Você que me lê, me ajuda a nascer.

segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Eu, ele, o sol e o mar.


 

Filho Nativo, de Richard Wright.

 


Tenho resistido bravamente aos shorts e vídeos curtos e tentado voltar a ler com a frequência de antes. Acho que tem funcionado: agora, quando tenho alguns minutos de sobra entre uma atividade laboral e outra, eu penso: o que será que vai acontecer com o protagonista do livro que estou lendo?

Este livro é uma bomba. Me deixou extasiada com as primeiras 100 páginas e quando eu achava que nada mais incrível poderia acontecer, começa a segunda (e a terceira) parte. A história nos prende do começo ao fim e ficamos meio sem respirar, com medo e na torcida por Bigger, ainda que não concordemos com tudo que ele faz ou ainda que nos vejamos nele. Não sei dizer bem, mas eu mais entendo e abraço Bigger do que qualquer outra coisa, eu já vi o olho de Bigger me olhando em muitos lugares por aí, não saberia julgá-lo, mas ainda assim, eu o perdoo.

O autor consegue rechaçar a religião cristã em 1940, num país infestado de protestantes entre as pessoas negras. Só por isso o livro já vale muito, mas vale também por Bigger e pelo discurso de Max, que só tem a valia que tem por ser feito por um homem branco, que é judeu, que vale menos para muita gente, mas ainda assim manda no mundo (vai entender como funciona). A história toda é tão atual, mas o filme fica muito aquém do livro. É assim: o filme é outra história. Quer ver? Pode ver, mas não é o livro. O filme só se inspirou mesmo. Acho que ninguém patrocinaria um filme se alguém fosse filmar esse livro na real, ainda que ele seja um roteiro pronto e Bigger seja uma personagem e tanto. 

Vocês sabem, né? Eu não faço resenha de livro aqui, eu só registro o livro que li. Não esperem muita coisa desses escritos. 

Richard Wrigth