que já pega roteiro pronto). Mas eu vi que quem faz Olanna é Thandie Newton. E vocês sabem de meu amor por Thandie. Sendo assim... vamos caçar para ver. 


                                                           Chimamanda, ela. 

quinta-feira, janeiro 14, 2016

quarta-feira, janeiro 13, 2016

terça-feira, janeiro 12, 2016

segunda-feira, janeiro 11, 2016

Pequena África.




Eu.


Foto péssima. Mas fui feliz. 

domingo, janeiro 10, 2016

sábado, janeiro 09, 2016

quinta-feira, janeiro 07, 2016

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Tiresia.


Pompêo.



Foi em 2012. 


Assim que terminei de escrever a dissertação que falava das mulheres negras professoras, recebi um convite por uma rede social de ninguém mais do que Antonio Pompêo. Ele tinha lido alguma coisa em algum lugar e me deu os parabéns pelo tema, falou que queria a dissertação para ler, interessou-se em conversarmos para um possível documentário. 




Não levei muito a sério. Afinal, era ele. Ele. O homem que eu tinha crescido vendo em Quilombo (1984) e Tenda dos Milagres (1985), o homem que por acaso eu nunca mais vi desde 2003 na TV' estava ali, falando comigo. Morava em São Paulo e contei-lhe de meu amor pelo Rio. Foi quando ele emendou que poderíamos nos ver qualquer dia, deu-me seu celular. Desacreditei menos ainda, mas um dia liguei. Falamos coisas da vida, falamos nada, conversamos amenidades. Sobre o Rio, sobre a dissertação, sobre quando nos veríamos. Eu nunca soube como lidar com isso, deixava pra lá, acho que eu tratava como um sonho bonito que a gente acorda com sorriso no rosto e levanta da cama para ir viver a vida real. 








O tempo passou e eu me desconectei da rede social. Nos falamos mais algumas vezes sobre coisas amenas, sobre nossas vidas, ríamos de coisas simples. Eu ainda não acreditava, mas a voz era inconfundível. Trocávamos sms e até alguns whattsapp's, no curto tempo em que me atrevi a ter uma conta. Mas eu acho que nunca levei a sério. Esse ano, ao voltar para o Facebook, ele me achou novamente. Temos muitos amigos em comum por ali, não seria difícil. Voltamos a nos falar algumas vezes, revi algumas coisas que ele fez, sempre falava da minha admiração. Ele respondia agradecido e risonho, simples, o que me fazia desacreditar cada vez menos que era ele. 

Não contei isso pra ninguém. Achei que ninguém ia acreditar em mim. Acreditar que era ele. Mesmo que eu ligasse e botasse ele na linha, eu achava que iam pensar que era uma brincadeira. Coisa de fã. Foi um respeito quase sagrado que não me fez chegar mais perto dele. 








Aí ontem, a notícia. Fiquei chocada. Tentei recuperar nossas conversas, fiquei lendo por muito tempo, noite adentro. Não sei no que desacreditava mais: na sua morte ou no fato de que ele foi uma pessoa tão perto de mim. Ele era perto quando a gente não se conhecia, me ajudou a me ver na tevê e quando se tornou além de perto, real, eu não soube o que fazer direito. 

Não é que ele era um deus ou coisa assim. Ele era Pompêo e merecia toda a minha admiração por ser quem é. Pelo que eu vi, ouvi e o pouco que eu conheci. Sou eu que sou boba demais para lidar com algumas coisas. Ou talvez, vai saber, eu sempre acho que as pessoas que eu quero perto são imortais. 

terça-feira, janeiro 05, 2016

Leiturinhas.


                                                                           (esse era o tempo em que se passava umas tardes e uns dias todos em Itapuã)

Tenho lido muita coisa boa ultimamente. Visto muita coisa boa também. Acho que vou começar a postar tudo tudo tudo que leio e assim vocês poderão me acompanhar melhor.
Um dos últimos artigos que li me deu uma sensação de lucidez porque é daqueles que a gente pensa: "Puxa, não penso isso sozinha...". O artigo é de 2005 e fala sobre as chamadas revitalizações dos espaços urbanos. Pensando em Salvador (a autora fala justamente da nossa cidade!), achei que caiu como uma luva.
Uns excertos pra dar vontade de ler:



A tão sonhada (re)vitalização urbana – o sentido de revitalização aqui não seria mais o econômico, mas sim o de vitalidade, como vida decorrente da presença de um público e atividades diversificadas – só poderia se realizar de forma não espetacular quando ocorrer uma apropriação popular e participativa do espaço público. O que evidentemente não pode ser completamente planejado, predeterminado ou formalizado. A maior questão das intervenções não estaria na requalificação em si do espaço físico, material – pura construção de cenários – mas sim no tipo de uso que se faz do espaço público, ou seja, na própria apropriação pública desses espaços. Somente através de uma participação efetiva o espaço público pode deixar de ser cenário e se transformar em verdadeiro palco urbano: espaço de trocas, conflitos e encontros. Quais seriam então algumas alternativas ao espetáculo urbano? Tenho algumas pistas: a participação, a experiência efetiva e a vivência dos espaços urbanos. Estas alternativas passariam necessariamente pela própria experiência física da cidade, que é quase impossível ou totalmente artificial nas cidades espetacularizadas. E mais do que isso, passariam pela experiência corporal, sensorial, podendo ser até mesmo erótica, da cidade. Só a experiência sensorial, individual ou coletiva, que não se deixaria espetacularizar, não se deixaria reduzir a simples imagens. A cidade não só deixaria de ser cenário e passaria a ser palco mas, mais do que isso, ela passaria a ser um corpo, um outro corpo. É dessa relação entre o corpo físico do cidadão (ou do arquiteto-urbanista, que evidentemente não pode deixar de ser cidadão também) e esse “outro corpo urbano” que poderia surgir uma outra forma de apreensão da cidade. (p. 19-20)



JACQUES, Paula B. Errâncias urbanas: a arte de andar pela cidade. Revista Arqtexto, UFGRS-Rio Grande do Sul, n. 07, p. 16-25, 2005. 

Pega tudo aqui:
http://www.ufrgs.br/propar/publicacoes/ARQtextos/PDFs_revista_7/7_Paola%20Berenstein%20Jacques.pdf



                                                                                                                                   (Itapuã não é mais aquela, olha a cara dela)

O capital.


Inverno da alma.


domingo, janeiro 03, 2016

Paz.

Meu telefone toca e eu nunca atendo.
Eu nem queria celular mesmo.

sexta-feira, janeiro 01, 2016

sábado, dezembro 26, 2015

O diário de Bitita.


Por razões de pesquisa hoje o livro de Carolina Maria de Jesus que me interessa mais é com certeza o Diário de Bitita. Não sei se por isso gosto mais dele do que aquele mais famoso, o tal Quarto de Despejo... 



Reeditado recentemente pela editora Sesi-SP, o livro foi publicado em 1982 primeiro em francês (no Brasil, o livro foi publicado em 1986). Nele, Carolina relata parte de sua vida ainda criança, suas sensações em relação à vida em que vivia ainda em Sacramento (MG) e cidades por onde passou por conta das agruras a que esteve submetida. Apesar de não poder ser precisa com relação até que idade Carolina relata sua infância no livro, ouso dizer que é possível escutar a voz de uma Carolina de pelo menos 15 anos. 


O livro me tomou por inteira porque lembra uma discussão que venho travando sobre consciência racial com pessoas mais próximas. É certo que muitas pessoas acreditam que pessoas tornadas pobres não tem consciência (e menos ainda as crianças). Ainda que Carolina tenha escrito este livro não quando era criança, ela busca retratar o que pensava quando ainda era muito pequena, o que nos dá margem para pensar que mesmo que tenha sido uma invenção, uma construção já feita quando era mais velha, ainda assim faz-nos repensar sobre a ideia de consciência que temos, muito relacionada à uma ideia abstrata e representativa de consciência e não uma consciência forjada na experiência.
Há muitas passagens no livro que me deixaram sem fôlego e me fizeram acreditar que a pesquisa de doutorado que desenvolvo não é uma maluquice sem precedente.
 Aqui reproduzo algumas passagens e apontamentos feitos por Bitita que dão pano pra manga:

Bitita x gênero

- Mamãe, eu quero virar homem! Não gosto de ser mulher! Vamos, mamãe! Faça eu virar homem! [...]
- Porque você quer virar homem?
- Quero ter a força que tem o homem [...] O homem que trabalha ganha mais dinheiro do que uma mulher e fica rico e pode comprar uma casa bonita para morar (p. 16-17)

Bitita x liberdade sexual (machismo)

E eu fiquei pensando: "É melhor ser meretriz, ela canta vai aos bailes, viaja, sorri. Pode beijar os homens. Veste vestidos de seda, pode cortar os cabelos, pintar o rosto, andar nos carros de praça e não precisa obedecer a ninguém!" (p. 83)

Bitita x pobreza

Era difícil morrer um rico, porque assim que eles adoeciam procuravam um médico. Quando o pobre arranjava dinheiro para ir ao médico, já era tarde demais. (p. 79)
Não me agradava o modo de vida dos pobres. Não podia nem classificar aquilo de vida, sofriam mais do que os animais. (p. 98-99)
As crianças ricas quando adoeciam era por causa da tosse. As pobres eram anêmicas, raquíticas, por andarem descalças. (p. 99)

Bitita x racismo

Observava as consequências de todos os atos que praticamos. Quando os negros bebiam, eu pensava: "Porque é que só os pretos bebem?". Mas os brancos bebiam dentro de suas casas. Se um branco cambaleava na rua diziam que era indisposição, mal-estar. Se um branco bebia nos bares era repreendido: - Você está imitando os negros? Arranjou um negro para ser seu professor? (p. 55)

Quando havia um conflito , quem ia preso era o negro. E muitas vezes o negro estava apenas olhando. Os soldados não podiam prender os brancos, então prendiam os pretos. Ter uma pele branca era um escudo, um salvo-conduto.
(p. 55)
Bitita x beleza (e racismo!)

- Sabe, Carolina, você vem trabalhar pra mim, e quando eu for a Uberaba eu compro um vestido novo pra você, vou comprar um remédio pra você ficar branca e arranjar outro remédio para o seu cabelo ficar escorrido. Depois vou arranjar um doutor para afilar o seu nariz. Pensei:
[...] "E quando eu ficar com os cabelos escorridos e o nariz afilado, quero ir a Sacramento para os meus parentes me verem. Será que vou ficar bonita? 
Durante seis meses trabalhei para Dona Maria Cândida. [...] Rejubilei interiormente quando ela me disse que ia a Uberaba. Fiquei aguardando o retorno com ansiedade. Ela permaneceu dois dias fora. [...] mas fiquei decepcionada. Ela não trazia pacotes. Então ela enganou-me! Pensei nos seis meses que trabalhei para ela sem receber um tostão. Minha mãe dizia que o protesto ainda não estava ao dispor dos pretos.  (p. 136-137)

Além dessas questões, Bitita também questiona a autoridade das pessoas adultas em relação às crianças e o motivo dessa relação ser tão naturalizada:

Como é horrível ser criança! Não tem permissão para fazer isto ou aquilo. Que mundo é este, temos que aceitar as imposições, sendo assim, o homem não é livre. (p. 77)


Bitita cunha a expressão semilivre para falar sobre a forma como via a participação das crianças, das mulheres e da população negra na sociedade que ela estava vivendo. Taí, semilivre. Boa e fantástica definição. Como Carolina de Jesus sempre é. 

Carolina e os filhos (sem data)

Agora é procurar pra ler! 

Invade e... fim.

Ouvindo Moacir Santos e lembrando de coisas que eu nunca quero esquecer. E eu pensei que é melhor assim. Sentir saudade de coisas do que querer esquecer o que se viveu. Ficar com aquela vontade de mais. Ficar na dúvida porque se é feliz lá e cá. Essa coisa é gostosa de sentir.

Eu queria tanto mas tanto estar aqui e agora eu lembro de que lá eu também fui feliz e estive bem. Assim está sendo gostoso (re)descobrir quem sou. Muita coisa mudou e muita coisa está bem igual.

Mas eu estou feliz. 

Eu disse não para algumas coisas que me deixaram com medo e insegura. É estranho dizer não para coisas que te fazem mal mas que também te fazem muito bem. Acho que eu nunca fui muito romântica mesmo. Meu amor é pragmático demais para quem um dia já viajou para o outro lado do oceano só para dizer oi.

Eu ainda não acredito completamente em mim. 

O livro de Eli.


quarta-feira, dezembro 23, 2015

segunda-feira, dezembro 21, 2015

quarta-feira, dezembro 16, 2015

terça-feira, dezembro 15, 2015

domingo, dezembro 13, 2015

Meio Billie Meio Holliday.

Eu fiquei assim.
Perdida. Com medo e confusa.
Ouvindo as palavras nas músicas que Billie canta eu fiquei mais triste quando a noite caiu inteira sobre mim.
Eu sozinha só um travesseiro transpassando
Entre as pernas
A nudez
Eu e a tristeza de ter perdido e estar perdida mais uma vez.

Acordo. Remédio. Levanto e coço a cabeça.
Vou ao banheiro e penso
No medo na dor na confusão

Ainda não passou.

Lady Sing the Blues: a história de Billie Holiday.




sábado, dezembro 12, 2015

Cinzas.



Cinzas é um filme que trata do cotidiano de Toni, um personagem fictício, mas que se assemelha a vivência de muitos outros personagens reais. Com Guilherme Silva Zitta Carmo Kadu Fragoso Ive Carvalho, Deusi Magalhães, Valéria Fonseca, Angel Marques e Max Ruy.

Dirigido por Larissa Fulana de Tal.


O Clã.


quarta-feira, dezembro 09, 2015

sábado, dezembro 05, 2015

segunda-feira, novembro 23, 2015

terça-feira, novembro 17, 2015

É sagrado
Mas isso era antes
De ter me apaixonado

É segredo
Mas só depois
Do primeiro beijo

Insiste
Não me desiste
Meu colo precisava de uma cabeça pousando
Meu calor precisava de uma brasa pra encostar

Pode entrar, não tenha pressa.


quinta-feira, novembro 12, 2015

terça-feira, novembro 10, 2015

Sounding the alarm.


Eu quero flores.





No dia em que ouço sobre o mapa da violência e de como o número de mulheres negras mortas aumentou significativamente eu ouço de mainha uma história triste. Uma história, mais histórias, muitas histórias.
De uma mulher negra trabalhadora bem perto de nós, que há 12 anos sofre violências tantas de um cara que deveria ser seu companheiro. Mainha e eu discutimos sobre o fato de ela ter gostado dele e por muito tempo ter acreditado que ele poderia mudar. Eu acredito que ela acreditou e eu acredito que ela está cansada. Eu acredito que ela não quer mais, mas ele não quer saber disso e entrou em sua casa para estuprá-la há duas semanas atrás.
Poderia ser amor. Mas não é mais. Ela tem o direito de ter amado quem a machucou? Claro. Vejo mulheres condenando mulheres que amam homens que a bateram, mas eu acho que é possível, afinal, não dá pra desistir de alguém assim, de alguém que já te fez muito feliz. Você abre o olho no outro dia e acha que não, não pode ser verdade, ele só precisa de mais uma chance e... quando você vê, muito tempo se passou... você sente vergonha, você não quer pedir ajuda, as pessoas te julgam... e mais tempo se passou. Você descobre que a vida também bate, você pensa e pesa se aquele tapa uma vez por semana pela pseudo-proteção que ele te dá compensa e quando vê... mais alguns anos.
Aí um dia você acorda e quer ajuda e quer ir embora e tem o direito. 
Não posso julgar. Não tenho o direito. Não passei a vida que ela passou, seria fácil só apontar o dedo.
Ela agora não tem muitas escolhas. Precisa ir embora, se esconder, dizer não à vida que vive agora e ir embora, medida protetiva. É doloroso, mas é o único jeito. Isso também dói e eu espero que ela tenha coragem. A gente fica em parte esperando que as coisas mudem e não tomamos algumas decisões que pensamos que não precisarão ser tomadas. 

Queria poder dar um abraço nela agora, dizer alguma coisa. Digo pra mainha o que eu quero dizer pra ela, porque ela não me contou nada e eu não sei. Eu sempre a vejo sorrindo quando desço do ônibus quando volto da faculdade. Eu nunca saberia nada.

Eu mulher negra
Míghian Danae

Eu cinquenta por cento mais vezes violada por esses programas universalistas que "esquecem" da raça ao implementar políticas públicas no Brasil
Eu parada violada
Eu curtida currada
Eu correndo sofrendo
Eu morrendo (vivendo)

Eu parada violada
Quando caminho na cidade sabendo das coisas que sei
Vejo mulheres negras como eu 
Iguaizinhas a mim e fazendo coisas e querendo ser respeitadas

Mas são vistas como um pedaço de carne
Embaladas pelo vácuo das demonizações racistas da minha pele olhos e cabelos

Eu curtida currada
Quando na rede social faço (só) sucesso em ocasiões específicas aquelas definidas por pessoas que nem me conhecem

Eu correndo sofrendo
Correndo para continuar viva
Correndo dos estereótipos 
Correndo das piadinhas sexi-racistas

Eu morrendo (vivendo)
Em combate também sucumbindo
Levantando caindo
Chorando (sorrindo)
Me deixem em paz
Eu quero viver a minha vida
Com as minhas pessoas escolhidas

Eu não sou legal
Não preciso ser 
Eu quero ser o que eu quiser
Me deixem em paz


Fotos tiradas daqui.

segunda-feira, novembro 09, 2015

domingo, novembro 08, 2015

sexta-feira, novembro 06, 2015

quarta-feira, novembro 04, 2015

Até parece.

Quem me procura aqui no blog só acha postagem de filme e deve achar que eu só faço isso da vida.
Não é. .
Bem verdade que eu vejo muitos filmes. Eu estou sempre com alguns por ver. Agora no DVD está "O assassinato de Jesse James" e no Netflix eu vejo "Sounding the Alarm" e "Pixo". Tudo de vez assim mesmo. Eu gosto. Eu sou viciada mesmo. 
Não vejo a hora. Eu aposentada vendo pencas de filmes por dia. Coisas de cinco seis dez. Levanta só pra trocar de filme ou ir ao banheiro. 
Eu escrevo outras coisas mas elas se perdem nos rascunhos. Eu parei de escrever aqui e voltei a escrever cartas. Eu sempre gostei.
Eu queria que quando eu morresse todo mundo que recebeu carta minha e se conhecesse se juntasse e publicasse minhas cartas. Tem umas que eu adoro reler e quando eu vou na casa da pessoa que recebeu eu peço pra ver. Rever. É engraçado. Uma coisa feita por você mas que nunca foi sua.
Só pra recapitular: tá tudo bem. Eu é que ando mais pra dentro que pra blog. 

Passei muito tempo da minha vida querendo voltar pra Salvador. Agora que estou aqui não quero fazer muita coisa. Cada vez sou mais feliz com menos.

A morte de J. P. Cuenca.


segunda-feira, novembro 02, 2015

quinta-feira, outubro 29, 2015

segunda-feira, outubro 26, 2015

domingo, outubro 25, 2015

terça-feira, outubro 20, 2015

domingo, outubro 18, 2015

sexta-feira, outubro 16, 2015

Reino Unido.

E o reino dele só seria unido
Se tivesse rainha e princesa
Mas não tem nada
Só um reizinho na barriga de um cabeça dura.

Submundo do hiphop.


terça-feira, outubro 13, 2015

segunda-feira, outubro 12, 2015

Porque?

Deitada no sofá num dia de domingo como eu sempre quero estar na minha vida ele chega entre o arroz e o peixe que vai fritar e eu pergunto:
- Porque você gosta de mim?
- Porque você é você.
Me dá um beijo e eu caio no sono de novo.

Vaidade.


terça-feira, outubro 06, 2015

sábado, outubro 03, 2015

quinta-feira, outubro 01, 2015

sábado, setembro 26, 2015

sexta-feira, setembro 25, 2015

segunda-feira, setembro 21, 2015

quarta-feira, setembro 16, 2015

segunda-feira, setembro 07, 2015

É sim de verdade.

Quando eu lembro dele eu acho que todas as vezes que eu escrevi que estava apaixonada não eram de verdade. Mas não é porque eu não tenha amado. É porque sempre foi tão fácil dizer e me ver apaixonada. E agora?
Agora eu não vejo nada não sei de nada não acredito em nada nem em mim tou desconfiada com medo assustada mas não da paixão nem dele é de mim é de mim. E eu que pareço sempre segura de mim e do que sinto tombei.

Tombei no amor. Mas que é bom é. Pelo menos não caí de cara no chão. Ele está ali segurando minha mão [caído de amores também].


sábado, setembro 05, 2015