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sexta-feira, fevereiro 07, 2025

Ciclos.

Essa semana, transferi o corpo de meu pai de um cemitério para o jazigo que temos da família. Finalmente, ele vai ficar junto com o filho, meu irmão, por bastante tempo agora.

Parece engraçado, e foi. Levei os restos mortais no carro ao lado da minha mãe, que foi contando histórias do velho durante a viagem. Eu sempre lembrava

ele está aí ao seu lado

Na hora do enterro, fiquei pensando que seria uma boa, quando eu morresse, convidar os coveiros que irão colocar meu corpo sob a terra para a festa que eu gostaria de fazer no meu sepultamento. Uma festa discreta, mas com bebida e comida. Na verdade, eu gostaria mesmo que tivesse um paredão de som, tocando todas as músicas que eu gostei durante a vida e meu caixão indo junto, as pessoas dançando, rindo e lembrando de mim. 

A morte é inevitável, a alegria também tem de ser. Não vejo porque não comemorar a morte sendo que vivi tão feliz e nunca quis viver para sempre. Vamos ver se convenço alguém que fica a fazer isso por mim. 

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